Livros e viagens têm tudo a ver: te transportam pra lugares diferentes, te apresentam novas culturas e mudam seu jeito de ver o mundo. Após uma boa leitura ou uma boa viagem, é difícil não ficar inspirado. 

O turismo literário pode ser feito de três maneiras: visitando as casas de grandes escritores – algumas delas são transformadas em museus e promovem uma verdadeira imersão na vida e obra do autor; conhecendo destinos onde grandes livros foram ambientados – muitos deles têm até tours especiais passando pelos principais pontos turísticos mencionados nas obras; ou então viajando para as Cidades Literárias designadas pela UNESCO, que são cidades em que a cultura literária se sobressai. 

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Pra você que ama livros e quer programar uma viagem desse tipo, selecionamos 13 destinos de turismo literário pelo mundo. Confira as nossas sugestões abaixo. Leia também o nosso post sobre 21 filmes e documentários pra quem gosta de viajar (na Netflix!).

Turismo literário em casas de grandes escritores

Santiago, Valparaíso e Isla Negra, Chile: as casas de Pablo Neruda 

O poeta ganhador de dois prêmios Nobel, Pablo Neruda, se tornou quase que um patrimônio cultural do Chile. Não é à toa que suas três casas se transformaram oficialmente em pontos turísticos. As residências do autor se divididem entre a agitação da capital e os refúgios litorâneos de Valparaíso e Isla Negra. Por conta de seu trabalho também como diplomata, as casas multicoloridas são cheias de quinquilharias e apetrechos trazidos de diversas partes do mundo. A que mais reforça esse aspecto colecionista é a de Isla Negra, que também ostenta uma bela vista para o Oceano Pacífico. A de Santiago, La Chascona, é a sede da Fundação Pablo Neruda e onde está localizada sua biblioteca. Já a de Valparaíso, La Sebastiana, tem o formato mais interessante, combinando com seus arredores portuários: foi construída como se fosse um barco. 

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Lisboa, Portugal: casa de Fernando Pessoa 

A casa centenária de Fernando Pessoa engana quem vê apenas seu exterior: apesar da aparência antiga (assim como muitas outras construções em Lisboa), o seu interior se assemelha a um museu recém inaugurado. Após passar por reformas pra incluir mais acessibilidade e incorporar novas exposições, a moradia onde o poeta português passou seus últimos 15 anos de vida é um convite a céu aberto pra quem quer adentrar em seu universo de palavras e heterônimos – o poeta é conhecido por ter adotado várias “personalidades literárias”. A sala mais interessante e fotogênica é a que tem folhas de livros cobrindo o teto e paredes, criando uma sensação de verdadeira imersão literária. 

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Itabira, Minas Gerais: casa de Drummond

Os poemas de Carlos Drummond de Andrade são uma celebração de Minas Gerais e é em sua cidade natal, Itabira, a duas horas de BH, onde se faz uma imersão mais completa na obra do poeta. A começar pelo solar onde passou sua infância, é possível percorrer um circuito drummondiano completo, passando por lugares que o escritor cita em seus textos. Mais interessante do que a casa, que não se tornou exatamente um museu mas um centro cultural, é o Memorial Carlos Drummond de Andrade, projetado por Oscar Niemeyer. Lá,  há parte do acervo pessoal do mineiro e também as cartas que ele costumava trocar com sua família.

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Devon, Inglaterra: casa de Agatha Christie

A dama dos romances policiais tinha como cenários queridinhos as vilas interioranas da Inglaterra: é nas mansões e casas de campo que as senhoras fofoqueiras, as damas de companhia misteriosas e os sobrinhos suspeitos participam de tramas de mistério inesperadas. Por isso, visitar sua casa de férias em Devon, a quatro horas de Londres, é como adentrar diretamente em seu universo preferido. A visita se torna ainda mais mágica após ler o livro A Extravagância do Morto, que se passa exatamente na mansão georgiana da escritora. A propriedade é administrada pela instituição conservacionista National Trust. Dada sua importância cultural – a visitação é super bem estruturada, saiba mais aqui

Turismo literário em destinos que foram cenários de livros marcantes

Salvador e Ilhéus, Bahia

A Bahia não tem escassez de bons nomes da literatura e já foi plano de fundo pra várias histórias marcantes, mas é nas obras de Jorge Amado que o estado é retratado em seu esplendor – mas sem endeusamento, afinal, suas contradições e mazelas sociais também recheiam os livros do escritor. Em Capitães da Areia, conhecemos Salvador a partir das peripécias e perspectivas de meninos marginalizados. Já em Gabriela, Cravo e Canela é a vez de se apaixonar pela Ilhéus portuária através do romance tumultuado do árabe Nacib e da sertaneja Gabriela.  Dica: pra quem se interessa por museus, a Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, guarda um incrível acervo do escritor.

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Londres, Inglaterra

Londres também tem uma parcela significativa de histórias ambientadas entre seus pontos turísticos icônicos: são tantos livros, séries e filmes que até o viajante de primeira viagem já se sente “em casa” quando chega na terra da rainha. Quem já leu as histórias do astuto detetive Sherlock Holmes, reconhece de cara o endereço 221B Baker Street, que hoje se tornou um museu dedicado ao personagem de Arthur Conan Doyle. É também em Londres que a magia de Harry Potter se materializa para os leitores e entusiastas da saga: é possível fazer um roteiro exclusivo pra visitar as atrações, que vão desde a estação King’s Cross (onde Harry embarca na plataforma 9 ¾ pra Hogwarts) até o Leadenhall Market (mais conhecido como o Beco Diagonal)– sem contar, é claro, os estúdios de gravação, que não ficam exatamente em Londres, mas é possível fazer um bate-volta.

