Belém é a capital do estado do Pará, onde a Amazônia encontra o mar. Cheia de vida, cores e sabores, é uma cidade que está sendo descoberta aos poucos, que pode oferecer uma nova experiência de Brasil, com comida boa, paisagens naturais e uma grande bagagem cultural. Continue por aqui para conhecer mais sobre esse rico destino amazônico que deveria estar na wish list de viagens de todo bom viajante brasileiro.

Belém do Pará

ROTEIRO DE 3 DIAS

Belém é uma cidade onde a cultura pulsa e se mistura na rotina das pessoas. No seu jeito de ser, de viver, de agir – o paraense só descobre que é diferente quando conhece outros lugares. Por isso, como uma boa paraense, vou dar dicas turísticas com um gostinho de experiência local.

DIA 1

Para o primeiro dia, comece pela praça Complexo Feliz Lusitânia que foi onde Belém surgiu e se desenvolveu. Ali, hoje, estão muitos passeios culturais. A primeira parada é na Igreja Nossa Senhora do Carmo: a sua arquitetura teve influência do artista Antônio Landi no século 18 e possui um lindo altar em dourado, grandes pilares de mármore e de quebra um teto azul como o céu.

catedral-da-se-belem

De lá, vá caminhando para a Catedral da Sé, um dos centros católicos mais conhecidos da região, que além de ser a primeira igreja de Belém com influências da arquitetura barroca e neoclássica, em uma mistura entre a fachada em branco simples com os ornamentos extravagantes do interior, é o lugar de onde sai a tradicional procissão dominical do Círio de Nazaré em outubro.

Outra construção lindíssima e que também faz parte do complexo é a Igreja de Santo Alexandre, que, apesar de mais simples, tem um lindo altar talhado em madeira, uma verdadeira obra prima. Além disso, ela também hospeda o Museu de Arte Sacra de Belém: em seu acervo há cerca de 300 peças antigas, entre elas esculturas de madeira, quadros e muita prataria.

Bem ao lado está o Forte do Castelo que foi a primeira construção em Belém feita pelos colonizadores, e em seu interior está o Museu do Encontro, que conta um pouco sobre a população indígena que vivia no local – principalmente marajoara e tapajônica, através de artefatos cerâmicos utilizados pelos povos originários, peças indígenas e relíquias do sítio arqueológico. O Forte também tem a melhor vista do Mercado Ver-o-Peso (mais sobre ele abaixo).

Ainda por perto se encontra a Casa das 11 Janelas, que abriga um museu de arte contemporânea brasileira com exposições itinerantes e um acervo fixo de fotografias locais. Também vale conhecer o Museu do Círio. Se você tem curiosidade de entender e explorar mais a história de uma das maiores procissões religiosas do mundo, o Museu é uma boa pedida, além de destacar vários costumes interessantes praticados pelas famílias paraenses, como o uso dos brinquedos de miriti, a festa do boi, o Arraial da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, a importância da “corda” na procissão, o auto do círio e muito mais. Todos os espaços museológicos são gratuitos às terças-feiras, enquanto nos outros dias custam R$ 4 com direito a meia-entrada. Continue descendo a rua, passe pela Praça do Relógio e siga pela beira (como diria o paraense) até o Mercado Ver-o-Peso.

O Ver-o-Peso é uma construção de ferro de 1625 que faz parte de todo um complexo que inclui o mercado de carne, a feira do açaí, a estação das docas e mais.  Desde sua inauguração, funciona como um mercado de peixe, por isso é um dos melhores lugares para comprar os melhores produtos do gênero, como filhote, pescada-amarela, camarão e lagosta (até lagosta azul você encontra). Aos arredores do comércio há também uma feira com todas as delícias da região como frutas, castanhas-do-pará, farinha, cachaça de jambu, artesanato local, erveiras e as barraquinhas para tomar açaí com peixe frito. Encara?

BARRACAS-ERVEIRAS

Aconselho passar nas erveiras e escolher algum óleo ou remédio natural – elas são um show à parte no seu passeio, como a andiroba com copaíba que é um óleo anti-inflamatório poderoso amazônico para passar na pele. De lá você pode experimentar as boas cachaças de jambu e escolher a melhor para levar – mas eu ainda acho que a melhor mesmo é a do Meu Garoto, uma cachaçaria super tradicional do centro da cidade que tem uma receita da cachaça de jambu com suas variações: Jambu e Cupuaçu, Jambu e Castanha do Pará, Jambu e Açaí, Jambu e Bacuri. E, claro, você pode comprar por ali os bons e velhos souvenires de viagem.

Almoço típico

Nada como um típico almoço paraense. Para se sentir um verdadeiro local, a barraca do Pororoca com seu peixe dourada frita e açaí, é uma boa pedida, mas você também pode escolher outra dentre uma imensidão de estabelecimentos a beira do rio para aproveitar a vista com porções de camarão, cerveja, isca de peixe e sucos naturais.

