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Primeira viagem ao Peru: roteiro de 10 dias explicadinho

10 dias no Peru: eis aqui uma ideia de roteiro pra ter um gostinho das principais atrações do país em uma primeira viagem.

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O que fazer em Cusco e no Vale Sagrado
O que fazer em Puno e no Lago Titicaca
Como ir de Cusco a Machu Picchu

10 dias no Peru: como chegar

Compre sua passagem no modo “múltiplos destinos” (eu sempre simulo no site Skyscanner) do Brasil para Lima, de Lima para Cusco e a volta de Juliaca (vai necessariamente ter conexão em Lima) para o Brasil.

O que precisa reservar antes dos 10 dias no Peru:

Trem para Machu Picchu – melhor comprar antes para pagar menos. Veja no site da Peru Rail. Compre a passagem de ida e volta saindo de Ollantaytambo. Ingresso para Machu Picchu – eles não costumam esgotar, mas é só para não ter o trampo de ter que comprar em Cusco. Compre no site oficial o ingresso para o primeiro turno de visita.

10 dias no Peru:

DIA 1 – Chegada a Lima

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A ordem das coisas que você vai fazer em Lima vai variar depender da hora do seu voo. O ideal é que você tenha pelo menos 1 dia e meio para curtir a cidade. Um exemplo de combinação de voos interessantes seria pegar os voos da Avianca:

Dia 1 – 6:55 SÃO PAULO – 8:50 LIMA
Dia 3 – 6:40 LIMA – 8:00 CUSCO
Assim você teria dois dias inteiros para curtir Lima.

Se hospede em Miraflores, o bairro mais agradável de Lima e dê uma voltinha por ali: o bonito Parque Kennedy, unido ao Parque Central de Miraflores, é o coração do lugar, com árvores em flor, lojas, feirinhas de artesanato. Almoce no La Lucha para os melhores sanduíches da cidade. Vale também ir ao Shopping Larcomar, um centro de compras a céu aberto com lojinhas e restaurantes cuja melhor parte é o panorama cênico para o Pacífico. Se tiver mais tempo, pegue um táxi até Barranco, o bairro boêmio/descolado de Lima. O passeio pode começar no Mate – MATE Museo Mario Testino, dedicado ao fotógrafo peruano. Continue pela avenida do museu vendo grafites coloridos que vão surgindo até a Puente de los Suspiros, uma passarela pitoresca de 1876, que fica quase ao lado da Igreja Santíssima Cruz e de um mirante. Caminhe então até a Galeria Lucía de la Puente, a mais prestigiada galeria de arte contemporânea de Lima, e à Dédalo, uma loja de corredores labirínticos com trabalhos de mais de mil artistas locais. Depois, vá no Cana Rana, um boteco supertradicional.

Pra jantar, aproveita a vida gastronômica bombadíssima de Lima. Estreantes podem ir no Central, do chef Virgínio Martinez, considerado o melhor da América Latina pela revista britânica Restaurant. Os pratos unem ingredientes de diferentes regiões do país, com folhas e flores da horta própria, e preparações inventivas. A refeição não deve passar de R$ 200 pra dois. No Rafael, o chef Rafael Osterling também se aproveita de ingredientes do país, com peixes locais, pisco e grãos como quinoa e kiwicha. O queridinho Pescados Capitales, além do nome ótimo prepara alguns dos melhores frutos do mar da cidade. Para curiosos gastronômicos, sugiro conhecer o La Picantería, de Hector Solis. Situado em uma casa com portas fechadas em Surquillo, bairro colado em Miraflores, serve peixe do dia: você escolhe o tamanho e o modo de preparo e eles vêm são servidos inteiros. Continue lendo para saber o que fazer em 10 dias no Peru.

DIA 2 – Lima

Pegue um táxi para o melhor museu da cidade (que fica no meio do nada): o Museu Larco. Simplesmente genial para entender a sucessão de povos pré-colombianos. Dali, outro táxi leva ao centrinho. Maior da América Latina em extensão, o coração histórico e comercial de Lima tem igrejas barrocas e construções coloniais. Comece pela Plaza de Armas e entre na linda Catedral de Lima. Veja também o Palacio Arzobispal, o barroco Palacio del Gobierno, e o Convento de San Francisco, com ossos e catacumbas.

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Vale entrar também na Casa de Aliaga, que ocupa um terreno dado em 1535 para Jeronimo de Aliaga, um dos seguidores de Pizarro, e foi habitada por 16 gerações de descendentes dele. Para o almoço, fique no Cordano, o mais antigo bar da cidade, com 100 anos de funcionamento. A especialidade é o butifarra – um sanduíche feito com jamón del país (carne de porco), cebola roxa e salsa criolla. No fim da tarde, visite o Parque de la Reserva: o local tem 13 fontes enormes, e todo dia às 19:15, 20:15 e 21:30 há um espetáculo musical de águas e luzes para assistir entre os bancos e gazebos.

Escolha um dos restaurantes de Miraflores para jantar, porque em Lima a melhor coisa a se fazer é comer. Continue lendo para saber o que fazer em 10 dias no Peru.

DIA 4 – Cusco e ruínas próximas

Chegue em Cusco e descanse algumas horas no hotel: você precisa se aclimatar à altura. Tome um chá de coca assim que chegar. Se sentir tontura, compre pílulas para soroche na farmácia. Se ainda não tiver seu ingresso para Machu Picchu, compre no Ministerio da Cultura (no Google Maps está como “ Payment Center”) na Calle Garcilaso.

