A capital do Chile é muito conveniente aos turistas: plana, segura, arborizada, com transporte público eficiente e táxis baratos. Porta de entrada para explorar o Chile, ainda tem uma boa dose de atrações, como museus de primeiro mundo, prédios históricos conservados, áreas verdes vistosas, galerias de arte e bares e restaurantes que se aproveitam do vinho abundante e da cena gastronômica crescente – sempre à sombra da majestosa Cordilheira dos Andes. Vem ver o que fazer em Santiago.

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O que fazer em Santiago, bairro a bairro

CENTRO

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Palácio de la Moneda, no centro de Santiago

O MUSEU DE LA MEMORIA Y LOS DERECHOS HUMANOS não fica exatamente no centro, mas no bairro de Yungay, a cerca de 2,5 km, mas que vale muitíssimo a pena o deslocamento (é esperto ir de táxi ou de metrô antes de começar as andanças pelo centro). Hoje um dos mais interessantes da cidade, o museu tem murais, vídeos e documentos que destrincham a ditadura militar no Chile, do golpe aos anos que se sucederam, quando mais de 3 mil pessoas foram mortas e cerca de 30 mil foram presas e torturadas, além dos milhares de exilados. O paredão com as fotos das vítimas dá arrepios.

Daí pegue outro táxi ou Uber pra cumprir os 4 km até o PALÁCIO DE LA MONEDA: o palácio neoclássico de 1805 é atualmente a sede da Presidência do país. Nas manhãs em dias alternados (cheque o calendário) acontece a troca da guarda, cuja banda tem um repertório bem pop. O subsolo abriga um centro cultural com lojinha. Continue até a PLAZA DE ARMAS , a ampla e bonita praça central que abriga a Prefeitura e a Catedral Metropolitana. Dali, faça uma visita ao MUSEU DE ARTE PRÉ-COLOMBIANA, o mais imperdível da cidade, com três andares de mostras com roupas, esculturas e cerâmicas de diversos povos nativos.

Se bater a fome, caminhe ao MERCADO CENTRAL, o mercadão da cidade, onde vendedores gritam a plenos pulmões pra te convencer a levar moluscos, crustáceos e peixes ainda agonizando. Pule os restaurantes mais turísticos da parte da frente aqueles que ficam nos fundos. Há pratos como sopa de mariscos e centolla, caranguejo gigante. Quase do lado fica o famigerado LA PIOJERA, um boteco tradicionalíssimo de 1916 onde vale dar uma passada pela experiência cultural e o drink “terremoto”, uma mistura de sorvete de abacaxi, vinho branco e fernet.

Saia dali caminhando em direção ao agradável Parque Florestal – quem ainda tiver energia para mais arte pode entrar no MUSEU DE BELLAS ARTES, que exibe esculturas e pinturas de artistas europeus e chilenos dos séculos 16 a 20. São 5 600 obras exibidas em um belíssimo edifício neoclássico de 1910. Na parte de trás está um anexo de arte contemporânea. Se não, fique só pelo parque.

LASTARRIA

O passeio pelo centro pode continuar pelo vizinho LASTARRIA. Dá para ir do Mercado Central direto para o CERRO SANTA LÚCIA, um parque de 65 mil metros quadrados que proporciona belas vistas da cidade: há um mirante a 629 metros de altura. Na Fuente Neptuno esculturas clássicas cospem água cercadas por árvores frondosas. Ninguém sai dali sem passar no EMPORIO LA ROSA, que, nos dias de calor, costuma ter filas. Considerada a melhor sorveteria da cidade, tem sabores inusitados como chirimoya, uma fruta andina que lembra a atemoia.

Continue o passeio vendo as lojas da CALLE MERCED, com cafés e butiques de roupa, e JOSÉ VICTORINO LASTARRIA, rua charmosinha de paralelepípedos com lojinhas, restaurantes e uma feirinha de antiguidades de quinta a sábado. Por ali também fica o CENTRO CULTURAL GABRIELA MISTRAL . No prédio onde já ficou uma junta militar do general Augusto Pinochet, o centro de 22 mil metros quadrados de arquitetura arrojada acolhe espaços ao ar livre, lojas e salas para exposições, peças, shows e concertos, além do ótimo café Gabriela. Legal nem que seja só para ver a arquitetura e descansar nos bancos.