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Estocolmo, Suécia

O sucesso da série Millennium se consagrou mundialmente após o primeiro filme – Os homens que não amavam as mulheres – ser lançado no cinema com Rooney Mara e Daniel Craig nos papéis principais. A história criada pelo jornalista Stieg Larsson fala sobre Lisbeth Salander, uma hacker extremamente talentosa que busca fazer justiça pra mulheres que sofrem com violência e machismo. A produção cinematográfica inspirou um tour temático na capital sueca, organizado pelo Stadsmuseet, o Museu da Cidade de Estocolmo. A rota inclui o bar que a protagonista costuma frequentar, a redação da revista Millennium, o local de trabalho e o apartamento de Lisbeth. Dica: tudo fica ainda mais fascinante depois de ler os livros.

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Turismo literário em cidades literárias da UNESCO

Desde 2004, a UNESCO mantém um programa intitulado Rede de Cidades Criativas, que engloba diferentes centros urbanos divididos em campos criativos – um deles sendo a Literatura. São cidades que incorporaram a criatividade ao desenvolvimento urbano sustentável e atuam ativamente na promoção da cultura, seja através de eventos, pontos turísticos especiais ou incentivos para as indústrias criativas.  

Edimburgo, Escócia

Os cafés aconchegantes, os pubs onde grandes escritores se encontravam, os eventos literários de peso e o mercado editorial efervescente deram à Edimburgo o título de primeira cidade literária da UNESCO, ainda em 2004. E não é pra menos: a capital da Escócia é cheia de pontos turísticos que exalam literatura. O café e restaurante Elephant House é tido como o local onde Harry Potter nasceu, já que foi sentada em suas mesinhas que J.K. Rowling escreveu as histórias do bruxo mais famoso do mundo. Em Picardy Place, bairro nas proximidades do Castelo de Edimburgo, há uma estátua dedicada a Conan Doyle, escritor de Sherlock Holmes, que nasceu na cidade. Em agosto, a capital recebe o International Book Festival, um dos maiores eventos literários do mundo, que ocorre ao ar livre em pleno verão e é uma das épocas mais deliciosas pra se visitar a cidade. 

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Óbidos, Portugal

A vila medieval de Óbidos costuma ser um bate-volta comum desde Lisboa: suas vielas e o imponente castelo que é seu cartão de visitas dão um tom de volta ao passado da forma mais charmosa possível. Lá, a cultura literária está presente na Igreja de Santiago transformada em livraria; no Mercado Biológico, espaço em que produtos naturais se misturam com exemplares únicos de livros independentes e outros já consolidados no mercado editorial; no The Literary Man Hotel (diárias a partir de € 85), hotel todo inspirado em livros; e no Festival Literário de Óbidos (Folio), evento que movimenta a vila com vários autores, editoras e leitores de Portugal e do mundo. Veja aqui um guia completo de Óbidos, a cidade ideal pra turismo literário em terras portuguesas. 

Dublin, Irlanda

Dublin é berço de alguns escritores mais proeminentes da língua inglesa. Pra citar alguns: o poeta WB Yeats; James Joyce, autor de Ulysses; e Oscar Wilde, de O Retrato de Dorian Gray. É na capital também que está a biblioteca mais interessante e imponente da Irlanda, a da Trinity College. São milhares de exemplares, incluindo o Livro de Kells, uma relíquia única – o livro foi escrito em 800 a.C. e ficou enterrado por séculos pra ser escondido dos vikings. Além disso, Dublin tem um programa muito único, chamado Dublin Literary Pub Crawl, que consiste em um tour por pubs dublinenses no qual atores encenam e contam histórias dos principais autores irlandeses. É o roteiro perfeito pra quem quer conhecer os tradicionais pubs e ainda imergir no universo literário da capital irlandesa. 

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Extra: Cidades literárias da França

Os “villages du livre” na França guardam um espaço muito especial na rota de turismo literário mundial. Isso porque esses oito pequenos vilarejos espalhados pelo país foram revitalizados e prosperaram economicamente depois de se tornarem points de bibliófilos. O que prevalece não são os mais recentes sucessos do mercado editorial e sim exemplares de segunda mão, edições especiais e raras, além de trabalhos artesanais: todos vendidos em boutiques literárias administradas por livreiros entusiasmados. Pra quem está em Paris, o vilarejo mais próximo é La Charité-Sur-Loire, a 2h40 da capital. Quem está em Lyon, vale mais a pena ir até Cuisery ou Ambierle. Quem passa por Toulouse ou Montpellier, pode ir até a mais proeminente das vilas: Montolieu.

Pra sentir o gostinho desta viagem, leia o livro A Livraria Mágica de Paris, que conta a história de Monsieur Perdu, um auto-proclamado “farmacêutico literário” que embarca em uma viagem pelo sul da França (passando por vários vilarejos literários) em seu barco-livraria pra curar o coração partido e procurar respostas sobre a mulher que o abandonou 20 anos antes. 

Qual destino de turismo literário te conquistou? Conta pra gente nos comentários!

Maria Eduarda Nogueira

Uma comunicadora por paixão, ama criar conteúdos digitais autênticos e aprender novos idiomas. Acumula na bagagem o inglês, o francês e o espanhol e um repertório de mais de 250 livros lidos. Viagens são sua forma preferida de consumir cultura. Fã de espaços urbanos diversos e metrópoles vibrantes, tem nos cafés e livrarias mundo afora seus lugares preferidos - sempre com um chocolate quente em mãos e em busca do próximo idioma para aprender.

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