Aprender uma nova língua pode te abrir infinitas possibilidades: promoção de trabalho, cursos fora do país, certificados internacionais e, é claro, novas chances de viajar.

Quando conhecemos o idioma do país que visitamos, conseguimos aproveitar bem melhor a viagem e entender mais sobre a cultura do local. Em suma, nos tornamos viajantes melhores. Pensando nisso, preparamos um guia completo de como estudar um novo idioma sozinho, para que você possa aperfeiçoar seus conhecimentos em línguas para a próxima viagem.

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Entender o propósito por trás do aprendizado

O primeiro passo para começar a estudar um novo idioma é entender o propósito desse novo conhecimento, porque isso irá guiar todo o aprendizado. Você está aprendendo por motivos de trabalho? Para poder viajar? Passar em uma prova? Ou por pura curiosidade? Para cada um desses objetivos, a carga horária de estudo e até mesmo o material usado são diferentes. Afinal, alguém que quer passar em um exame de certificação internacional tem que ser bem mais assíduo e dedicado do que alguém que está aprendendo por lazer. 

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Definir a carga horária de estudo

Já com o propósito definido, é hora de pensar em termos práticos. Analisando seu cotidiano e afazeres, quanto tempo disponível você tem por semana para se dedicar exclusivamente a estudar uma nova língua? É importante ser bem realista nesse momento para não se frustrar e ter uma sensação de realização. Não há uma fórmula exata, mas você pode se basear nas seguintes medidas:

Para estudar um novo idioma por lazer, seria interessante dedicar 2 horas de estudo por semana. Isso significa 20 minutinhos por dia de segunda a sábado. Pensando em termos de viagens, suba a carga horária para 30 minutos ao dia. Para o trabalho, recomendamos 40 minutos ou mais. Já no caso do estudo direcionado para uma prova de certificação internacional, o ideal é que você estude no mínimo uma hora por dia. 

Pode parecer pouco, principalmente se você quer evoluir rápido. Mas lembre-se: devagar e sempre. Você pode ficar super motivado um dia e estudar 3 horas seguidas e depois ficar tão cansado que passa dias sem nem mencionar o idioma. Por isso, é melhor prezar por uma evolução pequena, mas constante

Escolher um método de aprendizado adequado

Nós temos processos de aprendizados diferentes e cada um se adequa com diferentes metodologias. É importante entender como você aprende melhor. Mas, não se preocupe se você ainda não sabe o melhor método. Dá pra testar vários, afinal, não é de uma hora para outra que conseguimos definir isso. 

Um método bem comum para quem quer estudar uma língua sozinho é investindo em cursos online. Fizemos uma seleção dos 3 melhores aqui.

O Babbel tem divisão por áreas temáticas: viagens, cultura, negócios. São 14 idiomas no total e é uma opção menos abrangente, porém satisfatória. Já o Cambly aposta em outra forma de ensino: ele conecta professores e alunos no esquema on demand. Está disponível para quem quer aprender inglês. Por último, o famoso Duolingo funciona quase como um joguinho, é bem interativo e lúdico. Ideal para aprender frases-chave e vocabulário básico em mais de 30 idiomas.

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Ainda dentro do universo do ensino à distância, você pode assistir a videoaulas, baixar outros tantos apps de línguas e usar plataformas que valorizam a conversação. 

Tudo depende do seu propósito. Se estiver estudando para uma certificação internacional, uma boa opção é fazer simulados das edições anteriores das provas, para se acostumar com o estilo. Já se seu objetivo é conseguir o básico para viajar, um app com módulos específicos para viagem pode ser o ideal.

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Montar um cronograma de estudos 

Quando você está em uma escola de idiomas ou fazendo aulas particulares com um professor particular, há um cronograma definido, incluindo o conteúdo de cada aula e a periodicidade das provas. Estudando sozinho, você não terá nada disso de bandeja e vai ser preciso ainda mais disciplina

Para montar seu próprio cronograma de estudos, você pode se basear no seu material de estudo: um livro de idiomas convencional, um curso online com vários módulos ou até mesmo os tópicos principais de uma prova. O ideal é que você evolua aos poucos, de forma consistente e coerente. Ou seja, não queira pular do módulo de saudações para o de literatura em uma semana, principalmente se você estiver estudando desde o básico do idioma, no módulo iniciante. 

Lembre-se de fazer revisões e de estabelecer checkpoints para avaliar seu progresso. Em uma escola de idiomas ou com um professor particular, você provavelmente teria avaliações bimestrais para testar seu aprendizado.

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Para quem está aprendendo uma língua com propósito de viajar, leve em consideração quanto tempo você tem até sua viagem. Já se o seu objetivo é o trabalho, mapeie os principais temas que envolvem sua profissão e estude a partir deles. Guias de idiomas também podem ser úteis pra levar na mala de mão e ter com você na viagem.

+ GUIAS DE IDIOMAS PRA LEVAR NA VIAGEM

Lonely Planet

Um dos mais célebres guias de viagem que existe, é um pacote completo de informações sobre os destinos. É ótimo para quem quer exercitar o inglês.

Moon

Tem opções mais focadas em determinados passeios: trilha, camping, road trip. Além de roteiros menos clássicos de cidades super turísticas.

