Entre dezembro de 2015 e março de 2016, eu viajei sozinha no Sudeste Asiático, mais precisamente pela Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã.

Viajar sozinha não é um segredo pra mim, eu já faço isso a trabalho há uns 6 anos. Mas a ideia de ir tão longe a países sobre os quais a gente tem pouca informação obviamente me deixou receosa a princípio. Dei um Google umas duas vezes em “é seguro mulher viajar sozinha no Sudeste Asiático” antes de decidir partir. E agora, depois de voltar (absolutamente maravilhada), posso eu mesma dar o veredicto: é um dos melhores lugares do mundo pra viajar sozinha (o). Veja por que viajar sozinha no Sudeste Asiático.

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POR QUE VIAJAR SOZINHA NO SUDESTE ASIÁTICO:

PORQUE É SEGURO

Logo saquei que, apesar de ainda pouco visitado por brasileiros, o Sudeste Asiático é um destino manjado pra mochileiros norte-americanos e europeus por ser barato, e veja você, seguro. O índice de criminalidade é baixíssimo nestes países e, tirando alguns eventos recentes com manifestações violentas na Tailândia, não há grandes conflitos internos. O único perigo é cair em golpes, mas eles são evitáveis com alguma esperteza. O turismo rende muita grana por lá, então os locais sabem falar o inglês necessário pra te vender coisas e serviços e te hospedar. Ah, e não há assédio nas ruas: a população é conservadora e recatada (em partes por ser muito religiosa), além de zen e amigável. Não me senti insegura em nenhum momento, nem andando de noite na rua em Bangkok. É mais seguro do que viajar em muitos locais da América do Sul.

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PORQUE É FÁCIL

O transporte é bem-estruturado: há uma enorme malha de ônibus e aviões que fazem os deslocamentos internos e dá pra reservar tudo com um dia de antecedência, sem que os preços variem muito. Onde não se fala inglês, você se vira com mímica – todo mundo é bem receptivo. Há hostels, guests houses (tipo pousadas) e hotéis de todos os tipos e preços – que quase nunca lotam, nem na alta temporada (só tome cuidado no Ano-novo). E ainda há as agências de turismo por todo canto vendendo combos de transporte que resolvem os trajetos mais desafiadores, como aqueles entre as ilhas da Tailândia.

Por que viajar sozinha no Sudeste Asiático:

PORQUE MUITAS OUTRAS PESSOAS TAMBÉM ESTÃO VIAJANDO SOZINHAS

O Sudeste Asiático deve ser a região com maior densidade de pessoas viajando sozinha no mundo. Quase sempre depois de cinco minutos em um hostel eu já tinha conhecido alguém (dica de ouro pra conhecer gente: convide pra almoçar ou jantar). Muita gente está em jornadas longas, de 4, 6, 12 meses, o que faz com que seja comum mudar o roteiro e combinar de ir a outros destinos com os novos amigos. No Laos, conheci uma holandesa, um canadense e um irlandês e viajamos juntos durante uma semana. No Vietnã, encontrei um americano, comprei um moto e viajei 16 dias com ele por montanhas na fronteira com a China. Em Bangkok, conheci uma portuguesa que depois encontrei no Camboja e fomos pra praia. Também tive meus momentos mais reclusos, que preferi ficar na minha e fazer as coisas sozinha mesmo. E essa mescla foi essencial pra experiência geral da viagem.

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O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE VIAJAR SOZINHA NO SUDESTE ASIÁTICO:

ÀS VEZES VOCÊ FICA SOZINHA QUANDO NÃO ESTÁ A FIM

Eu não sou a pessoa mais extrovertida do mundo e às vezes tinha que fazer um esforcinho pra conseguir companhia. Não tenho a cara de pau de chegar numa mesa cheia de gente e dizer “oi, posso sentar com vocês?” como eu vi algumas pessoas fazendo – mas estou trabalhando nisso. Às vezes eu caía num quarto que já tinha um grupo de amigos falando a língua deles (e não estavam a fim de ficar trocando pra inglês pra eu entender); às vezes o hostel não tinha uma boa área social.

Por que viajar sozinha no Sudeste Asiático:

PARTY HOSTELS PODEM SER IRRITANTES

O hostel ter um ambiente social com sala e bar ajuda muito a conhecer gente. Por isso, no começo, eu sempre procurava por “party hostels”, hostels mais festeiros e animados. Depois, comecei a perceber que esse tipo de hospedagem reunia uma cambada de gringos pós-adolescentes que tinha ido ali encher a cara com música pasteurizada americana em volume alto – e uma hora eu comecei a me achar muito velha pra aquilo tudo. Aí passei a olhar cautelosamente as resenhas do Hostelworld antes de reservar pra fazer questão de que o hostel NÃO era um party hostel. Quando eu cheguei em Koh Phi Phi, uma ilha bem baladeira, porém, me arrependi: minha pousada era sem graça e eu não conheci ninguém pra sair de noite, o maior desafio pra quem viaja sozinho. E aí fiz o quê? Fui pra um bar de um “party hostel” próximo.

PERRENGUES E CHATEAÇÕES SÃO NORMAIS

Em países em desenvolvimento como os do Sudeste Asiático, sim, vai haver perrengue. Como quando peguei um ônibus do Camboja pra Tailândia: quando chegamos na fronteira, em vez de esperar logo na saída enquanto os passageiros passavam pela imigração, o ônibus ia pra um restaurante a 5 km de lá de propósito, pra você ter que pagar umas motos-táxis pra voltar até ele. Ou quando estava rolando um vírus na ilha de Koh Rong e eu passei 12 horas num barco vomitando. E ter que aguentar tudo sozinha em horas que você só queria sua mãe faz parte.

SE APRESENTAR E SE DESPEDIR VÁRIAS VEZES É PARTE DA ROTINA

O vai e vêm de viajantes implica em se apresentar quinhentas vezes (“oi eu sou a Betina, vim do Brasil, sou jornalista e estou viajando por 3 meses”) num ritmo quase robótico em determinado momento. Às vezes você também conhece gente muito bacana e logo tem que se despedir, sabendo que dificilmente as verá de novo. E esse constante conhecer e desconhecer pode ser cansativo (isso se aplica mais a uma viagem mais longa, de, pelo menos, um mês).

Por que viajar sozinha no Sudeste Asiático: no fim do terceiro mês, eu já estava um pouco cansada de viajar sozinha. Sentia falta de boas e idas companhias que eu tinha feito na estrada e tinha vontade de compartilhar momentos com amigos aqui do Brasil. Talvez eu demore um pouco a fazer um rolê tão longo sozinha de novo. Se bem que… ano que vem estou bem querendo passar uns tempos na Indonésia 

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Tensão pré-viagem: você não sofre disso sozinho!

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Betina Neves

Seus 10 anos de experiência no Jornalismo de Turismo deram o tom da linguagem do Carpe Mundi. Perita em traçar roteiros e na eterna busca pela passagem aérea mais barata, escreve um e outro post por aqui enquanto explora metrópoles insones, prova comidas exóticas e relaxa em praias vazias deste mundão.

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