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Conheça a Chapada das Mesas (MA): piscinas naturais, cachoeiras e serras

Gente proseira, tambaqui fresco, piscinas naturais, cachoeiras caudalosas, platôs que se erguem sobre o Cerrado: menos conhecida das chapadas brasileiras, a Chapada das Mesas é um rincão singular da natureza nacional na divisa do Maranhão com o Tocantins. Veja aqui nosso miniguia para conhecer a Chapada das Mesas.

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Melhor época pra ir a Chapada das Mesas:

Na época seca, que vai de maio a setembro, não cai um pingo d’água, o sol brilha e a temperatura chega a 40 graus. As chuvas vêm entre outubro e maio, mas são majoritariamente pancadas rápidas – e, para quem gosta de caminhar, é bom saber que nessa época o calor é menos intenso. Evite março e abril, quando elas se intensificam, e feriados, quando os atrativos mais populares ficam muito cheios. Nos fins de semana de julho também tem lotação.

Carolina (MA), a base para conhecer a Chapada das Mesas:

Apesar de ser menos falada no Sudeste em relação às suas colegas chapadas (Veadeiros, Guimarães, Diamantina), a Chapada das Mesas já tem um turismo relativamente estruturado (entenda atrativos com portaria e restaurante e passarelas de madeira para chegar às cachoeiras), frequentado por ônibus de excursões (!) vindos principalmente de Belém. A cidade-base para conhece-la é Carolina, com pouco mais de 20 mil habitantes. Se conversar com os locais que curtem a sombra na porta das casas para tentar aliviar o calorão que impera na maior parte do ano, vão te contar que Carolina é a cidade do “já teve”: ela foi uma das primeiras do estado a contar com energia elétrica nos anos 1940, graças à construção da Usina Hidroelétrica do Itapecuruzinho. Também já foi ponto-chave para o comércio regional por estar à beira do rio Tocantins, uma pequena metrópole com aeroporto e cinema. Depois da criação da Rodovia Belém-Brasília, em 1959, a cidade perdeu importância. Hoje, a usina está inativa, o aeroporto só recebe fretamentos de pequenos aviões. Se alguém quiser ir ao cinema vai ter que dirigir até Imperatriz (MA). O pequeno Museu de Carolina, aberto em 2014, conta esse histórico curioso. O que Carolina ainda tem é a sorte da Chapada das Mesas em seu quintal, que divide com os municípios próximos de Riachão e Estreito.

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Como chegar na Chapada das Mesas:

O aeroporto de Imperatriz (MA) fica a 215 km de Carolina. A Latam voa direto de São Paulo a Imperatriz, mas as tarifas são caras (cerca de R$ 1800). A mesma companhia e a Azul também fazem a viagem com conexão em Brasília, mais em conta, a partir de R$ 800. Para ir de Imperatriz a Carolina, contrate uns transfer junto à sua pousada, alugue um carro em empresas como a Movida e a Localiza (veja na Rentcars) ou pegue um ônibus da JR4000, a partir de R$ 30. Outra opção é comprar o voo da Passaredo até o aeroporto de Araguaína, a partir de R$ 1200, e lá alugar um carro ou pegar um van da Cooperban (63/ 3413-2129) até Carolina, a 110 km.

Precisa alugar carro na Chapada das Mesas?

A não ser que você compre um pacote fechado com operadoras como a Venturas, que já incluem todo transporte e guias, é mais econômico alugar carro (não precisa ser 4×4). Com ele você consegue visitar o Poço Azul, o complexo Pedra Caída e o Portal da Chapada, além de fazer o transporte ida e volta do aeroporto de Imperatriz. Para os passeios dentro do parque nacional e para a trilha no Refúgio Ecológico Serra Torre da Lua, do qual vou falar abaixo, feche com a agência Torre da Lua.