O bar BOCANÁRIZ, também em Lastarria, é queridinho dos locais e turistas e fica aberto o dia inteiro. Com uma seleção de quase 400 rótulos de vinhos chilenos, é um dos únicos que serve os top por taça. Pra comer, há petiscos e pratos que você pode pedir pra virem harmonizados com a seleção etílica da noite. Outra opção noturna por ali é o bar CHIPRE LIBRE. Com paredes de tijolo, mesas de madeira e um pátio externo, o lugar tem o maior cardápio de pisco da cidade e um staff pronto pra te explicar as diferenças entre as bebidas produzidas no Chile e aquelas feitas no Peru.

BELLAVISTA E PROVIDENCIA

Um segundo dia em Santiago pode começar por BELLAVISTA, o bairro tradicionalmente cult e boêmio bem perto do centro. De manhã, visite LA CHASCONA, uma das três casas do escritor chileno Pablo Neruda, erguida em 1953 para sua terceira mulher, Matilde Urrutia, dona de abundantes cabelos avermelhados e apelidada de “La Chascona” (a descabelada). Estão expostos os antigos ambientes da casa, com móveis e objetos da época, uma pinacoteca e uma coleção de objetos africanos – o áudio guia é essencial pra tentar entrar na cabeça doida e brilhante de Neruda. Na sequência, siga a rua Pio Nono até o final e você chega ao local onde pega-se o funicular para subir ao CERRO SAN CRISTÓBAL, parque com mirante para ver a cidade do alto enquadrada pela Cordilheira dos Andes.

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Vista do Cerro San Cristóbal

A turistada adora o PATIO BELLAVISTA (não deve ter nenhum chileno ali dentro), um complexo com lojinhas, restaurantes e bares de música ao vivo. Mas há outros lugares mais interessantes para comer no bairro, como o SARITA COLONIA, com um incrível salão com decoração kitsch e menu focado em pratos peruanos“esquecidos” – experiência incrível. Outra pedida super gastronômica por ali é o PEUMAYÉN, que tem a interessante proposta de resgatar a gastronomia pré-colombiana; bom para quem gosta de se aventurar por sabores novos. Para o fim da tarde, é bacana o terraço do AZOTEA MATILDE, bar/restaurante rooftop que vem bombando no verão. O forte deles são os frozens; prove o de manga, que leva whisky e gengibre.

Providencia, bairro central onde muita gente fica hospedado, guarda o shopping o Costanera Center, onde fica o observatório SKY COSTANERA, no último andar (o 62º!) da torre mais alta da América Latina. Vá se o dia estiver claro, sem névoa ou poluição muito evidente.

VITACURA

Com avenidas arborizadas e ordeiras, VITACURA é a zona mais endinheirada da cidade, com uma vibe meio Jardim Europa paulistano. Tem algumas coisas que valem o passeio diurno por aqui: primeiro, o interessante MUSEO DE LA MODA, com uma coleção de mais de 17 000 itens de roupa desde o século 17 – vá se você se interessa pelo tema. Depois, as avenidas Nueva Costanera e Alonso de Córdoba, onde ficam galerias de arte como a ANIMAL, que dá um bom panorama da cena contemporânea chilena e tem até obras de Picasso e Miró, e lojas de móveis, decoração e design, como a SUR DISEÑO. Por último, ali também está o bonito PARQUE BICENTENÁRIO, o mais gostoso da cidade, com flamingos, laguinho, gramadão com espreguiçadeiras e o ótimo restaurante MESTIZO.

Tirando isso, Vitacura guarda os restaurantes mais gourmet da cidade, para quem está com (muitos) pesos sobrando e quer conhecer os chefs badalados do momento. Um deles é o PANCHITA, tocado pela peruana Martha Palacio, chef-executiva do famoso Gastón Acurio, que serve boas carnes e pratos de influência criolla. Outro é o top o BORAGÓ, o D.O.M. de Santiago. O menu-degustação acompanhado de vinho ou sucos faz uma verdadeira imersão nos ingredientes do país. O chef, Rodolfo Guzmán, vai à mesa fazer comentários como “colhemos essa folha aí numa praia à 200 km daqui hoje de manhã” e “acompanhamos o crescimento dessa ternera (vitela)”.

