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O que fazer em Lyon, a cidade francesa que vai te surpreender

Taí uma cidade subestimada.

Lyon, a terceira maior metrópole francesa, muitas vezes passa batido aos olhos dos turistas brasileiros, ávidos por destinos mais tradicionais. A distribuição geográfica curiosa ajuda a cidade a preservar seus cantinhos em bairros tão diversos que fazem de Lyon uma espécie de colcha de retalhos perfeita até mesmo em suas imperfeições. Ela tem um charme arrumadinho bem parisiense, com suas ruas limpas e largas, suas passarelas vermelho-carmim sobre o rio Saône, mas balanceia tudo com um lado moderno super vívido, expresso em seus prédios de arquitetura futurista e cores vivas.

TURISMO EM LYON

Ainda são poucos os nossos conterrâneos que se dispõem a fazer turismo em Leon – pelo menos três dias são necessários para ver o básico da cidade. Apesar de pouco conhecida por nós, a cidade impressiona ao reunir vários atrativos. A localização perfeita faz com que a cidade seja ótima parada em roteiros multicidades: em menos de duas horas de trem dá para chegar a Paris, Marselha, aos alpes suíços de Genebra ou aos campos de lavanda de Aix-en-Provence. Alongando um pouco mais o deslocamento você alcança estações de esqui, como Courchevel, e cidades de praia, como Nice. Ir para países como Itália, Espanha e Marrocos também é bem fácil: o aeroporto de Lyon passou por uma ampliação e ganhou muitos voos internacionais novos, inclusive de low-costs.

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Se bobear, você já passou bem perto de Lyon em algum de seus roteiros (realizados ou imaginados) pelo continente europeu. Agora está na hora de incluí-la na próxima viagem. Aqui, veja um roteiro perfeito de três dias na cidade e os melhores eventos para curtir Lyon o ano todo:

TURISMO EM LYON

DIA 1

MANHÃ

Turismo em Lyon: o melhor jeito de entender Lyon é começar a explorá-la pela Place Bellecour. A imensa praça simétrica, adornada por uma estátua de Luís 14 no centro, é o centro nevrálgico da cidade. Do norte da praça sai a Rue de la République, importante via de pedestres onde se alinham Zaras e Starbucks, e também a Rue du Président Edouard Herriot, que abriga Hermès, Louis Vuitton e outras chiquezas. Subindo esta última desde Bellecour chega-se rapidinho à Place des Jacobins, outra praça emblemática, esta marcada por um chafariz de mármore claro que rende belas fotos. O nome é em homenagem a um convento da ordem jacobina que ali ficou até ser destruído durante a Revolução Francesa. Hoje o entorno é dominado por belas vitrines e alguns cafés. Vale a pena escolher um deles para um café da manhã tardio. Um dos mais legais é o Slake Coffe House, que segue aquele padrão de anti decoração, com paredes inacabadas e muita madeira de demolição. Por ali, prove o bolo de cenoura coberto com cream cheese e os ótimos lattes, decorados à perfeição.

TARDE

Depois de bater perna e admirar as vitrines dos arredores da Place des Jacobins, continue subindo a Rue du Président Edouard Herriot até chegar à fervilhante Place des Terreaux, onde estão a prefeitura da cidade, seu maior chafariz e seu museu mais tradicional. O Hôtel de Ville, pomposo prédio da administração da cidade, infelizmente é fechado ao público, mas compõe bem o cenário com a Fontaine Bartholdi, enorme chafariz que marca o centro da praça. A obra foi parar em Lyon quase por acaso, depois de o prefeito de Bordeaux desistir da encomenda que havia feito ao artista. Envolvendo um pátio ajardinado gracioso, o Museu de Belas Artes de Lyon tem um acervo de respeito, com obras de Rembrandt e Picasso. Vale a pena principalmente pela sala de esculturas, que impressiona pelo pé direito alto e pela profusão de Rodins. Antes de adentrar os salões do museu, escolha entre um almoço ao ar livre no Les Terrasses Saint-Pierre, restaurante que ocupa um jardim nos fundos do edifício e tem menus a partir de € 22, ou o caminhe até o descolado Crock’n’Roll, que serve versões criativas do sanduíche croque monsieur, um dos mais clássicos da gastronomia francesa.

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NOITE

Turismo em Lyon: atrás do prédio da prefeitura, a poucos passos do museu, um símbolo arquitetônico reconta uma história curiosa. A Ópera de Lyon perdeu boa parte de sua cúpula quando foi atingida, em 1826, por um grande incêndio. Por conta disso, o interior é todo contemporâneo, decorado em tons de preto e vermelho que aludem ao fogo. Em um esforço para atrair o público jovem, menores de 28 anos têm direito a ingressos a partir de 10 euros. Escolha um dos espetáculos que começa às 19h30, compre online e chegue um pouco antes do horário para explorar os salões internos e observar o movimento da Place Louis Pradel, ao lado da ópera, onde skatistas se reúnem no começo da noite. Ao fim do concerto, opte por um restaurante com horários pouco ortodoxos para um jantar tardio. Ali perto, o tradicionalíssimo Grand Café des Négociants tem um ambiente pomposo, com cortinas pesadas e paredes ornamentadas, e serve pratos de brasserie, como steak tartar e sopa de cebola gratinada. Para encerrar a refeição, ignore as sobremesas e peça uma xícara do espesso chocolate quente, que tem fama de ser o melhor da cidade.