“JAPALADA”: JALAPÃO + CHAPADA DAS MESAS

Se tiver tempo, um ótimo bem bolado é fazer a viagem a Chapada das Mesas junto com o Jalapão, no Tocantins, coisa que na região chama-se de “Japapada”.  É um combo bacana para explorar bem essa região do Brasil e ter fartura de cachoeiras, piscinas naturais verde-esmeralda, chapadões e dunas alaranjadas, entre as vegetações do Cerrado, campos gerais, resquícios de caatinga e pré-amazônia. A ideia é voar até Palmas, passar pelo menos quatro dias pelo Japalão (veja com a Korubo Expedições, a principal empresa que opera no destino) e depois tomar um voo ou ônibus de Palmas até Araguaína (a 110 km de Carolina) para curtir a Chapada das Mesas mais uns quatro dias.

O que fazer na Chapada das Mesas:

PORTAL DA CHAPADA

O símbolo da Chapada das Mesas é essa fenda em forma de “G” num paredão de arenito. Chamado de Portal da Chapada, ele deixa ver uma enorme planície coberta pelos troncos retorcidos do Cerrado, manchas verdes e amarronzadas por vezes floridas pelo amarelo dos ipês e o roxo das carnaúbas. Os platôs avermelhados, as tais mesas, erguem-se como que do nada, o mais proeminente (e fotogênico) deles o Morro do Chapéu, com 378 metros de altura, o ponto mais alto da Chapada. No fim da tarde, ele fica perfeitamente enquadrado junto ao sol poente na fenda do Portal, enquanto a luz doura a paisagem. Não precisa de guia e nem de carro 4×4, é só aparecer.

POÇO AZUL E ENCANTO AZUL

O Poço Azul não precisa de guia, é só chegar e pagar o ingresso de R$ 40. Fruto de uma das 400 nascentes de água que brotam por lá. Explicação geológica para o lugar: o fundo é de calcário, cujo o desgaste libera magnésio e cálcio, que por sua vez decantam os sedimentos e tornam a água cristalina. A incidência dos raios solares dá um tom verde-esmeralda e a faz resplandecer. Explicação emocional sobre nadar nessa piscina: puro deleite. E a melhor parte: na Chapada das Mesas, diferente da grande maioria das cachoeiras nacionais, que gelam os ossos, a água é morna. Ou seja, esse poço límpido tem temperatura agradabilíssima, que não dá vontade de sair nunca. Se eventualmente o fizer, caminhe alguns metros para ver a Cachoeira de Santa Bárbara, uma bela queda de 76 metros.

Uma estrada de 6 km pela areia fofa, partindo do Poço, leva até o Encanto Azul. Nesse caminho não pra ir com carro normal. Pra isso, se você não estiver viajando de pacote com transporte, você pode andar, tentar pegar carona ou dar sorte de ter alguma van fazendo o trajeto. O Encanto é outra nascente de água que gera uma piscina natural. Mergulhando com máscara você consegue enxergar até 7 metros de profundidade e se sentir imerso num aquário, flutuando ao sabor das leves ondulações. Na volta, pare para um almocinho rápido no restaurante simples do complexo: tucunaré ou tambaqui fritos sempre vão bem.

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COMPLEXO PEDRA CAÍDA

Uma das atrações mais antigas da Chapada é a Cachoeira do Santuário, visitada há mais de 80 anos. Ela faz parte hoje do complexo Pedra Caída, que inclui um hotel e um restaurante a quilo meio feiosos. Abstraia da impressão inicial para se impressionar com as cachoeiras da Caverna e do Capelão (foto ao lado), ambas entre belas formações rochosas e poços para banho. E aí tome o rumo do Santuário por passarelas de madeira dispostas na mata ciliar para que as pisadas não prejudiquem a vegetação. Depois de atravessar uma vertiginosa ponte suspensa, o caminho vai passando por pequenas cascatas e envereda por dentro de um cânion. A água bate primeiro no joelho, depois da cintura, o som de uma queda forte vai gradativamente aumentando, as curvas dos paredões rochosos que não deixam ver o que vem à frente criam um clima de suspense.

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A cachoeira de 46 metros despenca de uma fenda na rocha que recebe a luz das 11h às 14h, o melhor período para visitar, quando os raios lhe dão ume vibe meio mística. Uma pena as pichações constantes nas rochas ao redor, dos tempos em que a visitação não era controlada. É bem difícil fotografá-la porque ela fica dentro de um caverna complemente molhada, e a luz não ajuda. Então deixe pra ver com seus próprios olhos. Custa R$ 30 para Cachoeira do Santuário e R$ 50 para cachoeiras da Caverna e do Capelão.

