ATRAÇÕES ANTIÉTICAS

Viajar é uma oportunidade de ampliar as perspectivas e conhecer novas culturas, tradições e paisagens. Mas é bom lembrar que o turismo, como toda indústria, tem seu lado perverso e destrutivo, muitas vezes financiando atrações cruéis com as pessoas, os animais e o meio ambiente.

Confira abaixo 10 atrações antiéticas pelo mundo que você deve evitar nas suas próximas viagens.

Leia também: As atrações turísticas mais cruéis com animais e como não corroborar com elas

ATRAÇÕES ANTIÉTICAS

COMO FAZER TURISMO RESPONSÁVEL

PESQUISE

Antes de partir para qualquer expedição ou atividade mais imersiva, principalmente na natureza, entenda todas as facetas do passeio, o impacto ambiental da sua visita, quem está ganhando dinheiro ali e a que custo.

PERGUNTE

Se a excursão for mediada por uma empresa ou organização, não hesite em perguntar como eles contribuem com a comunidade local. Opte sempre por serviços que tenham um olhar consciente sobre impacto social e ambiental que geram.

PONDERE

A atividade é apenas para sua própria satisfação? Qual sua motivação? Sua visita será útil para quem está em posição de vulnerabilidade no lugar – sejam eles pessoas, animais ou o meio ambiente?

APRENDA

Fechando um passeio para uma imersão cultural/natural segura, esteja sempre atento a práticas que visem respeitar as tradições locais; leia, estude e escute o que as pessoas têm a dizer. 

Cuidado ao visitar ou fazer trabalho voluntário em orfanatos em outros países

ATRAÇÕES ANTIÉTICAS: um movimento global recente alerta para o perigo desse tipo de “turismo” – apesar dos visitantes irem com a melhor das intenções, o fato de visitas a orfanatos terem se popularizado acaba corroborando com tráfico de crianças e abuso infantil. E é difícil saber se a instituição que você está indo ajudar (muitas vezes em países pobres da Ásia e da África, onde há grandes barreiras linguísticas e culturais) são éticas. Se isso já não for o suficiente para você abortar a missão, pense como sua visita e “abandono” quando for embora pode abalar uma criança vulnerável. Vale ler essa matéria da NPR (em inglês) para entender melhor.

COMO LIDAR?

Se quer muito ajudar, procure instituições e orfanatos aqui no Brasil sobre os quais você tenha referência sobre o trabalho. No exterior, um jeito melhor de ajudar crianças é voluntariar em escolas e instituições de ensino de língua, por exemplo, ou trabalhar para ONG’s com outros tipos de auxílio, como construções de casas e escolas.

Não nade com golfinhos

Você sabia que a média de vida de um golfinho em cativeiro é de apenas cinco anos, contra 25 na natureza? Esses animais, que parecem dóceis e brincalhões quando você tira foto dando beijinho, enfrentam uma realidade bem dura em aquários e parques muito comuns em lugares como a Flórida e o México. Segundo a organização Ceta-Base, estima-se cerca de 2 100 golfinhos mantidos em cativeiro em 59 países, com práticas como captura cruel e ilegal, maus tratos e todo tipo de abuso para os fazerem trabalhar.

COMO LIDAR?

Animais não são feito para ficarem presos e qualquer lugar que “garanta” interações com golfinhos é antiético. Ao invés disso, escolha um passeio de observação de golfinhos no mar com empresas com credenciais éticas comprovadas (como o cadastro na Aliança Mundial Cetacean), nos quais especialistas encontram golfinhos de forma natural sem colocá-los em perigo ou assustá-los.

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Não sobrecarregue animais

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Camelos, elefantes, burros, cavalos: não importa o animal usado para transporte, as atividades diárias com sobrepeso de humanos ou malas são prejudiciais para os bichos – a ONG americana PETA documenta por exemplo uma longa lista de acidentes com charretes em grandes cidades, onde cavalos têm péssimas condições de alojamento e são obrigados a trabalharem demais e puxar mais peso do que podem. Só o fato dos bichos estarem trabalhando assim já é errado, e ainda por cima não tem como você saber se eles estão sendo bem tratados, cuidados e alimentados. Em Santorini, na Grécia, burros costumam levar malas de turistas pelas ruas íngremes. Outra prática comum e igualmente cruel é andar de elefante na Tailândia – leia mais no post Por que NÃO andar de elefante na Tailândia (e onde vê-los de forma ética).

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COMO LIDAR?

Na dúvida, é melhor evitar. Só ande a cavalo em lugares realmente confiáveis – e não monte animais selvagens de jeito nenhum. Se você achar que algum animal está sofrendo maus tratos, informe autoridades locais ou ONG’s de proteção aos animais que realizam trabalhos de resgate.

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Cuidado com aldeias de exibição

É comum ver turistas indo e vindo de aldeias e comunidade habitadas por minorias étnicas, mas há controvérsias sobre esse tipo de passeio. É famoso o caso dos tours que levam para conhecer as mulheres da etnia Karen-Padaung, no norte da Tailândia, em aldeias montadas para o turismo com venda de produtos e performances com danças. Elas são na verdade refugiadas vindas de Myanmar e vivem na Tailândia marginalizadas sem acesso a direitos e serviços públicos. Outra situação é a dos passeios para conhecer o povo das ilhas flutuantes Uros, no Peru, que vive em uma séria situação de pobreza. E aí fica aquele dilema: estamos ajudando indo ali ou corroborando para a ausência do Estado e a manutenção de uma situação de vulnerabilidade e marginalização?

