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30 horas em Capri: a Gruta Azul e o melhor da incrível ilha do sul da Itália

ILHA DE CAPRI: Falésias, grutas, mansões mediterrâneas, centrinhos charmosos, vegetação exuberante e comida bem italiana com o azul do Mar Tirreno de pano de fundo.

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A ilha de Capri sempre foi um destinão. César Augustus, o primeiro imperador romano, se encantou tanto com suas paisagens que trocou a vizinha Ischia por Capri logo ao pisar lá. Após declarar o Bloqueio Continental, Napoleão ordenou que suas tropas invadissem a ilha e tomassem controle da área. Já na segunda metade do século XIX, Pablo Neruda e outros artistas e escritores fizeram de lá seu refúgio de verão.

É bem fácil de entender o porquê dessa reputação através dos séculos. Capri tem uma topografia acidentada com formações calcárias impressionantes, uma gruta azul fosforescente (entre outras tantas), ruelas estreitas onde turistas só podem andar de scooter e os táxis são carrinhos de golfe, casinhas coloridas e luxuosas construções mediterrâneas no alto da montanha, lojas com roupas de linho e artesanato de cerâmica, flores e vegetação bem cuidada por todo lado. E o mítico vulcão Vesúvio de fundo.

Hoje, a ilha é frequentada principalmente por europeus ricos, alguns famosos e turistas de bate-volta em excursões pela região, principalmente de junho a agosto. Por isso, se der, opte por viajar a Capri no final de maio ou de agosto, quando o calor ainda é gostoso, os preços descem e você não precisará se deparar com paus de selfie a cada esquina.

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ILHA DE CAPRI: A GRUTA AZUL E O MELHOR DA ILHA MAIS INCRÍVEL DA ITÁLIA

COMO IR: Capri está a 265 km de Roma, no Golfo de Nápoles, sul da Itália. Há trens partindo de Roma a Nápoles por cerca de € 40 pelo menos a cada 30 minutos na alta estação (mai-set), a viagem dura uma hora; em Nápoles vá até o porto e pegue um ferry (tanto faz a companhia) por € 20 de mais uma hora até Capri.

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DIA 1: GRUTA AZUL, FARAGLIONI E PIAZZETTA

10h: Chegada em Capri e check-in no hotel –> o Carpe Mundi sugere uma noite memorável no Hotel Caesar Augustus (RESERVE AQUI!, diárias desde € 345), entre as melhores estadias que o blog já teve. No alto de um penhasco a 300 metros do nível do mar, o hotel membro da Relais & Châteaux, na mesma família há três gerações, tem uma das piscinas de borda infinita mais cobiçadas do mundo, elegância e conforto a cada canto e um serviço impecável. Veja mais: Caesar Augustus.

11h: Passeio de barco ao redor da ilha com parada na Gruta Azul (são as melhores horas [e fotos] da viagem). Os embarques rolam das 9h às 13h na Marina Grande*. Durante o tour você vê a bonita formação do Arco Naturale, gruta com arcada aberta datada do Período Paleolítico; a Casa Malaparte, um dos melhores exemplos da arquitetura italiana moderna e contemporânea; os Faraglioni, três picos de rocha calcária de cerca de 100 metros que se erguem ao mar, um deles (o mais famoso) com um arco por onde os barcos passam embaixo; entre outros. No fim há uma parada na Gruta Azul pra quem quiser conhecer sua água fosforescente. Só dá pra entrar na minúscula “portinha” da gruta com canoas de madeira, o que faz o processo todo ficar cansativo e levar uns 40 minutos (trocar de barco, fila pra entrar, fila pra sair). O barqueiro pede para o pessoal se deitar na canoa e, de repente, a escuridão da gruta dá lugar a um azul brilhante que parece estar iluminado por alguma luz artificial. Ele começa então a cantar Volare, oh oh, Cantare, oh, oh, oh, oh, e toda a espera parece se justificar. Ali está liberado o clichê 🙂

*Você pode selecionar uma empresa pra fazer o tour pela internet e já ir com os tickets impressos ou contratar uma na hora. A Motoscafisti é uma das mais procuradas para os tours em grupo e cobra € 16 pelo percurso (mais ingresso de € 13 pra entrar na Gruta Azul), já a Gianni’s Boat tem passeios privados de 2 horas desde € 150. A vantagem de alugar um barco: você não precisa esperar tanto tempo pra entrar na Gruta Azul como nas excursões, vai parando em grutas desconhecidas pelo caminho pra nadar e aproveita de comes e bebes (até champagne) durante o tour.

13h: Peça para o seu barqueiro te deixar no restaurante e beach club Il Riccio, literalmente colado na Gruta Azul, em vez de retornar com o barco maior à Marina Grande. Você sobe a escada de pedras falésia acima e encontra cabanas de praia branquinhas e espreguiçadeiras com toalhas azul-náutico. No andar superior, o restaurante fino com uma estrela Michelin serve carpaccios de frutos do mar, massas caseiras e peixes do dia grelhados. Depois da refeição dá pra curtir a tarde por ali.