Wallpaper

Compacto e minimalista, com capas caracteristicamente coloridas, o Wallpaper é o típico guia cool, com seleção a dedo de restaurantes e museus.

Intercalar as diferentes competências exigidas

Os principais eixos para aprendizado de um novo idioma se baseiam em: leitura e interpretação de texto, gramática, escuta, redação e conversação. Essas são as competências cobradas em provas e exigidas para avançar na fluência de qualquer idioma. Por isso, é importante que você exercite todas essas capacidades. 

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Se estiver em um nível avançado, busque ler os principais jornais do idioma. Por exemplo, o Le Monde em francês e o DW em alemão. Para leituras mais simples, busque livros infantojuvenis ou livros que você já leu em português – será mais fácil engatar na leitura se você já conhece a história. É lendo que você conseguirá expandir seu vocabulário.

GRAMÁTICA

Compre um livro específico de idiomas ou baixe exercícios na internet. Alguns cursos online já oferecem listas de exercícios prontas. Certifique-se que você terá o gabarito depois. Como você está aprendendo sozinho, não terá ninguém para corrigir seus exercícios, portanto ter as respostas certas para poder comparar é essencial.

ESCUTA

Escute emissoras de rádio como por exemplo a BBC (inglês) e a RFI (francês). Outro recurso interessante são os podcasts. No Spotify, há vários que são focados em pessoas que estão aprendendo a língua, com falas mais pausadas e sem coloquialismo na linguagem. Assistir a filmes e a séries com a legenda no idioma de aprendizado também pode te ajudar a ouvir as palavras na outra língua e assimilar mais rápido sua escrita. Se estiver buscando filmes e documentários que te inspirem, também, a viajar mais, leia este post.

Música pode ser uma boa opção, mas também pode te deixar frustrado. É bom lembrar que os compositores escrevem pensando no ritmo e na melhor combinação para harmonizar com a melodia, por isso algumas palavras e construções gramaticais podem ser diferentes, te deixando confuso e dando a impressão de que você não sabe nada do idioma. Recomendamos a música para entrar em contato com a língua, mas não é o melhor recurso se você quer entender como os nativos falam no dia a dia. 

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REDAÇÃO

Só há um jeito de exercitar essa competência: escrevendo. Para quem está aprendendo inglês, é interessante usar o Grammarly, um assistente de escrita que corrige seus textos de forma inteligente, indo além da simples correção gramatical e considerando também a semântica. 

Se estiver em dúvida sobre qual a melhor palavra ou expressão a ser usada, use o Reverso Context. É um tradutor inteligente com centenas de idiomas disponíveis, que considera a estrutura das frases e seu contexto. Ele oferece uma gama maior de traduções do que o Google Tradutor.  

Como praticar a conversação em um novo idioma?

Esse pode ser o maior desafio quando você se propõe a aprender uma nova língua sozinho. Afinal, falar com o espelho está longe de ser o ideal para praticar a conversação. Nesse momento, é hora de abandonar a jornada de estudante solitário e buscar ajuda de um amigo que já domina o idioma

Uma prática interessante é conversar com uma amiga sobre o seu dia. É mais natural e exige que você domine o vocabulário e a gramática do cotidiano. Caso você não tenha um amigo que domine o idioma, faça uso da internet para te ajudar. A plataforma HelloTalk é gratuita e permite que você converse com nativos, de graça. Há mais de 150 idiomas disponíveis. Se estiver disposto a investir mais, marque uma aula exclusiva de conversação com um professor particular. 

Consumir conteúdo no idioma

Essa é a principal dica que você vê quando procura sobre como estudar um novo idioma sozinho. Sim, envolve escutar música, ver filmes e séries na língua estrangeira. Mas não apenas isso. 

Se você está aprendendo outro idioma, é importante que você passe a incorporá-lo na sua rotina, não apenas no momento de estudo. Por isso, muitas vezes, o inglês parece um idioma mais fácil de ser aprendido porque estamos a todo momento em contato com ele. Grande parte dos nossos produtos culturais do dia a dia são em inglês. É só pensar no catálogo da Netflix, por exemplo. 

Uma boa prática é tentar acompanhar um famoso, um influencer ou um criador de conteúdo estrangeiro nas redes sociais. A identificação com um certo conteúdo te motivará a procurar mais. Exemplo: você pode começar a seguir uma maquiadora no Instagram e depois começar a ver os vídeos dela no Youtube, aumentando seu contato com o idioma (e a cultura gringa). Se você gostar de ler, procure livros na língua estrangeira. Mas cuidado: alguns livros têm nível muito avançado e podem te desmotivar. Comece por gêneros mais leves, como os jovem-adulto.

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Quanto mais você incorporar um idioma ao seu cotidiano, mais fácil será de assimilá-lo. Então, aproveite a grande oferta de conteúdos na internet. 

Maria Eduarda Nogueira

Comunicadora por paixão, vive em busca de conteúdos digitais autênticos. Viagens são sua forma preferida de consumir cultura. Fã de espaços urbanos, tem em cafés e livrarias mundo afora seus lugares preferidos, sempre com um chocolate quente em mãos.

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