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O que fazer em Santiago: roteiro bairro a bairro na capital chilena

A capital do Chile é, no mínimo, conveniente aos turistas: plana, segura, arborizada, com transporte público eficiente e táxis baratos.

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Recentes toques de modernidade renovaram seus espaços públicos, que contam com museus de primeiro mundo, prédios históricos conservados, áreas verdes vistosas, galerias de arte, lojinhas interessantes, bares e restaurantes que se aproveitam do vinho abundante e da cena gastronômica crescente – sempre à sombra da majestosa Cordilheira dos Andes.

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Roteiro de 3 dias: o que fazer em Santiago, a capital moderna do Chile

O QUE FAZER EM SANTIAGO, BAIRRO A BAIRRO:

O QUE FAZER EM SANTIAGO: CENTRO HISTÓRICO + MUSEU DE LA MEMÓRIA

No Centro ficam grande parte das atrações turísticas. Comece pelo Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, um pouco afastado do resto (vá de táxi), mas que vale muitíssimo a pena o deslocamento. Aberto em 2010 e hoje um dos mais interessantes da cidade, tem murais, vídeos e documentos que destrincham a ditatura militar no Chile, do golpe aos anos que se sucederam, quando mais de 3 mil pessoas foram mortas e cerca de 30 mil foram presas e torturadas, além dos milhares de exilados. O paredão com as fotos das vítimas dá arrepios.

Daí pegue outro táxi pra cumprir os 4 km até o Palácio de la Moneda: o palácio neoclássico de 1805 é atualmente a sede da Presidência do país. Nas manhãs em dias alternados (cheque o calendário) acontece a troca da guarda, cuja banda tem um repertório bem pop. O subsolo abriga um centro cultural com lojinha. Continue até a Plaza de Armas , a ampla e bonita praça central, que abriga a Prefeitura e a Catedral Metropolitana. Se já bater a fome, caminhe ao Mercado Central, o mercadão da cidade, onde vendedores gritam a plenos pulmões pra te convencer a levar moluscos, crustáceos e peixes ainda agonizando. Pule os restaurantes mais turísticos da parte da frente aqueles que ficam nos fundos. Há pratos como sopa de mariscos e centolla, caranguejo gigante.

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Detalhes arquitetônicos da capital e o Mercado Central, entre o que fazer em Santiago

A digestão pode ser no Museo Nacional de Bellas Artes. Em meio ao agradável Parque Florestal, exibe esculturas e pinturas de artistas europeus e chilenos, dos séculos 16 a 20. São 5 600 obras exibidas em um belíssimo edifício neoclássico de 1910. Na parte de trás está um anexo de arte contemporânea.

O QUE FAZER EM SANTIAGO: LASTARRIA

Daí, continue o passeio por Lastarria, meu bairro preferido de Santiago, contíguo ao Centro. O coração dele é o Cerro Santa Lúcia, um parque de 65 mil metros quadrados que proporciona belas vistas da cidade: há um mirante a 629 metros de altura. Na Fuente Neptuno esculturas clássicas cospem água cercadas por árvores frondosas, local ótimo para sentar e recarregar as energias. Ninguém sai dali sem passar no Emporio la Rosa, que, nos dias de calor, costuma ter filas. Considerada a melhor sorveteria da cidade, tem sabores inusitados como chirimoya, uma fruta andina que lembra atemoia.

Continue o passeio vendo as lojas das ruas Merced, com cafés e butiques de roupa, e José Victorino Lastarria, rua charmosinha de paralelepípedos com lojinhas, restaurantes, feiras de livros e arte e o bom Museo de Artes Visuales.

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Café do Museo de Artes Visuales

Em seguida, vá ao Centro Cultural Gabriela Mistral. No prédio onde já ficou uma junta militar do general Augusto Pinochet, o centro de 22 mil metros quadrados de arquitetura arrojada acolhe espaços ao ar livre, lojas e salas para exposições, peças, shows e concertos, além do ótimo café Gabriela. Legal nem que seja só pra conhecer e descansar nos bancos.

