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Roteiro completo pra conhecer a região de Champagne, na França

Há centenas de regiões vinícolas do mundo em mais de 20 países. Mas existe apenas uma Champagne.

Champagne, na França, fica convenientemente a apenas 150 km de Paris, permitindo que você facilmente aprofunde seu conhecimento sobre o espumante mais célebre do mundo visitando as grandes grifes e as pequenas produtoras. Veja abaixo o roteiro completo pra conhecer Champagne, na França.

Champagne, na França

COMO CHEGAR À REGIÃO DE CHAMPAGNE, NA FRANÇA// BATE-VOLTA OU NÃO?

Pela proximidade, é possível fazer um bate-volta só pra visitar alguma vinícolas, mas dormir uma noite te permite conhecer os vilarejos e alguns produtores menores. Agências de turismo vendem passeios de um dia a Champanhe, como a Paris Champagne Tour e a Bike About Tours, com degustações e visitas a Reims e Épernay. Por conta própria, você pode tomar o trem até Reims: são apenas 45 minutos de viagem a partir de Paris, desde € 17 – passagens no site da SNCF. Se for dormir por lá, sugiro alugar um carro para passear pelos vilarejos. A saber: esse rolê pela região só vale a pena se o tempo estiver bom, do meio de maio até setembro; no frio os vinhedos estão “mortos” e a paisagem fica meio opaca. Se for o caso, aí vale mais a pena o bate-volta só pra conhecer uma vinícola. Atente ao fato de que muitas fecham entre dezembro e março.

Importante: visitar regiões vinícolas requer organização; quase sempre é preciso reservar horário pra visitar as produtoras. Em Champagne, na França, as grandes “maisons” permitem que você o faça preenchendo um formulário no site – melhor umas duas semanas antes da viagem, pra garantir. No dia agendado, não chegue atrasado (eu perdi uma visita porque apareci 15 minutos além do horário). Nos tours, você entende as regras rígidas que ditam a produção da bebida: ela é feita de acordo com o “método champenoise”, no qual o vinho é submetido a uma segunda fermentação já dentro da garrafa, a que produz gás carbônico, as bolhinhas da bebida – as uvas são sempre pinot noir, pinot meunier e chardonnay, colhidas obrigatoriamente de forma manual. Ao redor do mundo existem outros espumantes feitos por esse método, mas não podem ser chamados de champagne por não terem sido produzidos ali.

REIMS

A principal cidade de Champagne, na França, é Reims, cujo centro histórico tem bulevares amplos, cafés art déco, lojas e alguns restaurantes, concentrados na Place Drouet-d’Erlon. O maior atrativo a cidade é a monumental Catedral de Notre Dame, daquelas igrejas grandiosas que da entrada você não consegue enxergar os fundos e que deixam algum tipo de cântico gregoriano tocando baixinho para te fazer entrar no clima. A construção gótica de mais de 800 anos serviu de palco para a coroação de cerca de 34 soberanos ao longo dos séculos – entre eles Carlos VII, com Joana d’Arc ao seu lado. Repare nos diversos conjuntos de vitrais – um deles foi produzido pelo artista Marc Chagall, em 1974. Ao lado dela, veja também  e a residência dos arcebispos de Reims, o Palais de Tau.

reims-catedral

Maisons de champagne em Reims: grandes vinícolas têm sede em Reims, como a G.H. Mumm (que fornece as garrafas que dão banho nos campeões da Fórmula 1) – pra visitar, entre no site e clique em “book your visit”. De março a outubro os tours são feitos todos os dias das 9h30 às 13h e das 14h às 18h e duram 1h30.

A Veuve Clicquot (veja as opções de tour, desde € 25, e reserve no site) é interessante pois guarda um pequeno museu com uma completa documentação que conta a história da madame Clicquot, que ficou viúva aos 27 anos (em 1805), incrementou a bebida ao criar o processo de “remuage”, usado até hoje para deixá-la mais pura, e se tornou uma das primeiras grandes mulheres de negócios do mundo moderno. Depois,  você é conduzido 25 metros embaixo da terra até as adegas piramidais (construídas nos tempos dos romanos!).  A sensação é de estar numa sauna fria, provida pelo solo de calcário, que mantém a temperatura baixa (de 10 a 12 graus) e úmida. Ao voltar à superfície, você degusta uma taça de demi-sec no jardim, numa espécie de food truck laranja com mesinhas de metal na frente. Dentro do prédio principal, o pessoal se esbalda numa loja de suvenires que vende garrafas (a mais barata,
€ 34), camisetas e toalhas com o logo da marca.

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As caves milenares da Veuve Clicquot

Outra opção interessante é a Maison Ruinart, que também tem um impressionante conjunto de caves  a mais de 30 metros debaixo da terra, percorrendo galerias que levam até antigas minas de calcário, hoje classificadas como monumento histórico. Termina-se com uma degustação de dois rótulos, o Ruinart Blanc de Blancs ou o Ruinart Rosé. O tour, que leva duas horas, é um pouco mais caro que os demais: € 70 por pessoa. Agende pelo site.

ONDE SE HOSPEDAR EM REIMS:

Pra quem vai em lua de mel e/ou procura uma hospedagem inesquecível, o Domaine Les Crayères (diárias desde € 395; foto abaixo)  está instalado uma antiga mansão do século 19 com entalhes nas paredes, molduras rococó, lustres opulentos, camas enormes e jardins impecáveis. Tudo a ver com a experiência por Champanhe. Outro cinco-estrelas bacana é o L’ Assiette Champenoise (diárias desde € 186), com 33 pequenos quartos.