Se a ideia é um lugar mais tranquilo, o restaurante Point do Açaí é o mais indicado – tem várias unidades em Belém e inclusive uma em frente ao Ver-o-Peso. O estabelecimento serve açaí de qualidade e peixe com mariscos na chapa, além da decoração linda e bem regional, com quadros de paisagens e enfeites que remetem ao passado local.

Se você estiver próximo das 15h da tarde e estiver chovendo, como é de praxe em Belém, vá esperá-la passar na Estação das Docas e aproveite para tomar um sorvete da Cairu ou da Gelateria Damazonia. Se a vontade for de álcool vá de chopp autoral da Amazon Beer. Na Estação você também encontra roupas bacanas com estampas de estilistas regionais como a Amazônia Zen.

Para a hora do jantar, o Remanso do Bosque é um dos melhores restaurantes da capital. A casa é comandada pelo chef Thiago Castanho, que usa e abusa da cozinha regional para fazer releituras e pratos típicos deliciosos. Para ter a melhor noite, experimente o Filhote assado na brasa, um clássico da culinária e o melhor peixe de rio do mundo, ou a Panela de camarões cozidos no leite de coco, banana da terra e urucum. Para acompanhar, peça o drink Tacacachaça, que consiste em suco de maracujá, cachaça e folha de jambu.

Belém do Pará

DIA 2

O segundo dia pode começar no Mangal das Garças, que é um parque zoobotânico com espaços de visitação e vista do rio e da cidade. A entrada é gratuita, mas você paga para entrar nos espaços de visitação monitorada, sendo estes o Borboletário, Farol de Belém, o Viveiro das Aningas, e o Memorial Amazônico da Amazônia. O ingresso custa R$ 15.

Após conhecer o parque, você já pode dar uma esticada para o almoço no Manjar das Garças, que é uma delícia da culinária paraense, e tem uma vista privilegiada do Rio Guamá. Em sistema de buffet, tem comida pra todo mundo, de massas, carnes, os tradicionais peixes que são pedida certa em Belém e combinações vegetarianas.

LEIA TAMBÉM: Feriados de 2020: saiba para onde viajar em cada data

À tarde

Após o almoço, um bom passeio para apreciar a bagagem cultural de Belém é o MABE – Museu de Arte de Belém: um acervo com mais de 1 500 peças de arte do Brasil e exterior. Outra opção interessante é Espaço São José Liberto, que é um antigo presídio do centro de Belém que foi revitalizado e hoje tem várias joalherias regionais, lojas de roupas e artesanatos paraenses, além de um museu de gemas e uma capela toda de pedra. Antes de ir vale conferir no site a programação cultural.

Para o terceiro passeio do dia, recomendo a Praça da República, onde fica o Theatro da Paz, um estabelecimento que trouxe agitação e vida noturna ao local. Atualmente, a praça tem uma feira de artesanato e bugigangas aos domingos e se estiver no período ainda é possível participar do arrastão do pavulagem promovido pelo Arraial do Pavulagem, um Instituto cultural que resgata a cultura paraense e amazônica através de cortejos com músicas e danças típicas.

Ao fim indico um Happy Hour no Bar do Parque, que fica ao lado do Theatro. O local passou por uma revitalização, deixando-o mais moderno, e hoje é conhecido por seus deliciosos petiscos como bolinho de maniçoba, unha de caranguejo, bolinho de camarão e outros.

Se ainda quiser sair para jantar, indico o Aviú Restaurante que possui um cardápio contemporâneo com toques regionais – como o pastel de pato ou o steak tartar paraense com flor de jambu, jambu e pimenta de cheiro com chips de tapioca. O ambiente é de lounge, com música ambiente adequada, uma adega interessante e bem frequentado.

Belém do Pará

DIA 3

O terceiro dia fica a comando da Ilha do Combu, que é localizada em frente à Belém e acessada por uma travessia de 15 minutos de voadeira (lancha pequena rápida). O percurso custa em torno de R$ 15 a R$ 20 e proporciona acesso a uma infinidade de restaurantes em suas entradas de rio, também conhecidas como “furos” – a barraca mais famosa é a Saldosa MalocaÉ um dia para almoçar com calma e aproveitar a tranquilidade que só a Amazônia pode passar.

Então, um bom dia do outro lado de Belém começa com o café da manhã na Filha do Combu. O barco sai 8h30 e durante toda a manhã você conhece a produção de chocolates artesanais, faz a trilha na ilha, toma chocolate quente e degusta os brigadeiros dos ribeirinhos. Quando o roteiro acabar, por volta das 12h, ao invés de voltar para Belém você pede para o barqueiro parar em algum restaurante.

VEJA TAMBÉM: 3 jornadas zen no Brasil pra se desconectar (ou conectar-se com você mesmo)

Para uma opção menos óbvia e mais tranquila, indico parar no Restô da Ilha no Furo Paciência, que é bem menos lotado e com mais contato com a natureza. O espaço é sem luxo e bem familiar, montado em palafitas sobre o rio, com açaí que é colhido do quintal e batido no dia, farinha é artesanal e peixe feito com temperos artesanais oriundos da própria horta: a floresta amazônica.

