sudeste asiático


Dicas do Sudeste Asiático: guia de sobrevivência

Um FAQ com dicas do Sudeste Asiático (países Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Myanmar, Filipinas e Indonésia, Malásia): visto, segurança, transporte, língua, saúde, comida…

ROLA CHOQUE CULTURAL?

Sim e não. Sim, estamos no oriente, e a cultura, os hábitos, a religião são bem distintos. Mas lembre-se que, apesar da região parecer inóspita pra gente, é extremamente turística e um roteiro de praxe pra europeus, canadenses, americanos. Então há uma enorme influência ocidental, principalmente nas grandes cidades. E assim: estamos em países em desenvolvimento, mas viemos de um também, né? Então algumas coisinhas vão te parecer levemente similares.

TEM PERRENGUE NO SUDESTE ASIÁTICO?

Só se você estiver viajando com beeeem pouquinho dinheiro, tipo US$ 20 por dia contando com hospedagem. Como eu disse, a região é turística e tem uma estrutura preparada para receber o estrangeiro, sendo muito fácil de ser viajada. Requer a intrepidez necessária pra rodar por qualquer outro país em desenvolvimento (o serviço pode ser lento, é preciso ficar esperto com golpes, podem rolar momentos difíceis de se comunicar).

VALE IR DE LUA DE MEL?

Se o casal estiver com uma pegada de se aventurar e conhecer uma cultura diferente, sim. Se for só pra ficar deitadão uma semana na praia na Tailândia, prefira outro lugar, tipo Fernando de Noronha, Caribe ou Ilhas Maurício, e deixe o Sudeste Asiático pra ir com mais tempo e vontade de explorar. Afinal, lembre-se de que estamos falando do outro lado do mundo.

PRECISA DE VISTO PARA O SUDESTE ASIÁTICO?

Pra Tailândia, brasileiros não precisam de visto para um período de até 3 meses.
Para o Laos, brasileiros devem pagar uma taxa de US$ 30 no ato da chegada para adquirir o visto, que vale até 30 dias.
Para o Camboja, a mesma coisa: brasileiros pagam US$ 30 na fronteira pra adquirir o visto, que vale até 30 dias.
Para o Myanmar, é preciso comprar o visto online no site oficial, melhor com pelo menos duas semanas de antecedência da viagem. Custa US$ 50 para 30 dias com uma só entrada no país por alguns dos aeroportos determinados.
Para Indonésia, o visto de até 30 dias é gratuito. Se você quiser ficar mais que isso é preciso dizer no momento de entrada no país e  pedir o “visto estendível”, pagando uma taxa.
Para Filipinas, brasileiros não precisam de visto para um período de até 30 dias.
Para Malásia, brasileiros não precisam de visto para um período de até 3 meses.

Para o Vietnã, é preciso requisitar o visto com antecedência. Se você estiver numa viagem muito longa e quiser deixar pra tirar lá na embaixada (ou com os “despachantes”) de algum outro país, ok. Se não for o caso, é melhor pedir aqui no Brasil. Mande um email pra vnconsular@gmail.com ou ligue no (61) 3364-5876 (seg/qui 9h/12h) que eles te mandam as instruções. É preciso pagar as taxas (até um mês de viagem, com entrada única, R$ 200, e mais R$ 40 de Sedex) e enviar seu passaporte por Sedex para Brasília. Ele chega em até 7 dias úteis. A solicitação de visto pode ser realizada com antecedência de 6 meses antes da data da viagem ou previsão de entrada no país.

QUE PASSAGEM AÉREA COMPRAR PARA CHEGAR NO SUDESTE ASIÁTICO?

Bangkok e Cingapura são os hubs aéreos da região, com maior oferta de voos e preços competitivos. Ethiopian Airlines (com conexão em Adis Abeba), Qatar (via Doha), Emirates (por Dubai) e Turkish Airlines (parada em Istambul) tem o caminho mais curto pra chegar.

QUANTO CUSTA VIAJAR NO SUDESTE ASIÁTICO?