TURISMO EM LYON

DIA 2

MANHÃ

Comece o segundo pelo bairro histórico da cidade, onde os prédios coloridos parecem ter saídos de um pequeno vilarejo italiano à beira mar. As ruelas estreitas de Vieux Lyon são ladeadas por um casario medieval bem preservado. As portas dos predinhos, que se abrem e fecham a toda hora, escondem um segredo. São as traboules, passagens secretas que levam de uma rua a outra passando por dentro de imóveis inteiros. Durante a Segunda Guerra, as passagens foram usadas para despistar os nazistas.

Turismo em Lyon: quem não tem tempo de descobri-las por conta pode dar uma roubadinha usando o app Traboules, que organiza todas em um mapa. Além dos corredores misteriosos, Vieux Lyon também guarda uma miríade de lojinhas de souvenirs e restaurantes pega-turista anunciados como ‘bouchons’, bem típicos, de decoração pitoresca e pratos rústicos. Um dos poucos por ali que representa bem a tradição é o Les Fines Gueules, onde o menu de três etapas sai por € 27. Depois do almoço dê um pulo na Terre Adélice, que vende 96 tipos de sorvetes, de sabores como manjericão ou pão de mel, em sua maioria orgânicos.

TARDE

Quase todas as pequenas ruas do bairro de Vieux Lyon desembocam na Place Saint-Jean,

onde está a grandiosa Cathédrale Saint-Jean-Baptiste, que tem um dos relógios astronômicos mais antigos de toda Europa. Os vitrais de seu interior impressionam, mas não são páreo para os da Basilique Notre-Dame de Fourvière. Encarapitada no topo da colina de Fourvière, a igreja símbolo de Lyon pode ser acessada por um funicular que sai da Place Saint-Jean e, em 15 minutos, alcança o complexo que inclui, além da basílica, um parque, uma loja de souvenir e um restaurante. O bondinho vermelho, um charme, está na ativa desde 1900. Uma vez lá em cima, comece a visita pelo jardim da igreja, que oferece um panorama matador da cidade, emoldurada pelos Alpes ao fundo nos dias claros. A visão compete com a que se tem no interior da basílica, todinha forrada por mosaicos de inspiração bizantina capazes de embasbacar até os menos devotos.

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Turismo em Lyon: depois de explorar a Fourvière, que tem o apelido de “a colina que reza”, é hora de partir para a “colina que trabalha”. A Croix Rousse, que se eleva a partir da Place des Terreaux, ganhou esse apelido graças à enorme quantidade de indústrias têxteis ali presentes. Pegue o metrô na estação St. Jean, na base do funicular, e desça na estação Croix-Rousse. A encosta que trabalha hoje concentra butiques e muitos bares em espaços antes dedicados à produção de tecidos, atividade que fez Lyon florescer economicamente. No século 19, mais de 30 mil canuts (gíria local para os trabalhadores braçais) moravam e trabalhavam ali. O bairro sustenta o espírito fashion em endereços como o Village des Créateurs, uma galeria a céu aberto onde novos designers, escolhidos em um concurso, podem exibir suas criações gratuitamente. A poucos passos dali, a L’Effet Canopée, misto de ateliê, café e lojinha, é uma síntese dos ares cool que tomaram o bairro. Entre uma lojinha e outra, vá descendo pela Montée de la Grande Côte, uma rua de pedestres das mais fotogênicas, que começa em um jardim com mirante a poucos passos da estação de metrô, de onde se tem vistas matadoras do pôr do sol.

NOITE

Não muito longe da Montée de la Grande Côte fica o restaurante La Mère Brazier, um dos 15 estrelados pelo Guia Michelin em Lyon. Na Croix-Rousse há mais outras tantas casas que, mesmo sem estrela, capricham na cozinha de autor, como o Bistrot des Voraces e Le Potager des Halles – em ambos, reservas são imprescindíveis para o jantar. Bem na frente deste último há sempre alguns turistas parados, olhando fixamente para o alto. Eles observam não um prédio comum, mas um afresco trompe l’oeil que simula uma fachada, o chamado Fresque des Lyonnais. Nas janelas de mentirinha estão 30 célebres lioneses que enchem de orgulho os locais, como Saint-Exupéry, autor do Pequeno Príncipe, e o chef Paul Bocuse, que revolucionou a cozinha francesa e criou um pequeno império gastronômico na cidade.