O estabelecimento ainda tem espaço para tomar banho de Igarapé, que nada mais é que pequenos rios que dão pé e são ótimos para apenas entrar e relaxar. Para voltar, o restaurante chama outro barqueiro pra você – indico voltar antes do anoitecer porque a maré fica mais intensa.

Para terminar o dia, vá apreciar ao pôr do sol no Palafita Bar ou na Estação das Docas. Aos finais de semana, os dois lugares reúnem boa música ao vivo.

Belém do Pará

DIA 4 (extra)

Se você tiver mais um dia indico fechar o passeio da Revoada dos Papagaios com a agência Vale Verde, que acontece nas primeiras horas do dia, partindo às 4h da manhã em direção à Ilha dos Papagaios, saindo da Estação das Docas. Além da experiência de ver o nascer do sol em um passeio fluvial, chegando lá é possível ver e ouvir milhares dos pássaros que dão nome ao local,  livres na natureza e saudando o dia que está amanhecendo, em um só canto. Na volta, tome um café da manhã da Tapioquinha de Mosqueiro e peça uma tapioca molhada no coco – é a melhor do mundo, e para completar, um cuscuz paraense ou bolo de macaxeira.

Em seguida, vá para a Praça Batista Campos, tome uma água de coco e relaxe. Você pode conhecer o Bosque Rodrigues Alves que é um espaço com mata nativa – o bosque tem uma beleza a parte por causa das construções antigas, um lago com vitória régia e árvores centenárias. Se passar por lá, a dica é almoçar no Remanso do Peixe – restaurante do pai do Thiago Castanho que é um lugar super tradicional de comida regional.

LEIA TAMBÉM:  10 motivos para Alter do Chão, no Pará, ser seu próximo destino

basilica-nazare-belem

praca-batista-campos

Se preferir uma outra opção de turismo, voltado para algo mais cultural, vá conhecer a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, e se você for religioso vale dar uma olhada na loja Lírio Mimoso que fica ao lado. E então, passe pelo Parque da Residência e pela antiga Casa do Governador – o lugar é bem agradável com orquidário, estátua do Rui Barat, um dos escritores paraenses mais importantes, e um vagão de trem da antiga estrada de ferro Belém-Bragança. E se a fome bater coma no restaurante Restô do Parque, buffet com comida regional e contemporânea.

*Para mais um dia em Belém do Pará, aconselho um bate-volta para o Mosqueiro, uma outra ilha com praia de rio super gostosa para passar o dia. E, se tiver mais tempo, vale esticar para conhecer as praias de rio em Mosqueiro, Marajó, Algodoal.

BELÉM DO PARÁ

Onde ficar em Belém do Pará

Uma das regiões mais bonitas da cidade é o Centro antigo. Ainda que um pouco perigoso andar sozinho desbravando os arredores, esse pedacinho destaca tudo que há de bom no Pará: a brisa do mar, o colorido e hospitalidade das instalações e a poderosa história por trás de tudo isso.

Atrium Quinta das Pedras (diárias desde R$ 202)

O hotel fica em um antigo casarão reformado com uma decoração mais elegante, mas que manteve o rústico e histórico da arquitetura passada, como é o caso das paredes de pedras, o azulejo do atrio e as grandes estacas de madeira que vão do telhado ao chão. O bônus é que ele é bem próximo do Mangal das Garças e da orla de Belém.

Grand Mercure Belém (diárias desde R$ 359)

Esse hotel é uma opção mais moderna e atual para os turistas, e faz parte de uma grande rede do gênero, fora a boa localização na região mais nobre da cidade, aos arredores da avenida Nazaré. Os quartos seguem o padrão de toda a instalação, ambientes amplos e bem cuidados, em alguns casos contam até com banheira. Para os hóspedes, o hotel dispõe de uma piscina e vista panorâmica de Belém.

AIRBNB

Se você quiser alugar um apartamento no Airbnb, indico a região da Batista Campos, Praça da República ou nas Docas, nesta última é possível ter a vista limpa do rio e ainda ficar próximo de pontos turísticos.

+ R$ 130 off de desconto aqui!

Quando ir a Belém do Pará?

Belém sofre a influência do clima equatorial, ou seja, tende a ser bem quente e chuvosa. De maio a outubro é verão, e o tempo de chuva é menor, o que te dá mais tempo para conhecer a cidade. De novembro a abril é o período do inverno amazônico: ainda está calorzinho, mas chove praticamente o dia inteiro.

A AUTORA

Nayara Noronha

Paraense morando em São Paulo. Apaixonada por experiências gastronômicas, compartilha nas suas redes sociais um pouco dessas aventuras de sabores por esse mundão no seu blog Explora Vida e no seu perfil do Instagram @exploravida_.

4 comentários

Deixe seu comentário

voltar ao topo