Tirando eles, Reims não tem uma superhotelaria, com muito hotel de rede sem graça tipo Holiday Inn e Best Western. Uma escolha legal é o Les Telliers (diárias desde € 80), a 300 metros da catedral, que dá a chance de pagar pouco e ficar num lugar gracinha. Ele conta com quartos com pé direito alto decorados com lareiras ornamentais, piso de carvalho e objetos de antiguidade. O café da manhã farto está incluso na diária. O La Parenthése tem pegada parecida, de pousadinha fofa e bem decorada, mas exige mínimo de duas diárias (por € 180).

VEJA MAIS HOTÉIS EM REIMS AQUI

ONDE COMER EM REIMS:

No centrinho há algumas boas escolhas como o Café du Palais, tocado pela mesma família desde 1930, com massas e saladas por cerca de € 20 o prato. Outro local com bom custo/benefício é a brasserie La Cardinal, bem perto da catedral, que tem “pratos do dia” baratos. O Le Foch (menu-degustação desde € 33 no almoço de dia de semana e € 50 no jantar qualquer dia) tem pratos mais elaborados com opções de carne ou peixe em receitas criativas.

O melhor restaurante de Reims é o do hotel L’ Assiette Chapenoise, com nada menos que três estrelas no Guia Michelin e pratos que são quase uma obra de arte. Menus desde € 185. O concorrente é o Le Parc, dentro do Domanie Les Crayères (foto abaixo), com duas estrelas no Michelin (o menu-degustação sai cerca de € 200 e o à la carte tem pratos entre € 58 e € 125). Os pratos (o porco com aspargos com crosta de sal foi inesquecível no meu jantar) são trazidos, um a um, por garçons na estica. O melhor champagne da carta é provavelmente o 1995 Charles Heidsieck Champagne Blanc des Millénaires.

ROTA DO CHAMPAGNE, NA FRANÇA

Você pode cumprir essa rota curta de 55 km em um dia, indo de Reims a Épernay, outra cidade importante da produção de Champagne, na França. Ela percorre estradas em ziguezague através de encostas cobertas de vinhedos, trechos de bosques, pequenas vilas com casas cor de areia com lojinhas e várias vinícolas. Coloquei como sugestão abaixo conhecer a Champagne Ployez-Jacquemart, mas tem muitas outras.

Comece indo ao Farol de Verzenay (a 18 km de Reims): subindo os 101 degraus que levam ao topo é possível ter um panorama da região do alto.

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Farol de Vazernay

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A próxima parada é a Champagne Ployez-Jacquemart, uma das mais prestigiosas pequenas produtoras da região. Diferente das grandes maisons, como a Clicquout, nas nanicas não há tours guiados: quem te recebe são ajudantes dos proprietários (ou os próprios donos), que conduzem pelas instalações e convocam a uma degustação (normalmente é preciso marcar horário por email, mas você pode arriscar bater à porta). Continue dali até Hautvillers, a 20 km, pra ver como tudo começou: foi lá que o monge dom Pérignon criou o tal “método champenoise”, no século 17 – hoje, pode-se tirar foto com seu busto e túmulo na frente do altar da bonita Igreja Abbatiale.

Antes de chegar a Épernay, você pode parar no Cité du Champagne (aberto de terça a domingo das 9h às 17h) no vilarejo vizinho de Aÿ. O museu, aberto em 2015, conta a história da produção da bebida em Champagne, na França, com peças antigas e murais explicativos.

ÉPERNAY

Mais 5 minutos de estrada e chega-se a Épernay, autoproclamada capital do champagne – debaixo de suas ruas há 110 km de adegas subterrâneas). Maisons célebres estão enfileiradas na Avenue de Champagne. Pra visitar a Moët & Chandon, num belo palácio, entre no site e preencha o formulário. A visita tradicional dura 45 minutos e custa € 24. Cheque os horários de funcionamento, que variam de mês a mês, o horário é de 9h30 a 11h30 e de 14h às 16h30.  Pra visitar a Mercier, também reserve pelo site (o mais básico custa € 16).

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O almoço pode ser no restaurante La Cave à Champagne. Num salão aconchegante, locais traça – vam o menu do dia, com escargot, ostras, quiches e uma saborosa sopa de lentilha com foie gras. Pra um bistrô mais chiquezinho, veja o La Grillade Gourmande ou o La Banque.

Daqui em diante, vai depender do rumo que tomar sua viagem. Por ser tão pertinho de Paris, a rota do Champagne, na França, pode fazer parte de vários itinerários – a capital francesa está a apenas 180 km de Épernay. Não acho que valha a pena dormir em Épernay, a não ser que você esteja indo pra outro destino próximo no dia seguinte.  Se quiser continuar por regiões vinícolas, você pode seguir até Dijon, a 340 km, e conferir a rota dos “Grand Crus” da Borgonha.

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A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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Há 9 comentários para “Roteiro completo pra conhecer a região de Champagne, na França

  1. Oi Betina! Gostei muito do seu post. Fiquei com uma dúvida. É tranquilo fazer esses roteiros de carro? Tem muitas blitz? Da pra fazer as degustações e dirigir ou é arriscado?

    1. Oi Gislayne! Esse é sempre um problema em roteiros de vinho. Eu não vi blitz (e duvido muito que tenha nos vilarejos menores), mas é sempre perigoso né. Uma ideia é deixar para beber mais em Reims e Epernay e se hospedar nessas cidades logo depois.

  2. Olá Betina, obrigada por compartilhar as informações, é a melhor descrição que vi da região.
    Fiquei com uma dúvida em relação aos horários de visitas. Quando se diz que é das 9:30 as 11:30 significa que posso entrar para visitação até as 11:30? Quero visitar Mercier e a Chandon, mas acho que não consigo chegar as 9:30.
    Obrigada.

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