O Laos é absolutamente encantador, com paisagens naturais interessantes e intocadas, identidade cultural forte e uma divertida cena mochileira.

Mesmo assim, ele é tratado com injustiça e cortado ou passado rapidamente nos roteiros pelo Sudeste Asiático. Deixo aqui meu apelo: não faça isso. Sim, ele é mais rústico do que os vizinhos Tailândia e Vietnã, mas quem tem sede por um pouco de aventura vai pirar (eu pirei).  Em seu território está o majestoso Rio Mekong, com ilhas fluviais, a gracinha Luang Prabang, cheia de templos e mercados, Vang Vieng, point festeiro com esportes de aventura, o Thakek Motorbike Loop, um tour maravilhoso entre vilarejos e montanhas. Continue lendo pra ver o que fazer no Laos.

COMO CIRCULAR NO LAOS: A Laos Airlines  voa entre a capital Vientiane, Luang Prabang (a cidade mais turística) e Pakse. É bem fácil e barato viajar de ônibus, mas alguns trajetos podem ser longos pelas condições ruins das estradas. O transporte entre cidades mais próximas (como Vang Vieng e Luang Prabang) é comumente feito em vans, bem menos confortáveis.

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Um pouco de história, economia e sociedade do Laos

O Laos tem suas raízes no antigo Reino de Lan Xang, que esteve no poder pode 300 anos. Depois,  foi dominado pelo Sião (antigo nome da Tailândia) e, no século XIX, pela Indochina francesa, da qual se tornou independente em 1907. Nos anos 1970, o partido comunista Pathet Lao tomou o controle do governo acabando com uma monarquia de mais de 6 séculos e instituindo um rígido regime socialista alinhado com o Vietnã – o Laos foi o país mais bombardeado durante a Guerra do Vietnã e ainda hoje sofre com minas terrestres.

Desde os anos 1980 o país passa por uma abertura lenta a gradual, mas ainda mantém seu sistema de partido único. Apesar de ter tido um crescimento de quase 8% por ano na última década (com investimento estrangeiro em hidrelétricas, minas de ouro e cobre e outras atividades), o país ainda é um dos mais pobres do mundo, com infra bem precária principalmente nas áreas rurais – a agricultura ainda corresponde a 45% do PIB e 73% dos empregos. A população é extremamente jovem – 34% dos 7 milhões de habitantes tem até 14 anos. 68% é budista. Continue lendo pra saber o que fazer no Laos.

O que fazer no Laos:

Luang Prabang

A cidade mais turística do Laos é minúscula mas apaixonante. De manhã, a turistada acorda cedo pra ver o emocionante ritual dos monges pedindo comida na rua com cestos, em fila. Depois, pode-se visitar os muitos templos, fazer massagens baratas no spas, comer docinhos nos cafés com vibe francesa, ver as lojinhas de produtos locais e visitar as cachoeiras próximas, como as de Kuang Si.

O pôr do sol no Rio Mekong é das coisas mais lindas que já vi na vida – nas margens têm barzinhos pra sentar e curtir o fim do dia. No jantar, há uma porção de restaurantes bacaninhas para conferir depois de passar pelo Night Market, um dos mais bonitos do Sudeste Asiático. Depois, o point noturno é o Utopia, um bar enorme com vários ambientes e fogueiras e pufes pra papear regado à ótima cerveja local, Beerlao.

LEIA O POST COMPLETO DE LUANG PRABANG AQUI

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Vang Vieng

Cercado por montanhas soberbas com formatos peculiares, o point mochileiro ficou famoso pelo “tubing” (leia-se atividade em que você desce com uma boiona pelo rio), com o detalhe de que nas margens tem bares onde o pessoal faz paradas pra tomar umas e outras. Tirando isso, a cidade oferece um centrinho turístico com feiras e restaurantes com sofás com vista pra água e as montanhas (e TV’s que estão sempre passando Friends) e baladas que funcionam madrugada adentro (coisa rara no Laos), como o famoso Sakura Bar, que distribui camisetas com o logo a cada três drinks. Pra quem superar a ressaca, tem vários outros esportes de aventura (eu fiz uma tentativa de fazer escalada) e trilhas que partem da cidade.

LEIA O POST COMPLETO SOBRE VANG VIENG AQUI

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O QUE FAZER NO LAOS

Vientiane

A capital do Laos é pouco desenvolvida e tem menos gente que Campinas, mas é bastante agradável e interessante. E se você está varando o país provavelmente vai ter que passar por aqui, nem que seja pra pegar um voo pra outro país. Vale ficar pelo menos uma noite pra ver alguns templos, visitar o COPE Vistor Center (um museu que conta como o Laos foi terrivelmente bombardeado durante a Guerra do Vietnã) e o bonito Buddha Park, que abriga 200 estátuas hindus e budistas.

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Thakhek

A 350 km de Vientiane, Thakhek é base pra mais intensa e maravilhosa (e ainda assim pouco falada) experiência no Laos: o Thakhek Motorbike Loop, um roteiro em “looping” pra ser feito de scooter ou moto (o transporte oficial do Sudeste Asiático) de 450 km que começa e termina em Thakhek e é normalmente cumprido em 4 dias. A aventura começa no Thakhek Travel Lodge, um hotel onde os viajantes se encontram, alugam motos e capacetes e recebem o mapa da região (não precisa ter carteira pra dirigir e, pra quem não sabe, é super fácil de aprender na hora). No caminho, há cavernas, vilarejos com crianças acenando, montanhas inóspitas, piscinas naturais de água azulzinha pra nadar e a majestosa caverna Kong Lor. Pequenas pousadas alojam a galera de noite. 

VEJA O ROTEIRO COMPLETO PARA O THAKHEK MOTORBIKE LOOP AQUI

Pakse

A cidade é base para conhecer o Bolaven Plateau, casa de vastas plantações de café, florestas fartas e cachoeiras fantásticas. Você pode visitar as atrações individualmente ou embarcar no “Bolaven Plateau Motorbike Loop”, no mesmo esquema do de Thakhek: alugar uma scooter e cumprir o trajeto em 3 ou 4 dias. Nesse link tem o mapa do “loop”, e esse aqui reúne as melhores cachoeiras.

Four Thousand Islands: Si Phan Don

Quase na fronteira com o Camboja, trata-se de um arquipélago do Rio Mekong, cujo nome realmente significa “quatro mil ilhas”. As ilhas mais visitadas são Don Khon e Don Det, onde você pode nadar, andar de bicicleta e de caiaque e avistar golfinhos de água doce. Mas a maior parte da galera fica internada nas redes conversando e observando o movimento do sol e da água. Se você está fazendo uma viagem longa, esse é um ponto de descanso muito eficaz.

Betina Neves

Seus 10 anos de experiência no Jornalismo de Turismo deram o tom da linguagem do Carpe Mundi. Perita em traçar roteiros e na eterna busca pela passagem aérea mais barata, escreve um e outro post por aqui enquanto explora metrópoles insones, prova comidas exóticas e relaxa em praias vazias deste mundão.

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