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Um giro pela Ilha de Boipeba (BA), a Morro de São Paulo de 30 anos atrás

Na ilha roots a 180 km de Salvador, as areias com sombras de coqueiros e banhadas por águas clarinhas são um convite à leseira:

Boipeba é a ilha ideal da Bahia pra quem quer tranquilidade. Por ali não passam carros, todo mundo se conhece e você certamente vai passar por um detox tecnológico, já que o celular quase não pega.

São dois núcleos principais. Velha Boipeba é a porta de entrada e onde a estrutura turística está mais concentrada, enquanto Moreré é uma porção mais isolada com entornos de praias desertas e intermináveis de areia branca, contornadas por fazendas de coqueirais.

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Mas apesar da contagiante vibe de sossego, onde for que você prefira se hospedar, uma coisa é certa: você vai caminhar bastante durante a viagem. A Ilha de Boipeba é também um destino pra bater perna, sem preguiça, pra poder desfrutar do melhor de suas praias praticamente intocadas. É, resumindo, uma Morro de São Paulo de 30 anos atrás, antes da chegada do turismo massivo.

Seu acesso mais chatinho garante o clima autêntico. Pra chegar ali desde Salvador é necessário pegar uma balsa até Itaparica, depois ir de ônibus ou táxi até Valença (que recebe voos bem carinhos da Azul uma vez por semana, aos sábados) e mais um barco até Boipeba. O trajeto sai por volta de uns R$ 100 por pessoa. E, quem puder bancar o voo de 30 minutos da Bahia Terra da Ilha de Boipeba até Salvador desembolsa R$ 700.

Um giro pela Ilha de Boipeba, a Morro de São Paulo de 30 anos atrás

Velha Boipeba

As flores ornamentam as fachadas coloridas do centrinho de Velha Boipeba. Veja o Museu do Osso, um acervo de curiosidades marinhas reunido pelo pescador Seu Tavinho; a Igreja do Divino Espírito Santo, uma edificação do século XVII com altares neoclássicos e azulejos retratando temas bíblicos; e prove os deliciosos crepes do Flor da Lua admirando a vista pro Rio do Inferno.

Praia de Boca da Barra

A localização na foz do Rio Inferno faz desta a faixa de areia mais movimentada da ilha, com pousadinhas pé na areia, barracas de praia e até um minishopping vendendo artesanatos locais. É o endereço certo pra curtir o fim do dia, apreciando as ilhotas que se formam com a maré baixa enquanto o sol se põe. Dali também dá pra chegar de barco na Cabana da Tânia, bar flutuante que garante o pôr do sol mais lindo da região.

Praia de Tassimirim

O almoço é garantido na Barraca da Gleide, em frente às piscininhas naturais que se formam entre os recifes que cercam a praia, garantindo águas calmas. É uma faixa de areia lindinha e mais vazia que a anterior, Boca da Barra. Na maré alta, chama a atenção uma barraquinha de palha literalmente no meio do mar, numa ilhota que fica levemente submergida. A paisagem é composta por amendoeiras.

Praia da Cueira

Uma extensa orla deserta emoldurada por coqueiros é banhada em partes por mar aberto, bom pro surf. Você escuta só o barulho das ondas enquanto caminha pela praia. A única atração são as lagostas do Guido’s, que fazem sucesso na ilha toda. O final da praia é marcado pelos manguezais do Rio Oritibe, uma delícia pra banho. Pra chegar em Moreré, é só atravessar o rio (só dá na maré baixa!).

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Moreré

No núcleo secundário e ainda mais roots da Ilha de Boipeba, pousadinhas simples e um e outro restaurante garantem a infra turística necessária. Amendoeiras fazem sombras perfeitas pra esticar a canga e o sobe e desce da água do mar vai transformando essa praia a cada hora. Suas piscinas naturais são as mais lindas da ilha. Caminhe até à Barraca Paraíso, onde plaquinhas coloridas com dizeres inspiradores como “seja a paz” pregados em árvores dão as boas-vindas. O estabelecimento serve a melhor moqueca da área.

Eco-Pousada Casa Bobô

Quem toca a pousada toda ecológica em Moreré, com apenas três bangalôs dignos de fotos de Pinterest, são os proprietários, Myriam e Nilton. Tem charme em cada detalhe: na decoração com conchinhas e flores do dia, nos incensos e luzes de cromoterapia e nos mimos como a bolsa de praia com canga que você pode usar durante a estadia. Da rede da varanda de cada quarto você enxerga o mar, lá longe. O restaurante é aberto pra não-hóspedes e surpreende na qualidade da comida e na apresentação dos pratos. (diárias desde R$ 280, RESERVE AQUI!)

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Bainema

Quem caminha por sua faixa de areia longa, selvagem e plana tem a sensação de estar isolado do mundo – há apenas uma barraca rústica no início da orla. Os coqueiros se mesclam com árvores frutíferas embelezando o cenário. Compete com a Ponta dos Castelhanos pelo título da praia mais bonita da Ilha de Boipeba, e, senão, da região. O mar costuma reunir boas ondas pro surf. O melhor jeito de chegar é num tour de barco.

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Ponta dos Castelhanos

Na praia mais cobiçada da ilha, coqueiros emolduram o mar azul, repleto de recifes de corais. Nas barracas de praia próximas ao manguezal estão os pasteis de caranguejo com banana e queijo mais gostosos que você vai comer na vida, melhores ainda se acompanhados por uma caipirinha de cacau e biri-biri, servida no fruto. Ali, o encontro da água calma do Rio Catu com o oceano garante o melhor banho de mar de Boipeba. Na maré baixa, os restos do navio espanhol Madre de Diós, naufragado em 1535, ficam visíveis. Pra chegar, também de barco.

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Cova da Onça

Cercado por manguezais, o último povoado da Ilha de Boipeba é uma vila de pescadores cheia de descendentes de holandeses, que pode ser conhecido em um passeio de barco. Depois de conferir a igrejinha local toda pintada de azul, a Igreja de São Sebastião, do começo do século XX, veja as ruínas do antigo Colégio da Companhia de Jesus e prove os frutos do mar mais frescos de Boipeba no restaurante Toca da Onça. Depois, se ainda sobrar espaço na barriga, tem moradores vendendo deliciosas cocadas pela praia.

A autora

Anna Laura Wolff

Anna Laura Wolff

Jornalista por formação e fotógrafa por vocação, a editora do Carpe Mundi passou pelas redações da CARAS Online e da Viagem e Turismo. Depois de uma temporada em Paris, decidiu ser viajante full time.


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