TURISMO EM LYON

DIA 3

MANHÃ

Começar o dia fazendo exercícios garante uma dose extra de energia para o resto da jornada e, em Lyon, moradores ávidos por endorfina convergem para o Parc de la Tête d’Or. O pulmão verde de Lyon tem que figurar no roteiro de qualquer turista. Experimente alugar uma bike pelo sistema público Vélo’v – há estações em quase todas as entradas do parque e o sistema aceita cartões de crédito brasileiros. Ou então vá de metrô até o portão principal, todo decorado com ornamentos rococó, e caminhe pela alameda principal do parque até o pequeno zoológico. No caminho, vale fazer uma parada no parque infantil, onde brilha um enorme carrossel de 1895. Para o café da manhã, recomendo os waffles (gaufres, em francês) com geleia artesanal à venda no tradicionalíssimo trailer em frente ao carrossel. Se você prefere crepes, escolha o recheado com caramelo salgado, especialidade da casa.

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TARDE

Turismo em Lyon: antes de começar a explorar o leste de Lyon, região heterogênea e cheia de contrastes, sugiro um pit-stop para almoço no principal mercado da cidade, o Les Halles Paul Bocuse, com estandes dos melhores produtores da região. Vale colocar na sacola pelo menos uma peça do cremoso queijo St. Marcellin e algumas garrafas de vinho do Beaujolais. O box da Giraudet é a dica para provar um prato simbólico de Lyon, a quenelle de brochet, espécie de bolinho de peixe servido com molho de lagostins. Encerre com uma tarte praliné, tortinha coberta com um caramelo de amêndoas bem vermelho, sobremesa mais famosa da cidade.

Depois do almoço é hora de desbravar o bairro de Monplaisir, ainda mais ao leste, onde cresceram os irmãos Lumière, inventores do cinema. No pátio da fábrica da família os dois testavam suas criações – a primeira cena que registraram era justamente a balbúrdia na saída dos operários. A mansão da família é hoje o Musée Lumière, que reúne câmeras e gravações antigas, além de outras invencionices dos irmãos, como o Photorama, que registrava imagens em 360 graus, e um rudimentar projetor 3D. Outro bairro moderno de Lyon é a pedida para o fim de tarde, especialmente os de verão, quando o sol se demora no horizonte até quase 20h. Nesses dias é ainda mais gostoso se aventurar por Confluence, um antiga zona portuária, feiosa e degradada, que recebeu milhões em investimentos e hoje abriga prédios de arquitetura futurista, bem coloridos.

Comece o percurso na Place Nautique, baía artificial onde atracam barquinhos de viajantes que singram os rios da região.

Turismo em Lyon: escolha ao acaso um dos restaurantes com mesinhas no calçadão para um happy hour com vista. Da mesa, repare na arquitetura do Hotel de Région, que tem um quê marítimo, e do shopping Confluence, cheio de janelões e terraços. Os dois fazem parte da primeira fase do ambicioso plano de reurbanização do bairro, estimado em 1 bilhão de euros. O projeto visa a tornar a área autossuficiente e sustentável. Até o momento, parece estar funcionando: já são 10 mil moradores e 550 empresas na região.

NOITE

Uma caminhada noturna pelo bairro de Confluence é a melhor pedida se você quiser evitar as hordas de trabalhadores saindo das empresas que proliferam por ali. Aproveite o começo da noite para vagar sem pressa pelo Quai Rambaud, reparando nos gigantes edifícios coloridos que parecem até brinquedo de criança. O laranjão, apropriadamente apelidado de Cubo Laranja, é um dos pioneiros e ganhou um irmão em 2015, o Cubo Verde, projetado pelo mesmo escritório. Um dos poucos entrepostos de mantimentos preservado agora abriga galerias de arte (é lá que rola a Bienal de Arte Contemporânea) e, no terraço, a balada Sucre, que promove as festas de música eletrônica mais comentadas da cidade – espere DJs internacionais e preços salgados. A caminhada alcança seu apogeu na chegada ao Musée des Confluences, inaugurado no final de 2014 e não por acaso localizado na confluência entre os dois rios de Lyon, Rhône e Saône. Impossível não se impressionar com o prédio espelhado que, segundo os arquitetos, se inspira no formato de uma nuvem. Se o passeio for feito em uma quinta-feira, dá para conferir as exposições interativas temporárias, já que nesse dia o museu permanece aberto até 22h. Um jantar no restaurante do complexo, a Brasserie des Confluences, é o desfecho mais aprazível da jornada por esse admirável bairro novo.

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TURISMO EM LYON

EVENTOS EM LYON

O calendário cultural do turismo em Lyon é dos mais convidativos – faça sol ou faça chuva, sempre tem algo rolando. O evento mais importante é sem dúvida a Fête des Lumières (de 7 a 10 de dezembro). Nas quatro noites de celebração os monumentos da cidade recebem incríveis projeções em movimento. Mais de 3 milhões de turistas lotam a cidade para a festa, então convém reservar hospedagem e passagens com muita antecedência nessa época. Apesar do nome parecido, a festa não tem nada a ver com o Festival Lumière (outubro), festival de cinema que todo ano homenageia um cineasta diferente e promove exibições no hangar onde foi criado o primeiro cinematógrafo do mundo. Também é anual o Les Nuits de Fourvière (julho) com espetáculos de música, teatro e circo nas ruínas de um teatro romano na colina de Fourvière. Há ainda duas grandes bienais que ocorrem em anos alternados: a de Dança e a de Arte Contemporânea.

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