Se hospede mais próximo da Plaza de Armas possível e saia para dar uma volta: vá à Catedral e à Plaza San Francisco e depois a Qorikancha pra ver um museu legal pra entender os povos que já habitaram a região. Pra comer vá ao Mercado San Pedro, com feirinha e vários quitutes.

Aí, veja um mapa de Cusco e vá seguindo o caminho por dentro da cidade até o sítio arqueológico de Sacsayhuaman, subindo por escadaria. Lá, compre o Boleto Turístico, que vai te dar acesso a essa e outras atrações. Dali, Kenko, Tambomachay e Pukapukara são outras ruínas que ficam numa mesma estrada, é só ir subindo a pé ou tomar um táxi ou van.

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DIA 5 – Chinchero, Moray e Moras

Pegue em Cusco um colectivo (vans que correm por todo Vale Sagrado) ou táxi até Chinchero. Lá tem uma igrejinha, terraços incas, uma vista inacreditável para as montanhas e um mercado legal às terças, quintas e domingos.  Daí pegue outro colectivo ou táxi até o desvio de Maras, um ponto no meio da estrada. Vários táxis ficam ali para levar até Moray e Salinas. Moray, a mais legal delas, tem buracos gigantescos com terraços concêntricos onde os incas faziam experiências de cultivo, e Salinas tem, bom, salinas, usadas para a extração de sal desde a época dos incas. Depois, peça para o táxi te levar de volta à estrada e tome um colectivo de volta a Cusco.

DIA 6 – Ollantaytambo e ida a Águas Calientes

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Deixe a manhã para se organizar e dar uma última passeada por Cusco e almoçar. Prepare uma mochila pequena com o que você precisa para uma noite e deixe sua mala grande no locker do hotel. Umas 14h, pegue um colecctivo (pergunte no seu hotel da onde ele sai) até Ollantaytambo, e veja as ruínas da cidade, que são incríveis.  Compre no site da Peru Rail o trem para Machu Picchu saindo de Ollantaytambo às 19h ou às 21h. Durma no vilarejo de Águas Calientes. Continue lendo para saber o que fazer em 10 dias no Peru.

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DIA 7 – Machu Picchu e retorno a Cusco de noite

Acorde às 5h e suba à Machu Picchu (compre um lanche em Cusco para levar). O ingresso do primeiro turno teoricamente deixa visitar das 6h às 12h, e novas regras de visitação indicam obrigatoriedade de guia, mas relatos de viajantes recentes dizem que elas não estão sendo aplicadas. Além do conjunto principal de ruínas, vá à Puerta del Sol e à ponte inca. Compre o trem da volta saindo às 15h20 ou às 16h20 de Águas Calientes para Ollataytambo. Chegando na estação, procure as vans que levam até Cusco. Durma em Cusco.

DIA 8 – Ônibus diurno a Puno

Compre o ônibus da Inka Express para ir de Cusco a Puno por US$ 50. Admito que é um passeio meio turisticão, mas acho legal porque ele vai parando por vários pontos e ruínas ao longo da estrada, te dá a oportunidade de descansar do rolê Machu Picchu do dia anterior e também inclui almoço. Veja a rota do site da companhia. Chegue em Puno no fim da tarde, faça check-in e vá dar uma volta pela Calle Lima, que concentra restaurantes e lojas. Se der tempo, suba no Mirador el Condor e veja a Catedral da cidade.

DIA 9 – Passeio no Lago Titicaca

Compre o passeio de barco pelas Islas Uros e Taquile, que dura o dia todo. Uros são as famosas ilhas flutuantes, feitas inteiramente de totora, uma espécie de junco que cresce no lago. À medida que as camadas de totora do fundo da ilha vão apodrecendo, eles adicionam novas plantas.  Os uros, que falam a língua aimará, construíram essas ilhas na tentativa de fugir dos incas e dos collas. O passeio leva até uma delas, onde vivem cerca de quatro famílias. Os uros vendem artesanato e oferecem tours de barcos feitos também de totora. É daqueles passeios que você não sabe se está ajudando eles ou explorando, porque as comunidades são muito pobres. Fica aí esse questionamento ético. Taquile é uma ilha propriamente dita. Seus cerca de 2,2 mil habitantes falam quechua, mantém forte identidade local e raramente se casam com pessoas de fora. O cenário, com o sol refletido no lago azul, é encantador, uma das melhores paisagens desses 10 dias no Peru.

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DIA 10 – Puno e volta ao Brasil do aeroporto de Juliaca

Se ainda tiver tempo em Puno, vá a Sillustani. Principal sítio arqueológico nos arredores de Puno (feche um táxi ou excursão nas agências da cidade). São torres funerárias (as mais altas com 12 metros) construídas pelos collas, uma tribo que dominava a área do Lago Titicaca e foi dominada pelos incas no século 15. Eles enterravam a aristocracia nessas torres, chamadas chullpas. Ao redor está o lago Umayo, com plantinhas e aves andinas.

Se puder ficar um dia a mais, sugiro dormir na Isla Amantaní. Há uma balsa que parte do porto de Puno todos os dias por volta das 8h, mas confirme quando chegar. Uma vez na ilha, a Hospedagem Comunitária Amantaní , que reúne famílias da ilha, vai definir uma casa de família para você ficar, normalmente com pensão completa. Tudo é simplérrimo, a eletricidade, só por gerador, vem e vai. Mas o povo simpático conquista. À noite, eles fazem danças típicas com a turistada.

O aeroporto de Juliaca fica a 30 km de Puno, pegue um táxi ou transfer.

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A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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