Pouco. Na passagem você vai gastar entre R$ 2 200 e R$ 4 000, depende de quanto estiver a cotação do dólar,  de quando for viajar e se conseguir alguma promoção. Quartos coletivos em hostels custam em média US$ 7 por noite (podendo chegar a US$ 3 no Vietnã e a US$ 15 em Bangkok). Quartos privativos em hostels, hotéis três-estrelas ou guest houses saem entre US$ 20 e US$ 50 pra duas pessoas. Hotéis quatro-estrelas custam entre US$ 50 a US$ 150, e cinco-estrelas a partir de US$ 150. A alimentação pode ser baratérrima se você se limitar à comida local de rua (sim, é segura), numa média de US$ 3 a refeição. Com entre US$ 6 e US$ 8 a refeição você já pode comer em restaurantes medianos e ter mais opções. De US$ 10 para cima por refeição é quase um luxo na maioria dos destinos. Bangkok e as ilhas da Tailândia têm uma amplitude maior: dá pra comer na rua por US$ 3 e num restaurante top por US$ 100. A coisa mais cara é o transporte: quanto mais curto seu roteiro, mais caros os deslocamentos ficarão, porque será necessário pegar mais avião. Voos internos custam entre US$ 20 e US$ 150, ônibus ficam entre US$ 5 e US$ 30. Os tours também são custosos, entre US$ 20 e US$ 30. Pra driblar isso passeie da forma mais independente possível, alugando scooters (o transporte oficial do Sudeste Asiático), bicicletas ou usando o transporte público local. Leia mais em: Quanto custa viajar no Sudeste Asiático

QUE MOEDA LEVAR PARA O SUDESTE ASIÁTICO?

Dólar. E aí você troca pela moeda local quando chegar lá (ou então saca em caixas eletrônicos com cartão de débito. Vale saber que no Camboja a economia é dolarizada (você já saca em dólar nos caixas locais). A maioria dos estabelecimentos não aceita cartão (a não ser shoppings, hotéis e restaurantes mais sofisticados); tenha sempre dinheiro em espécie. Como em qualquer outra viagem internacional, distribua uma quantia a ser gasta em espécie, cartão de crédito e débito (eu saquei direto da minha conta aqui no Brasil nos caixas eletrônicos de lá sem problemas). Aliás, tem caixas eletrônicos por toda parte, mesmo nas cidades menos turísticas (com exceção de algumas ilhas mais roots).

DÁ PRA SE COMUNICAR BEM EM INGLÊS?

No que se refere a comprar comida, dar check-in no hotel e perguntar por transporte, sim, nas cidades turísticas você se vira sem problemas. Manter uma conversa mesmo é difícil, então o seu contato com os locais acaba sendo um pouco limitado. Fale devagar e pausadamente, tentando imitar o sotaque deles. Motoristas de ônibus, taxistas e vendedores ambulantes falam nada ou o básico pra conseguir te atender.

COMO É A INTERNET?

Todos os hotéis e hostels e alguns restaurantes têm wi-fi, mas a qualidade varia – na Tailândia é o melhor e no Laos, o pior. Vale a pena comprar chips pré-pagos de operadoras locais (todo lugar vende), porque muitas vezes o 3G funciona melhor do que o wi-fi (no Laos principalmente).

PRECISA DE VACINA NO SUDESTE ASIÁTICO?

Teoricamente, todos exigem o Certificado Internacional de Vacinação de Febre Amarela (mas só a Tailândia costuma pedi-lo, no desembarque do aeroporto). A vacina deve ser tomada com antecedência mínima de 10 dias à viagem. Pra tirar o seu, compareça a um dos centros de atendimento (veja a lista aqui).

PRECISA DE SEGURO VIAGEM NO SUDESTE ASIÁTICO?

É sempre melhor, ainda que possa ser barato ser atendido nos postos de saúde locais. Com seguro viagem você pode ir a hospitais internacionais de maior qualidade. Nós indicamos o seguro do nosso parceiro Seguros Promo.

TEM MALÁRIA NO SUDESTE ASIÁTICO?

Em algumas partes sim, mas o risco é baixo em quase todas as áreas turísticas. Por via das dúvidas, passe repelente com a substância DEET (deixe pra comprar lá), que protege também contra o mosquito da dengue.

COMO SÃO AS HOSPEDAGENS NO SUDESTE ASIÁTICO?

Destino clássico de mochileiros desde os anos 1970, a região tem uma ampla variedade de hostels e guest houses (espécie de pousada domiciliar) baratos. As instalações podem variar – leia atentamente as resenhas antes de reservar pra saber se o wi-fi funciona bem e se tem água quente no banheiro. Nas cidades maiores e mais turísticas (Bangkok, Chiang Mai, Hanoi, Ho Chi Minh City, Siem Reap, Luang Prabang, Ubud, Penang) e nas ilhas da Tailândia há toda classe de hotéis, desde três e quatro-estrelas até redes de luxo (Sofitel, Peninsula, Six Senses, Alila, Four Seasons). Nota: não se deixe levar por palavras como “resort”, “palace” e “boutique” no nome dos hotéis. Se no resto do mundo elas costumam indicar alguma sofisticação, ali são usadas meio sem critério.