Para quem quer enveredar pelo mundo dos vinhos, o VINOLIA tem uma proposta diferentona: em uma sala de degustações especial, conta com um telão que mostra filmes sobre as diferentes regiões produtoras do país enquanto você prova cinco vinhos acompanhados por uma tábua de queijos – escolha entre os vales de Maipo, de Colchagua ou de Casablanca. No fim do tour você pode circular pelo empório, com acessórios, livros e comidinhas gourmet, ou seguir bebendo no bar.

BAIRRO ITÁLIA

Se você curte turismo por bairros descolados e tem tempo sobrando, vale reservar um fim de tarde/noite para passear por aqui, onde antigos galpões estão sendo transformados em ateliês de design, lojas charmosas, cafés e restaurantes.

O epicentro do conjunto é a Avenida Italia e a Plaza Italia, mas vale fuçar nas transversais – atente para o fato de que a região tem sido epicentro de manifestações em 2019/2020. Imperdíveis são a ESTACIÓN ITALIA, uma galeria que congrega várias pequenas lojinhas de designers locais, de livros infantis a mochilas, de louças a almofadas, de brincos a quadros ilustrados. Há também a CASA ORIGINÁRIA, sinalizada por um triângulo amarelo pintado na porta, com artesanatos, roupas, bolsas e produtos têxteis. O café mais fotogênico do bairro é o CAFÉ DE LA CANDELARIA, com um pátio externo adorável com piso xadrez e plantinhas por toda parte – peça um café e um cheesecake de maracujá. Para comer, vegetarianos podem se esbaldar no VEGAN BUNKER, que tem “menus do dia” com preços modestos (aberto só até às 20h). Mais sofisticado, o CASALUZ encanta com sua área externa com varal de luzinhas e lanternas coloridas e menu com boas preparações de peixes e frutos do mar locais. Para beber, o RUCA BAR adotou a moda global do gin, com pelo menos dez drinques diferentes levando a bebida acompanhados por uma seleção de tapas.

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Restaurante Casaluz

BATE-VOLTAS E EXTENSÕES CURTAS PARA SANTIAGO

VINÍCOLAS – Tem mais de 300 perto de Santiago. Para ver uma em meio-dia de passeio sem ir muito longe, tem as mais comerciais Concha y Toro, Undurraga  e Cousiño Macul  – faça reserva no site. A também gigante Viña Santa Rita dá um toque a mais à visita com lindos jardins e um museo de arte pré-colombiana. Para uma vinícola-boutique, a Odfjell Vineyards produz vinhos premium orgânicos e biodinâmicos e oferece passeios com os cavalos noruegueses da família Odfjell. Um pouco mais longe, a vinícola Casas del Bosque também tem restaurante charmoso. Se tiver um dia sobrando, vale dormir pela região do Vale de Colchagua, a 2h30 de Santiago – veja o post completo da região aqui.

NEVE E ESQUI – Das estações de ski próximas à Santiago, que funcionam à todo vapor no inverno, o Valle Nevado é a mais fácil, barata e prática para quem quer ver neve e arriscar os primeiros passos no esqui  – dá para conjugar a visita com o vizinho Farellones, que tem atividades como tubing e tirolesa. Outra possibilidade é ir até Portillo, mas são 3 horas de Santiago. O caminho até o alto da Cordilheira dos Andes, onde está a estação, porém, é belíssimo.

VALPARAÍSO – Valpo, como é chamada, vale para passar o dia mas é melhor se você ficar hospedado uma noite. À beira do Pacífico, a cidade tem suas ladeiras repletas de murais de arte urbana, cafés e lojas bacanas, além de outra casa-museu de Neruda, a La Sebastiana. Ficando uma noite dá para ir até a vizinha Viña del Mar para almoçar frutos do mar fresquíssimos.

CAJON DEL MAIPO – Essa região super fotogênica banhada pelo Rio Maipo, entre vales, cânions e montanhas da Cordilheira dos Andes, é destino de passeios oferecidos pelas agências de Santiago. Veja cavalos selvagens soltos na paisagem, visite a piscininhas termais de Baños Colinas e admire o azul da represa do Embalse el Yeso,

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