O bar Bocanáriz, também em Lastarria, é queridinho dos locais e fica aberto o dia inteiro. Com uma seleção de quase 400 rótulos de vinhos chilenos, é um dos únicos que serve os top por taça. Pra comer há petiscos e pratos que você pode pedir pra virem harmonizados com a seleção etílica da noite. Outra opção noturna por ali é o bar Chipe Libre – República Independiente del Pisco. Com paredes de tijolo, mesas de madeira e um pátio externo, o lugar tem o maior cardápio de pisco da cidade e um staff pronto pra te explicar as diferenças entre as bebidas produzidas no Chile e aquelas feitas no Peru.

O QUE FAZER EM SANTIAGO: BELLAVISTA

Bellavista é o bairro tradicionalmente cult e boêmio bem perto do centro. A turistada adora o Patio Bellavista (não deve ter nenhum chileno ali dentro), um complexo com lojinhas, restaurantes e bares de música ao vivo. Ali também está La Chascona (seg/dom 10h/19h), uma das três casas do escritor chileno Pablo Neruda, erguida em 1953 para sua terceira mulher, Matilde Urrutia, dona de abundantes cabelos avermelhados e apelidada de “La Chascona” (a descabelada). Estão expostos os antigos ambientes da casa, com móveis e objetos da época, uma pinacoteca e uma coleção de objetos africanos – o áudio guia é essencial pra tentar entrar na cabeça doida e brilhante de Neruda.

Seguindo a rua Pio Nono até o final você chega ao local onde pega-se o funicular para subir ao Cerro San Cristóbal, parque mais afastado com mirante para ver a cidade enquadrada pela Cordilheira dos Andes. Em tempo: pode ser perigoso ir sozinho com câmeras profissionais. O pessoal descolado gosta de tomar cervejas artesanais da Patagônia no The Clinic, gerido pela revista satírica chilena homônima e decorado com cartoons políticos. Outra nova adição à região é o Sarita Colonia, aberto no fim de 2014 por Gino Falcone, um famoso designer de interiores chileno. O bar gay-friendly é decorado com artefatos religiosos kitsch e serve comida “fusão asiática-peruana”. Mas também tem botecos mil pra quem só quer sentar na calçado e tomar uma cerveja. Uma sugestão legal de lugar ainda pouco conhecido pra visitar pela área é o Azotea Matilde, novo bar/restaurante rooftop que vem bombando no verão. O forte deles são os frozens; prove o de manga, que leva whisky e gengibre.

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O que fazer em Santiago: visitar o descolado Azota Matilde

O QUE FAZER EM SANTIAGO: PROVIDÊNCIA E VITACURA

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O bairro de Vitacura é a zona mais endinheirada da cidade. É uma versão do Jardins de São Paulo mais cultural. O mais interessante fica nas avenidas Nueva Costanera e Alonso de Córdoba, onde há uma galeria de arte atrás da outra – se for pra escolher só uma, vá na Animal, que dá um bom panorama da cena contemporânea chilena e tem até obras de Picasso e Miró. Espie as lojas de móveis, decoração e design, como a Sur Diseño, mesmo que não queira comprar nada. O Parque Bicentenário, também ali, é o mais gostoso da cidade, com flamingos, laguinho, gramadão com espreguiçadeiras e o restaurante Mestizo.

A redor da Avenida Providencia há lojas e o melhor shopping da cidade, o Costanera Center, que em setembro inaugurou o Sky Costanera, um mirante no último andar ( o 62º!) da torre mais alta da América Latina. Santigo não é uma cidade especialmente bonita, mas do alto dos 300 metros você enxerga seu maior cartão-postal: a Cordilheira dos Andes, que envolve a cidade.

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Padrão alto em Providencia

Quem quer provar o que tem sido feito na culinária chilena nos últimos anos pode seguir ao 99 Restaurante, do jovem Kurt Schmidt, que já trabalhou no famigerado Noma, de Copenhague. O lugar é bastante despretensioso, apesar da comida sofisticada (uma tendência global, by the way), com um balcão que deixa ver parte os pratos serem preparados (no almoço há menu fixo de entrada, prato principal e sobremesa e no jantar, menu-degustação). Os ingredientes são frescos, orgânicos, produzidos no país, sazonais – os preferidos do chef são os cogumelos.

Quem ainda tiver (muitos) pesos no bolso pode ocupar uma mesa do Boragó, o D.O.M. de Santiago. O menu-degustação acompanhado de vinho ou sucos faz uma verdadeira imersão nos ingredientes do país. O chef, Rodolfo Guzmán, vai à mesa fazer comentários como “colhemos essa folha aí numa praia à 200 km daqui hoje de manhã” e “acompanhamos o crescimento dessa ternera (vitela)”. O jantar sai cerca de US$ 90 e eu garanto que a experiência é incrível.