17h: Porta de entrada de Capri, a Marina Grande e suas casinhas coloridas parecem mais charmosas vistas de longe, ainda do ferry. A questão é: na alta temporada fica difícil de aproveitar a área, tomada por mil excursões e gente demais. Melhor evitar comer ou comprar por ali (preços inflacionados) e pegar o funicular até a Piazza Umberto I – ou simplesmente Piazzetta –, sua Torre dell’Orologio e arredores. Cercada por lojinhas, cafés e restaurantes, a praça quadrada com vista é o coração de Capri. Ao longo da Via Camerelle você verá grifes como Dolce & Gabbana, Hermès e Roberto Cavalli, mas são endereços menos populares que valem mesmo a pena. Dê uma olhada na Eco Capri, que faz bordados praianos exclusivos em almofadas, estojos e bandejas; nas sandálias de couro da tradicional Da Costanzo (Via Roma 49); na Farella e suas malhas finas de cashmere tecidas na própria loja e nas cerâmicas originais e coloridas da Eureka.

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20h: O jantar pode ser no ótimo La Capannina, a 100 metros da Piazzetta, que serve o típico ravióli Capresi desde 1931. Por suas mesas com toalhas rosas já passaram Julia Roberts, Silvester Stallone, Uma Thurman e um sem-fim de celebridades, que hoje estampam fotos na parede. Coma sobremesa ali pertinho na clássica Gelateria Buonocore (Via Roma, 36), onde o destaque são as casquinhas quentes e crocantes feitas na hora – prepare-se pra pegar fila.

23h: Al Piccolo Bar (Piazza Umberto I), primeiro bar/café da Piazzetta, pra ver e ser visto, bom pra pedir uma bebida a céu aberto e sentir o agito do centrinho de Capri. Se quiser estender a noite, a pedida é o Anema e Core, taverna escondida atrás de uma simplória porta branca com teto com vigas de madeira e mesas de bar onde celebridades como Beyoncé e Jay-Z vêm assistir as performances do lendário Guido, figura local.

DIA 2: VIA KRUPP E ANACAPRI

9h: Dos terraços floridos dos Jardins de Augusto, com vista de 180 graus de Capri (incluindo os Faraglioni) e as mais variadas espécies de flora, chega-se à Via Krupp, uma trilha pavimentada toda em ziguezague que forma um dos visuais mais cênicos da ilha. Sua construção foi um capricho do empresário alemão do aço Friedrich Alfred Krupp, que idealizava um caminho mais fácil desde seu hotel até a baía de Marina Piccola (onde fica uma prainha deliciosa com vista para os Faraglioni). Desde 1976, a via fica quase sempre fechada pelo risco de desabamento de pedras – inclusive atualmente – mas é um dos pontos mais visitados da ilha pela foto cênica que se tira lá de cima.

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10h: Anacapri, o segundo núcleo da Ilha de Capri, tem um centrinho histórico bem mais tranquilo que os entornos da Piazzetta. Exclusiva pra pedestres, espremida entre construções floridas, está a Via Giuseppe Orlandi, onde vale caminhar pelo trecho que vai da Casa Rossa (com uma miscelânea arquitetônica com detalhes árabes nada a ver com o restante da ilha e que mostra imagens da Capri do século XIX e três estátuas romanas encontradas na Gruta Azul) até a praça San Nicola e a barroca Igreja de San Michele, com planta octogonal em forma de cruz grega famosa pelo pavimento de mosaico. Assim como no centrinho da vizinha Capri, por ali estão lojinhas vendendo roupas de linho, artesanatos graciosos e produtos locais, fora cafés e restaurantes.

12h: Visite a Villa San Michelle, outro fotogênico jardim, com vista pra Marina Grande. Construído pelo médico sueco Axel Munthe no início do século XX, tem um bonito pergolado de plantas beirando o oceano desde sua ex-casa, agora museu. Saindo dali aproveite pra dar uma passada na loja vizinha Sapori de Capri (Via Axel Munthe, 16), o melhor endereço pra comprar artigos a base de limoncello (famoso licor produzido no sul da Itália).

13h: Almoço com vista e preços bem justos no restaurante e hotel Da Gelsomina, onde as azeitonas são plantadas e os vinhos produzidos no jardim da propriedade. O melhor: há transfer gratuito saindo do centrinho de Anacapri. É só ir no quiosque de informações logo no início da Via Giuseppe Orlandi e pedir pra ligarem para o número 081 8371499.

15h: Pegue o teleférico em Anacapri rumo ao Monte Solaro, o ponto mais alto de Capri, a 589 metros do nível do mar. Tem o panorama mais bonito da ilha, com a melhor vista dos Faraglioni. Subida e descida custam € 11.

RETORNO A NÁPOLES: O ideal é chegar no porto pelo menos 40 minutos antes da partida da balsa pra dar tempo de comprar o ticket se você ainda não tiver, embarcar sem pressa e pegar um lugar bom pra sentar (não há lugar marcado).

*O Carpe Mundi viajou à Itália a convite da Smiles, programa de milhas com 12 parceiras aéreas que vai a mais de 160 países e 800 destinos, e do Airbnb, maior site de aluguel de casas e apartamentos do mundo. O conteúdo deste post é independente e reflete apenas a opinião da autora.

A autora

Anna Laura Wolff

Anna Laura Wolff

Jornalista por formação e fotógrafa por vocação, a editora do Carpe Mundi passou pelas redações da CARAS Online e da Viagem e Turismo. Depois de uma temporada em Paris, decidiu ser viajante full time.


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