COMO LIDAR?

De novo, é procurando por empresas com responsabilidade social e base comunitária – que realmente repassam o valor dos passeios para as comunidades e colaboram para a melhoria de condições de vida no lugar – que você tem mais chances de ter uma experiência legal e ética. No Brasil tem várias iniciativas do tipo – empresas como a Braziliando promovem experiências de turismo de base comunitária em comunidades nos arredores de Manaus, com roteiros desenvolvidos com os locais, de acordo com suas necessidades, e levando muito a sério a preservação ambiental.

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Não faça passeios de bugue por dunas

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Dunas são muito importantes para o equilíbrio de ecossistemas costeiros, com funções como absorção de água doce e proteção contra a força das marés, temporais, ressacas e outros fenômenos climáticos. As áreas de dunas já sofrem grande impacto da especulação imobiliária e da indústria do turismo – ações desastradas nessas áreas modificam e destroem o ecossistema, causam a morte de espécies vegetais e animais e o soterramento de vilas e cidades. Os passeios de bugue podem ser mais um fator para perturbar a natureza nessas áreas.

COMO LIDAR?

Opte por conhecer as dunas durante caminhadas com empresas que conhecem, respeitam e valorizam o meio ambiente. 

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Cuidado com o turismo de favela

ATRAÇÕES ANTIÉTICAS: em cidades onde a desigualdade é alarmante (vide  Rio de Janeiro, Manila, Delhi, África), os passeios pelas favelas locais, apesar de, na teoria, servirem para aumentar a conscientização e impulsionar a economia, quando mal selecionadas podem apenas colaborar com o enriquecimento das agências de turismo, perpetuando a pobreza e exposição teatral de uma triste realidade.  Leia mais sobre esse turismo controverso nesta matéria especial da National Geographic Brasil.

COMO LIDAR?

Procure empresas com iniciativas comprovadas de apoio às comunidades locais por meio da distribuição de renda e projetos de infraestrutura e melhora de qualidade de vida. Ao invés de colaborar com uma espécie de “safári humano”, como é feito nas townships na África do Sul, por exemplo, opte por excursões como a Reality Tours and Travel, em Mumbai, com a qual 80% do lucro vão para a comunidade, ou o Favela Santa Marta Tour, no Rio, organizado pelos próprios moradores. 

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Atenção ao visitar recifes de corais

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ATRAÇÕES ANTIÉTICAS: em decorrência de fatores como poluição, pesca predatória, aumento da temperatura da água e também do turismo em massa, muitas grandes barreiras de corais estão desaparecendo. Em Porto de Galinhas, por exemplo, a degradação dos arrecifes de corais que dão acesso às famosas piscinas naturais obrigou o município a adotar medidas paliativas para frear a situação.

COMO LIDAR?

Não contrate passeios de barco para lugares que já tem fama de serem superlotados, principalmente em países pobres que podem falhar em ter regras ambientais mais rígidas.

Evite atrações com animais fora do seu habitat natural

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Baleias em tanques na Flórida, tigres em jaulas na Tailândia, dromedários em Natal: são casos diversos, mas têm em comum o fato de que os bichos não deveriam estar ali. Um caso bizarro é o da praia dos porcos, em uma ilha no arquipélago das Bahamas, famosa no Instagram pelas fotos com seus “porcos praianos”. Nos bastidores, o pessoal responsável trabalha com sacrifícios de animais, exploração e ganho em cima dos bichinhos – eles nem se quer sabem nadar, são treinados para tal. Os animais muitas vezes sofrem queimaduras solares graves e câncer de pele, além de não terem abrigos seguros.

COMO LIDAR?

Não incentive esse tipo de turismo. Boicote, denuncie e espalhe a verdadeira realidade por trás de lugares assim. Sempre prefira ver animais ao ar livre em parques naturais e regiões preservadas. E sempre pesquise antes de visitar qualquer lugar que lide com animais.

Cuidado com zoológicos

Zoológicos pode ter sim papel na conservação de espécies e resgate de animais, mas há centenas deles com instalações precárias e com péssimo tratamento aos bichos. Um dos mais conhecidos e polêmicos é o Zoo Luján, perto de Buenos Aires, onde os visitantes podem tirar fotos e interagir com elefantes, leões e tigres (!) – há denúncias de que os bichos sejam dopados para isso. De qualquer jeito, mesmo que bem estruturados, zoológicos são locais que privam os bichos de viverem em suas condições naturais. 

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COMO LIDAR?

ATRAÇÕES ANTIÉTICAS: se tem dúvidas sobre como é o cuidado com os animais em um zoológico, melhor não ir. Mesmo para crianças, a PETA, uma das maiores organizações de direitos dos animais do mundo, relativiza o valor educativo que um zoológico possa ter – o que ela de fato aprende sobre conservação ambiental vendo o animal preso e, muitas vezes, deprimido? Prefira apoiar lugares e experiências em santuários, safáris conscientes e observação guiada (e de longe).

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Pietra Palma

Estudante de jornalismo e aspirante a viajante profissional aqui no Carpe Mundi. Férias, feriados e finais de semana são sempre oportunidades para conhecer uma nova cultura, um novo lugar, um novo espaço. Gosta de colecionar momentos e pedaços desses caminhos através da escrita e acredita que uma boa viagem tem o poder de reanimar a alma.

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