O QUE FAZER EM SANTIAGO: BAIRRO ITÁLIA

Pouca gente o visita o Bairro Itália, região ao sul de Providencia que está gentrificando (entenda o que é gentrificação neste post). Os antigos galpões estão sendo transformados em ateliês de design, lojas charmosas, cafés e restaurantes. O epicentro do conjunto é a Avenida Itália, mas vale fuçar nas transversais. O La Tranquera (seg/sab 10h/19h, dom 10h/15h), na contramão do resto, está lá desde 1960 e é “o” lugar para para tomar o desayuno ou o once (chileno para chá das 5). Da cozinha vêm o bolo tres leches, sanduíches e saladas. Pare também no Xoco por Ti (ter/dom 12h/, 20h) um café de um suíço onde eles se autodenominam “baristas de chocolate”. Com cacau proveniente exclusivamente da América do Sul (a origem é descrita numa lousa), prepara frapuccinos e sorvetes. Pra ver lojas, não perca o Espacio Oops, uma galeria de 120 m² com lojas, café e galeria de arte. Há também a One More Toy, com câmeras Polaroid e brinquedos de coleções antigas, e a Anticuarios calle Caupolicán, parte de uma quadra inteira tomada por pequenas oficinas de restauro de móveis(Caupolicán, entre a Avenida Itália e a Girardi).

HOTÉIS EM SANTIAGO: ONDE FICAR EM SANTIAGO

H Rado Hostel (RESERVE AQUI!, diárias a partir de US$ 56) : Hostel-boutique funcional e bem decorado com referências pop em Bellavista.

CLH Suites Santiago (RESERVE AQUI!, diárias a partir de US$ 55): Misto de hotel e hostel, tem instalações bem clean e novas no Centro de Santiago.

Luciano K (RESERVE AQUI!, diárias a partir de US$ 169): Num edifício de Lastarria originalmente desenvolvido pelo arquiteto Luciano Kulczewski na década de 1920, o hotel-butique recém-aberto mistura design contemporâneo com o estilo art déco da época. A melhor parte é o terraço de 300 m² com bar, piscina e vistão para o Parque Florestal.

ONDE FICAR EM SANTIAGO: VEJA NOSSO POST COMPLETO AQUI!

MELHOR ÉPOCA PRA IR A SANTIAGO

De setembro a abril, quando na maior parte do tempo o clima é quente e seco e há mais o que fazer em Santiago. De maio a agosto faz friozinho, há grandes chances de chover e uma neblina espessa cobre os Andes.


  1. JAN
    11°/30°

  2. FEV
    11°/29°

  3. MAR
    9°/27°

  4. ABR
    7°/23°

  5. MAI
    5°/18°

  6. JUN
    3°/15°

  7. JUL
    3°/15°

  8. AGO
    4°/16°

  9. SET
    5°/18°

  10. OUT
    9°/22°

  11. NOV
    9°/25°

  12. DEZ
    11°/28°

Há 19 comentários para “O que fazer em Santiago: roteiro bairro a bairro na capital chilena

  1. Adorei as dicas! Pretendo ir semana que vêm. Mas pretendo ficar dois dias. Viu ficar num gostei no centro. O que mais me interessou foi o mirante inaugurado pelo shopping! Deve ser sensacional a visão. Quero muito ir! Alguém sabe a média de valor de taxi do aeroporto até o centro? Ou a melhor e mais barata forma de metrô?

    1. Oi Paulo! O táxi sai cerca de US$ 20. Pra pagar menos (tipo US$ 2), dá pra pegar os ônibus das empresas Tur-Bus e a Centropuerto, que partem da saída 5 e levam até estações de metrô.

  2. Que legal esse roteiro, Betina! Sem correria, perfeito pra quem, como eu, gosta de “flanar”. Estarei lá em abril e já me vejo apaixonada pelo Bairro Itália.

  3. Oi Betina.
    Vou agora em maio e queria saber sobre o transfer do aeroporto. Vale mais a pena pre agendar ou pegar um táxi na hora?

    Obrigada!!

    Bjs

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