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Chile: roteiro pelas vinícolas do Vale do Colchagua, a 150 km de Santiago

O Vale do Colchagua, a 150 km de Santiago, tem a melhor rota do vinho pra se conhecer no Chile. As vinícolas são superbem estruturadas pra receber visitantes, a paisagem coberta de vinhedos e pontuada por montanhas é linda, os hotéis são românticos. E, de quebra, você pode levar garrafas por menos da metade do que pagaria no Brasil (e encontrar rótulos exclusivos).

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No centro do Chile, o Vale do Colchagua produz renomados vinhos tintos cabernet sauvignon, carménère, syrah e malbec. O clima temperado mediterrâneo é protegido pelas cordilheiras da Costa e dos Andes, e é no geral quente e seco, abrandado apenas pela brisa do Pacífico e as águas do Rio Tinguiririca. Os vinhedos se concentram no interior do vale, mas alguns escalam as montanhas, deixando a paisagem mais cênica.

Santa Cruz, com 30 mil habitantes, é uma comuna da província de Colchagua cujos arredores abrigam a maior parte dos hotéis da região. Não é uma cidade propriamente charmosa, mas vale uma passada pra conhecer o Museu Colchagua, possivelmente o mais doido que eu já fui na vida. Trata-se da maior coleção privada chilena, com 5 mil peças dispostas em dezenas de galerias meio envelhecidas que exibem desde arte pré-colombiana até carruagens do século 19, maquinaria antiga usada na produção de vinho e uma exposição sobre os 33 mineiros que ficaram soterrados em 2010. Também é uma boa visitar a loja de vinhos Vinonauta, onde o proprietário Iván Esteban congrega rótulos especiais e é craque em dar dicas pra você levar algumas garrafas pra casa. Há uma ou outra lojinha interessante de artesanato na cidade.

Vale do Colchagua: bate-volta de Santiago ou não?

O ideal é dormir uma noite na região, porque quase duas horas e meia pra chegar é uma distância considerável. Mesmo assim, várias agências de Santiago vendem tours diários por ali. Um jeito simpático de fazer o bate-volta é o com o Trem Sabores del Valle, que funciona um sábado por mês. Ele sai da estação de Santiago, tem degustações de vinho e música ao vivo a bordo, faz paradas numa vinícola e no Museu Colchagua e volta a Santiago de noite (por desde R$ 250, meio carinho).

Como ir ao Vale do Colchagua?

ônibus de Santiago a Santa Cruz diariamente saindo do Terminal Sur (Alameda e Nicasio Retamales, 150 metros a oeste do Terminal Rodoviário Alameda) com bilhetes entre R$ 12 e R$ 25 com as empresas JetSur, Nilahue e Expreso Santa Cruz. Chegando no terminal de Santa Cruz você pode pegar um táxi para o seu hotel. Ficando sem carro você vai ter que fechar tours com transporte pra ir até as vinícolas, o que possivelmente vai encarecer o passeio mas te deixa beber sem preocupação. Outra ideia é alugar um carro, mas aí tem aquele velho problema de provar um monte de vinhos e ter que dirigir depois.

Quando ir ao Vale do Colchagua?

Sempre. Mas se não curtir frio extremo e quiser pegar o cenário mais bonito, evite o inverno, de junho a setembro, quando os vinhedos estão “mortos”.

Vinícolas pra visitar no Vale do Colchagua, no Chile:

Viu Manent

Uma propriedade linda que não me admira seja popular pra receber festas e casamentos. A sede principal, com paredes de adobe, é enfeitada com vasos floridos, trepadeiras e antigas luminárias e equipamentos de ferro que remetem aos primórdios da vinícola, fundada em 1935 pelo patriarca catalão Miguel Viu García. O tour começa numa sala com fotos da família que contam a evolução da propriedade, que foi de um pequeno comércio criado para engarrafar e vender vinhos de terceiros a uma vinícola de 260 hectares. Depois, uma charrete (não gosto de transportes com animais, mas enfim) leva pelos vinhedos até a adega e o centro de produção, destrinchando o processo de colheita, prensagem, fermentação, amadurecimento, etc.

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No fim, volta-se a sede para provar alguns rótulos numa sala moderna com murais feitos com fundos de garrafas. Ali também estão uma lojinha de artesanatos e uma boutique de vinhos. Lá fora, há um centro equestre onde chilenos abonados andam a cavalo e o ótimo restaurante Rayuela Wine & Grill, com paredes envidraçadas que dão para os vinhedos e mesas externas sob um pergolado de madeira. Essencial combinar o tour com almoço ali (pratos principais – carne ou peixe + acompanhamento – custam em média R$ 53).