COMO É A COMIDA NO SUDESTE ASIÁTICO?

A culinária é bastante parecida nos quatro países, com algumas peculiaridades. Os ingredientes básicos são macarrão (os noodles), de ovo, arroz ou trigo, arroz (de vários tipos), frango, porco, papaya (comida cru, como salada), molhos de amendoim, peixe ou tamarindo, currys. Coentro e capim-limão estão em basicamente todos os pratos. Eles não economizam na pimenta (mas sabem que os turistas têm estômago fraco, então sempre perguntam “spicy?”). Mercados de rua e cozinhas ao livre são supercomuns, vá sem medo de experimentar (piriris eventuais podem ocorrer, mas você não está na Índia). Veja mais sobre a comida no Sudeste Asiático nesse post.

É SEGURO VIAJAR NO SUDESTE ASIÁTICO?

Sim. A criminalidade é muito baixa em toda a região. Podem haver furtos na rua (pickpocket), nos ônibus noturnos e nas saídas de baladas, então esteja sempre atento a seus pertences. Golpes contra turistas também são comuns. As dicas de ouro para evitá-los: 1) Não compre pacotes turísticos nas agências com hotel + ônibus + avião + sei lá mais o que. Compre sua passagem aérea no site, seu ticket de trem na estação e só pague o hotel no balcão. No máximo use-as pra adquirir trajetos de ônibus ou vans. Especificamente em Bangkok, cuidado com os combos de transportes para as ilhas. 2) Barganhe SEMPRE, não importa se estiver comprando uma bolsa ou um tour de barco. Mostre que você sabe que pode conseguir o serviço bem mais barato em outro lugar. 3) Suspeite de locais muito amigáveis tentando te levar pra algum lugar por muito pouco dinheiro. Há um truque comum em que eles se escondem perto da entrada de atrações turísticas e vêm dizer que estão fechadas mas que se você der uma quantia X eles consegue te botar pra dentro.

É SEGURO VIAJAR SOZINHO NO SUDESTE ASIÁTICO?

Sim! Mais do que isso: é possivelmente uma das regiões do mundo com mais gente viajando sozinha, então é super fácil fazer amigos. Pra mulheres é igualmente tranquilo. A maior parte da população é muito religiosa, pacífica e levemente conservadora – não há assédio nas ruas. Me senti muito mais segura lá do que viajando na América do Sul, por exemplo.

COMO SE DESLOCAR NO SUDESTE ASIÁTICO?

Avião: Procure no Skyscanner pra ver que companhias fazem o trecho que você deseja – na maioria das cidades turísticas há aeroportos. As mais comuns são Air Asia, Bangkok Airways, Lao Airlines, Vietnam AirlinesThai Lion Air, Nok Air, Thai Smile, VietJet Air (esta última a mais barata de todas). Todas têm um serviço bastante satisfatório e não vão ser diferentes das companhias de baixo custo que você está acostumado na Europa. Vá sem medo.

Ônibus: É o modo mais fácil, barato e eficiente de transporte. Pra deslocamentos longos, pergunte sempre pelos “night buses”, normalmente com banco que vira cama (com variações). Como eles são comumente operados por empresa privadas, com exceção de Bangkok, você quase nunca precisa ir até a rodoviária, é só comprar a passagem um dia antes (ou horas antes) no seu hotel ou agência (em toda cidade turística tem várias pelas ruas). Lembre-se que os ônibus normalmente já te deixam no centro da cidade, e aeroportos costumam ser mais afastados, o que vai implicar com mais gastos com traslados, principalmente nas cidades maiores.

Trem: A Tailândia tem uma extensa malha ferroviária. Eu particularmente acho que só vale a pena pra um bate-volta em Ayutthaya a partir de Bangkok e se você for no vagão-dormitório a Surat Thani ou Krabi (pra visitar as ilhas). As classes mais baixas são desconfortáveis e barulhentas; melhor deixar pra deslocamentos curtos. Para os longos, prefira os ônibus.

COMO MONTAR UM ROTEIRO PELO SUDESTE ASIÁTICO?

Neste post, sugestões de roteiros pra rodar a região. A dica principal é: seja coerente com quanto tempo você tem, sem enfiar 500 cidades em duas semanas.

QUAL A MELHOR ÉPOCA PARA IR AO SUDESTE ASIÁTICO?