CACHOEIRA DO PRATA E DE SÃO ROMÃO

A criação do Parque Nacional da Chapada das Mesas, que protege 160 mil hectares da região, é recente, de 2005. Tem sido efetuado um plano de manejo para mover e indenizar fazendeiros que ainda mantém 5 mil cabeças de gado naquele território. Ainda vivem ali também cerca de 130 famílias, isoladas do mundo, algumas no alto das “serras”, como os locais chamam as mesas. Seu Deusivan Carneiro é um deles, que guarda a entrada da Cachoeira do Prata, que se forma graças a um desnível do Rio Farinha, e suas rochas escuras denunciam um movimento vulcânico em algum lugar no passado da Chapada. Enquanto duas quedas chacoalham a água, você pode curtir um mergulho no rio, por onde dá para nadar até uma pequena ilha e ver as cachoeiras mais de perto. De novo, a benção da água morna. A outra atração de peso dentro do território do parque nacional é a Cachoeira de São Romão, uma cortina espessa de 36 metros de largura, a maior em volume de água do Maranhão. Alugue um caiaque ali para remar até perto dela, cujos respingos te encharcam de água em minutos. Depois, siga uma trilha curta que conduz até a experiência surreal de se pôr de pé nas pedras embaixo da queda, onde você se sente pequeninho. Diferentes das atrações fora do parque, aqui, devido a exigência de guia e necessidade de um veículo apropriado, tem pouquíssima gente à vista. Veja com a Torre da Lua e ou a Cia do Cerrado – o passeio custa o dia todo e custa cerca de R$ 175 no transfer compartilhado.

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TRILHA NO REFÚGIO ECOLÓGICO SERRA DA TORRE DA LUA + PASSEIO DE BARCO

Lá estão trilhas em correm cerrado adentro até o topo das serras, da onde as mesas ficam ainda mais evidentes: as montanhas se enfileiram na paisagem com seu cume chapado traçando um bonito desenho no horizonte. A mais curta é a trilha do Tributo, de 10 km, ida e volta. Pequizeiros e bacurizeiros e o voar das jandaias-verdadeiras, primas da arara, com corpo amarelo e asas verdes, acompanham o caminho. No fim da caminhada, um mergulho no riacho relaxa o corpo (eu já mencionei que a água é morna?) e na sede é servido um almoço com galinha caipira para recobrar a energia, seguido de um cochilo em redes penduradas debaixo de uma mangueira. Volta-se a Carolina com um arremate incrível para o dia: um passeio de barco pelas águas plácidas do Rio Tocantins, que espelha a vegetação e as serras da margem, enquanto o pôr do sol pinta o céu. Com a Torre da Lua, o tour sai R$ 200 por pessoa com almoço.

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Onde comer em Carolina:

Os restaurantes são simplões, mas preparam muito bem o arroz de Maria Isabel (feito com carne seca), como o Mocotozin. Uma casinha azul-anil vende os doces caseiros da Dona Elza (o de caju é maravilhoso), que te conta orgulhosamente como eles já apareceram no programa da Ana Maria Braga. No singelo mercado central, você pode comprar uma garrafa de óleo de coco-babaçu, extraído na região. De noite, o pessoal se aboleta ao redor da Praça Alcides de Carvalho, tomas umas e ouve música ao vivo em bares como o Espaço Gourmet, com tem pizzas e pratos regionais. No porto fica o Chega Mais, com mesas ao ar livre na beira do rio. Vá de macaxeira frita e moqueca maranhense que não tem erro.

Onde ficar em Carolina:

A única pousadinha charmosa é a dos Pousada dos Candeeiros (diárias a partir de R$ 200) – foto ao lado. Ela tem móveis de antiquário, piscina, quartos com um providencial ar condicionado e delicinhas típicas no café da manhã, como o bolinho de arroz chamado de orelha de macaco. Quem toma conta da pousada é Cinthia Ayres, cuja família está na região desde 1849. Outra opção ok é a Pousada do Lajes (diárias a partir de R$ 200) a 2 km do centrinho de Carolina, com chalés simples dispostos num jardim florido com piscina e playground.

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