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Viña Montes

Nascida em 1988, foi a precursora dos vinhos de alta qualidade no Chile com seu premiado Montes Alpha M. Você começa o passeio subindo num caminhão aberto que leva entre estradinhas pelos vinhedos parando em mirantes e depois entra na bela vinícola de arquitetura contemporânea, construída seguindo os princípios do feng chui, com várias imagens de anjos e fontes de água. Lá dentro você vê as pressurizadoras e visita a adega, onde os vinhos descansam ao som de canto gregoriano (sim, isso mesmo). O ápice da visita é a sala de degustação, no topo do conjunto, onde você prova os vinhos mirando os parreirais e, claro, a visita à loja. Lá fora também há dois espelhos d´água que introduzem o Bistrô Alfredo, onde pode-se reservar um almoço. O tour básico sai R$ 68 com degustação de 4 vinhos. O tour + degustação + almoço completo sai R$ 170. No primeiro semestre de 2017 devem inaugurar um restaurante do famigerado chef argentino Francis Mallmann – fique de olho.

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Viña Santa Cruz

Os vinhos não são “premium” como na Viña Montes, mas a estrutura de visitação é bem completa. A começar por um pequeno museu do automóvel, com uma coleção de carros antigos, legal pra que curte esse tipo de coisa. Depois, pelo Cerro Chamán, uma montanha onde você chega com um pequeno teleférico/bondinho. Lá em cima tem uma espécie de museu com representações de moradias de três etnias do Chile (mapuche, rapa nui e aymar), umas lhamas perdidas e um terraço com a melhor vista do vale que pode-se ter na região. As degustações são feitas no bonito casarão principal – veja as opções de tour no site.

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Outras vinícolas interessantes

Lapostolle, parecida com a Viña Montes, com uma adega de arquitetura modernosa, e a Mont Gras, que organiza cavalgadas, piqueniques e trilhas de bike.

A vindima:

Entre fevereiro e maio as vinícolas oferecem experiências especiais nas quais você pode colher as uvas e fazer aquele ritual simbólico de esmagá-las com os pés. Além disso, em março acontece em Santa Cruz a  Fiesta de la Vendimia, quando várias produtoras oferecem vinhos e comidinhas na praça principal da cidade.

Onde comer no Vale do Colchagua:

O melhor negócio é comer nos restaurantes das vinícolas, pra complementar sua experiência. Pra jantar, há alguns bons restaurantes nos arredores de Santa Cruz, como o Etiqueta Negra (um dos únicos que abre aos domingos), o Vino Bello, com um gostoso terraço ao ar livre, e a Casa Colchagua , com pratos chilenos com carne e peixe também servidos sob um pergolado com vista para os vinhedos.

Onde ficar no Vale do Colchagua:

Ficar num hotel bacaninha aqui complementa bastante a experiência. Se não rolar, tem três opções baratinhas e simples para passar a noite: o Hostal Vida 2000 (diárias desde US$ 47), o Hostal del Mimbre (diárias desde US$ 26) e o Casa Roble Añejo Bed & Breakfast (diárias desde US$ 43).

Hotel Santa Cruz Plaza (diárias desde US$ 200, RESERVE AQUI!)

Na praça principal de Santa Cruz, o hotel de paredes amarelo-mostarda tem uma área externa linda com jardins, piscina e spa, e é conectado diretamente com o Museu Colchagua e um cassino. A estrutura, no geral, pede uma reforma – o mobiliário já passou do limite do “vintage” e parece meio datado. Quartos contam com varanda e são confortáveis, mas também tem décor antiguinha. A qualidade da comida do restaurante oscila um pouco.

Cava Conchágua Boutique Hotel (diárias desde US$ 167, RESERVE AQUI!)

A propriedade, na mesma família há mais de 100 anos, tem uma adega recheada com os melhores vinhos da região, restaurante e piscina. Os 13 quartos ficam dentro de antigos barris de vinho (!), superoriginais.

Terraviña (desde US$ 160, RESERVE AQUI!)

O diferencial aqui é a localização entre os vinhedos, onde um casarão rústico e charmoso acolhe com quartos confortáveis, café farto e atendimento atencioso. Fica a apenas 1,5 km de Santa Cruz, mas longe o bastante pra acordar ao som dos pássaros.

Noi Blend Santa Cruz (diária desde US$ 170, RESERVE AQUI!)

Dessa boa rede chilena, o hotel tem muitos detalhes charmosos como um balanço de palha no jardim, uma área coberta com lareira e espreguiçadeiras, um espelho d´água com pontezinhas e quartos clean com detalhes floridos fofos, além de piscina e restaurante. Fica a 6,5 km de Santa Cruz.

Barrica Lodge (diárias desde US$ 300, RESERVE AQUI!)

Amo o design singular desse hotel a 15 km de Santa Cruz, um lodge eco-friendly todo construído com madeira. Passarelas que foram colocadas por cima de um jardim e um laguinho levam à piscina e aos quartos, cada um com um varada com rede.

La Perla Hotel (diárias desde US$ 129, RESERVE AQUI!)

Colado em Santa Cruz, um lugar novinho e gracinha com quartos clean num casarão bonito, rodeado por um amplo jardim e uma piscina. As varandas das acomodações têm vista bonita para as montanhas. O café, incluso na diária, é servido com produtos frescos da região.

*O Carpe Mundi foi ao Vale do Colchagua a convite do Turismo do Chile. O conteúdo deste post reflete apenas a opinião da autora.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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