reflexões


9 dicas pra viajar de maneira mais ética e responsável com o mundo

Viagem sustentável:

O turismo movimentou US$ 7,2 trilhões (quase 10% do PIB mundial) no último ano. Uma indústria tão poderosa tem um impacto igualmente enorme social, econômica e culturalmente. Nem sempre positivo.

Apesar da geração de empregos, o turismo também acarreta destruição da natureza e do patrimônio histórico e arquitetônico, lixo e poluição, perda de identidade cultural, prostituição (turismo sexual) e aumento da especulação imobiliária. Principalmente em países em desenvolvimento, o turismo não traz necessariamente progresso para as comunidades locais e acaba mexendo com a dinâmica dos destinos de maneira prejudicial.

Na lista abaixo, elenquei pequenas ações pra ajudar a ter uma viagem sustentável, principalmente pra quem vai pra países pobres (Brasil incluso) – os efeitos maléficos do turismo também são visíveis na Europa, Estados Unidos e Austrália, claro, mas é no mundo em desenvolvimento que a coisa preocupa mais.

1) Informe-se e respeite a cultura local

Procure aprender sobre o lugar que você está indo visitar antes da viagem. Língua, costumes, o mínimo sobre a cultura e economia. Isso te dá uma luz pra não cometer gafes e também ensina a respeitar e compreender melhor o destino. Gravar algumas palavras na língua local é importante, pelo menos “oi” e “obrigada” – não é legal já chegar falando inglês presumindo que todo mundo é obrigado a saber.

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2) Consuma em estabelecimentos locais

Essa é a dica mais simples de seguir pra uma viagem sustentável socialmente: em vez de tomar café no Starbucks, procure uma padaria local. Em vez de comer num restaurante de rede internacional, escolha o empreendimento de um chef da cidade. Em vez de comprar uma bugiganga (que provavelmente foi feita na China), busque artesões e designers nativos. Isso ajuda a alimentar a economia do lugar (ao invés de dar dinheiro para grandes corporações), incentiva o comércio, a arte e a gastronomia e ainda torna sua viagem muito mais rica.

3) Fique em hotéis independentes

Se você se hospedar numa grande rede, boa parte da grana vai pra fora do lugar. De novo, para alimentar e ajudar a comunidade local, escolha pequenos hotéis independentes. Se forem familiares, melhor ainda.

4) Não peça para o hotel lavar as suas toalhas desnecessariamente

Sim, muitas vezes a gente ignora aquele aviso de “ajude a economizar água, pendure as toalhas se você não quer que sejam trocadas”. A lavanderia corresponde a 16% dos gastos de água dos hotéis, e diminuir a demanda realmente ajuda a reduzir a quantidade de água usada.

5) Faça trabalho voluntário ou doe pra ONG’s locais

Sites como o Workaway e o Worldpackers fazem o contato com vários trabalhos sociais (agências brasileiras como a CI também). Já que você vai usufruir do território alheio, que tal dar em troca algo que eles precisam? Ensinar inglês é o mais comum. E você ainda vai ter uma experiência especial pra sua viagem. Se não der pra doar tempo, procure ONG’s que atuem no destino. No Sudeste Asiático, por exemplo, há vários restaurantes que treinam pessoas carentes para serem cozinheiros e comendo neles você ampara o projeto.
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6) Pense duas vezes antes de participar de atrações turísticas com animais

Qualquer local que mantenha animais silvestres em cativeiro não está respeitando as condições naturais deles. É impossível uma baleia ser feliz vivendo dentro de um tanque, e o mesmo vale pra elefantes presos por correntes, leões dentro de jaulas, golfinhos em piscinas, etc. Não se engane: mesmo que esse bichos tenham nascido em cativeiro, eles continuam sendo animais selvagens e, se estão presos, estão no lugar errado. Muitas vezes o bom aspecto e o carisma escondem as condições péssimas de alojamento e treinamento em que vivem.

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7) Escolha empresas de turismo que tenham responsabilidade social e ambiental

Quem já fez passeios como visitar as tribos do Lago Titicaca, no Peru, provavelmente passou por aquele dilema: estou ajudando esse pessoal pagando pelo tour ou estou na verdade ajudando outros a explorá-los? Por isso, vale sempre se informar sobre a empresa que você vai usar para o passeio: ela transfere a renda para a comunidade? Ela faz algum trabalho social de auxílio? O Lonely Planet costuma indicar empresas socialmente responsáveis. Se não souber, jogue no Google “socially responsible tour operator in…”. O mesmo vale para o meio ambiente: prefira empresas e hotéis eco-friendly pra ter uma viagem sustentável.

8) Diminua seu lixo

Muitos países têm problemas com coleta de lixo em lugares que foram muito “invadidos” pelos turistas e não têm infra o suficiente. Nunca deixe lixo pra trás e faça o possível para minimizá-lo – leve garrafinha de água pra não ter que ficar comprando toda hora, por exemplo.

9) Viaje de ônibus e trem

São os transportes com menor emissão de carbono por viajante. Aviões e navios de cruzeiro são os piores.

Para saber mais:

Livro: Overbooked: The Exploding Business of Travel and Tourism   Elizabeth Becker.

Documentário: Bye Bye Barcelona – Documentário que fala do impacto do turismo em Barcelona, da perda de identidade cultural e das mudanças na vida dos moradores.

Done Bali – Os efeitos do turismo em Bali.

My Boyfriend, the Sex Tourist – Sobre turismo sexual.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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Há 5 comentários para “9 dicas pra viajar de maneira mais ética e responsável com o mundo

  1. Ainda acho que o lixo talvez seja a pior herança que os turistas deixam para trás, recentemente fui as ilha Rosario, na Colombia e me espantei com a quantidade de lixo que havia nos fundos da praia, um mangue cheio de garrafas plásticas, copos, pratos descartáveis, lixo de todo o tipo, num lugar com o mar de águas transparentes. Tentei sensibilizar algumas autoridades na colombia pelo twetter mas nem me deram bola.

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