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O que fazer no Myanmar: top 5 destinos desse país ainda pouco explorado

“Aberto” para o turismo em 2011 e se desgarrando aos poucos do domínio militar, Myanmar oferece uma oportunidade de ver um Sudeste Asiático com turismo incipiente. Comparado com seus vizinhos, como a Tailândia e o Vietnã, seu grau de exotismo e autenticidade é consideravelmente maior, e a infraestrutura semiprecária, mas funcional, dá um charme a mais à visita. Além de uma infinidade de templos suntuosos desse país majoritariamente budista e das montanhas cobertas por terraços de plantações de arroz, o mais interessante é sua cultura: 135 etnias vivem no país. Roteiro Myanmar: veja pra onde ir.

Em tempo: o conflito étnico com a minoria muçulmana rohingya não afeta as regiões turísticas. O clima político é controverso, claro, mas é preciso levar em conta que boom recente no turismo trouxe uma nova e importante fonte de renda para esse país que é um dos mais pobres da Ásia. Na minha visita em fevereiro de 2018, temporada logo após a divulgação dos conflitos pela imprensa internacional, o número de visitantes tinha caído drasticamente em relação ao ano anterior e ouvi uma série de vezes de donos de restaurantes e guias de turismo “por favor, diga para os amigos virem para Myanmar”. Fica aí para uma reflexão.

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Roteiro Myanmar: ideia de itinerário

Yangon (2 noites) – ônibus noturno a Kalaw (1 noite) – trekking de dois ou três dias para Inle Lake (2 noites) – ônibus noturno a Mandalay (2 noites) – ônibus noturno a Bagan (3 noites) – voo ou ônibus noturno de volta a Yangon.

Yangon

É a maior cidade do país, com quase 5 milhões de habitantes, e onde deve chegar seu voo. Sua paisagem urbana mistura ruas estreitas com predinhos decrépitos com roupas e plantas pendendo das sacadas e comércio zoneado, avenidas pontuadas por antigas construções coloniais do período de domínio britânico (que durou até 1948), templos budistas de todos os tamanhos e alguns estabelecimentos moderninhos que aprovam que o progresso tarde, mas não falha. A principal atração da cidade é a Shwedagon Pagoda, que acredita-se ter mais de 2500 anos, um templo gigantesco moldado ao redor de uma stupa (estrutura em formato de sino) com 100 metros de altura e cravada com ouro e diamantes. Veja também o Bogyoke Market, que tem bancas que vendem longyis, as saias típicas do país, a Sule Pagoda, templo no coração da cidade, e a Rangoon Tea House, um café que serve versões hipsters (e muito bem feitas) dos pratos típicos do país.

Trekking de Kalaw a Inle Lake

Kalaw é uma minúscula cidade com casinhas de estilo inglês (e clima frio quase inglês) onde o pessoal vai ficar uma ou duas noites antes de embarcar para os trekkings que rumam ao Inle Lake. Ali tem agências de turismo (indico a Jungle King), alguns hotéis, cafés e um mercado onde você pode comprar o que tiver faltado na mala para fazer a trilha, como tênis e casacos. O trekking, que pode ser feito em dois ou três dias, é bacana por 1) é relativamente fácil, com cerca de 15 km de caminhada por dia quase sempre plana) e 2) a acomodação é em casa de famílias ou monastérios nos vilarejos locais de minorias étnicas, com gente usando roupas típicas, não falando nenhuma palavra de inglês e plantando pimenta e arroz pelo caminho. Você brinca com as crianças e come na cozinha deles. A chegada de barco na imensidão do Inle Lake é inesquecível. Roteiro Myanmar: essa é uma parada essencial.

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Inle Lake

Nesse imenso lago de 116 km² você observa a vida dos ribeirinhos como ela é, entre casas em palafitas e barquinhos de pescadores. A cidade-base para o turismo é Nyaungshwe, com meia-dúzia de quarteirões empoeirados com lojinhas, restaurantes e alguns hotéis bonitos que se aproveitam da paisagem do lago na janela como o recomendadíssimo Inle Lake Viewpoint Ecolodge. Além de passeios pelo lago para ver o sol se por atrás das montanhas, você pode dar uma volta ao seu redor de bicicleta e ir até o vilarejo de Khaung Daing (perto do Tofu Palace), onde o fofinho Mr. Zaw Win leva você dentro das casas dos moradores para vê-los produzindo salgadinhos de milho e tofu, a experiência mais legal que eu tive em Myanmar.

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Mandalay

Segunda cidade do país, é interessante pelos templos que ficam nos seus arredores e pelo pôr do sol a ponte U Bein, um dos cartões-postais de Myanmar. Em dois dias você pode peregrinar por edifícios religiosos de diferentes épocas como o monastério Shwenandaw Kyaung e a Kuthodaw Pagoda, com suas múltiplas stupas branquinhas, além de fazer um bate-volta em Mingun. Não perca também o mercado de Zay Cho e a feira de jade, pedra abundante em Myanmar, no Mahar Aung Myay. Inclusive, a menos visitada Werawsana Pagoda é quase toda construída com jade.

Bagan

Roteiro Myanmar: Bagan é o ápice da visita. Antiga capital do reino Pagan, o primeiro que unificou parte das regiões que depois dariam origem a Myanmar, a cidade tem campos planos com vegetação majoritariamente rasteira por onde estão espalhados mais de dois mil templos budistas construídos entre os séculos 11 e 13. Numa experiência absolutamente surreal, você aluga motinhos elétricas e percorre estradinhas de terra entre as construções, que variam de tamanho e formato (alguns deles foram reformados e têm uma cara mais moderna) com beeem poucos turistas (para quem está vindo de destinos como a Tailândia ou os templos de Siem Reap, no Camboja, a diferença é gritante). Desde o ano passado está proibido (uma regra que vai e volta) de subir na maioria dos templos, mas alguns deles ainda estão abertos, e são destino de uma espécie de corrida do ouro no nascer do sol, quando a paisagem é enfeitada por balões.

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Roteiro Myanmar: pra ir além

Ngapali Beach é a melhor praia do país, com mar turquesa e areia branquinha. O acesso é chatinho (de Yangon é preciso pegar um voo de 50 minuto) e as acomodações, em sua maioria, são hotéis caros focados em casais.

Hsipaw é um pequeno paraíso natural para mochileiros para fazer trekkings entre montanhas e pequenos vilarejos de minorias étnicas.

Hpa-an é uma pitoresca cidadezinha à beira-rio com vibe relaxada e tours para ver cavernas.

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