No geral, de novembro a março, quando é clima é seco e a temperatura é amena em quase toda região. Abril e maio ainda são ok. A exceção é a Indonésia, cuja temporada seca vai de maio a outubro. Veja aqui nosso calendário completo com a melhor época pra ir a Tailândia e outros países do Sudeste Asiático.

O QUE LEVAR NA MALA PARA O SUDESTE ASIÁTICO?

Pouca coisa. Em alguns lugares você vai precisar de casaco (no norte da Tailândia, no norte do Vietnã), mas no geral faz calor por toda região. Quanto mais leve for sua bagagem mais tranquilos serão seu deslocamentos (entrar e sair de um barco com um mala gigante nas praias da Tailândia é um perrengue, pode acreditar). Leia mais sobre isso neste post.

Há 14 comentários para “Dicas do Sudeste Asiático: guia de sobrevivência

  1. Betina,

    Oi Betina, acabei de comprar minha passagem para Bangkok do dia 10/12 até 29/12. Sou dona de uma agência focada somente em Patagonia e Deserto do Atacama, perfil aventureira que gosta de conforto, assim como meu marido. Tens uma ideia de quanto tempo em cada destino devo ficar. Como mencionei, comprei hoje a passagem e agora começa todo o meu planejamento. Como amo seu blog e acompanho diariamente e amo as fotos e a forma sucinta com tudo está exposto. Abraço e parabéns pelo trabalho!!!

  2. Oi Betina! Pelo que entendi vc já fez esse roteiro sozinha, certo? Fiquei mais confiante com seu comentário sobre ser uma região bastante segura. Mas outro ponto que me deixa na dúvida se encaro ou não essa viagem sozinha é o tipo de hospedagem. Eu adoro a minha propria companhia, mas tb gostaria de conhecer outras pessoas pelo caminho e geralmente o que propicia isso é ficar em hostels. Por outro lado, não sou muito fã dessa pegada pós adolescência e não curtiria ficar em locais com muita bagunça… pensei que uma opção seria mesclar hotéis com hostels. Vc tem alguma sugestão sobre isso?
    Muito obrigada e parabéns pelo ótimo conteúdo dos seus posts!

    1. Oi Ana tudo bem? Sim, eu passei 3 meses lá sozinha e foi supertranquilo. E entendo exatamente o que você diz sobre hostels, também tive essa preocupação. Minha sugestão, que funcionou muuuito na viagem, é ler as resenhas (e ver as fotos) dos hóspedes no Hostel World (hostelworld.com) antes de reservar. Em poucos minutos você já percebe qual a pegada do lugar. “Party hostel” é um termo bem usual pra definir esse tipo de hostel festeiro que tem um pessoal mais novo, nas resenhas quase sempre diz se é ou não um party hostel. Os hostels lá têm perfis muuuuito variados, algum tem baladas o dia todo e outros são basicamente hotéis com quartos coletivos (e em muitos o quarto privativo é quase tão barato quanto). Então a dica mais eficiente é essa: ler as resenhas.

      1. Muito obrigada, Betina! Vou seguir essa dica e tb vou voltar a olhar no hostelworld porque ultimamente me acostumei a procurar tudo pelo booking e acho que faltam mais opções de albergues por lá. Valeu!!
        🙂

  3. Oi Betina,
    Estou usando todos os seus posts da Tailândia como base para minha futura viagem. Excelente Trabalho!!
    Como foi viajar de onibus com equipamentos eletrônicos? (câmera, lentes, notebook).
    Teve algum problema? Tem alguma recomendação de segurança para estes items mais caros?
    Como vou estar trabalhando (um pouco) vou ter que levar estes equipamentos comigo.

    Abraço

    1. Oi Nélio tudo bem? Eu viajei por 3 meses pela região praticamente só de ônibus carregando câmera, Go Pro e computador. É só tomar cuidados básicos: deixe esse itens sempre numa bolsa ou mochila de mão que fique perto de você e amarre a alça no seu braço enquanto você dorme.

  4. Oi, estou sonhando com a viagem para o sudeste asiático e pretendo ir no ano que vem! Poderia me ajudar, eu compro as passagens para os deslocamentos aereos para as regioes proximas quando estiver por la ou compro tudo antes da viagem?

    1. Oi Cadu! Então, se você tiver muita certeza do seu roteiro, pode comprar os deslocamentos aéreos antes sim, tem mais chances de conseguir promoções. Se você vai fazer uma viagem mais longa e quer deixar pra decidir o que fazer na hora, pode deixar pra comprar lá, os preços não mudam taaanto assim.

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