Pra quem já teve overdose de textos prolixos sobre viajar sozinho, aqui vai um guia prático feito por alguém (euzinha) que já fez todo tipo de viagem possível sozinha. Tentei contemplar as questões que vêm na cabeça de quem pensa em começar a viajar sozinho (ou até pra quem já viaja), no que isso tem de bom, de ótimo, de ruim, de confuso, de perigoso.

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POR QUE VIAJAR SOZINHO?

  • Porque nem sempre a gente tem companhia. Simplesmente não é fácil conciliar dinheiro, interesse e, principalmente, tempo, com amigos/familiares/cônjuges. E isso não deveria nos impedir de viajar. Se seu namorado odeia fazer trilha e você sonha em andar até Machu Picchu, você vai desistir de ir? Se as férias estão chegando e nenhum amigo está disponível pra viajar, você vai ficar em casa?
  • Pra aprender a ser mais autosuficiente. Isso é pra você que ainda tem receio de sentar num restaurante ou no cinema sozinho. Você não precisa de companhia em absolutamente tudo o que você faz, e viajar te mostra isso de um jeito bem intenso.
  • Pra adquirir autoconhecimento. Prepare-se para uma overdose de si mesmo. Tudo o que você não sabe sobre você vai vir a tona ma viagem uma hora ou outra, sobre o jeito como você se relaciona, o que você realmente gosta de fazer e como você se comporta em situações fora da sua zona de conforto.
  • Pra conhecer gente legal. Porque sozinho você fica mais aberto a interações com estranhos, mesmo porque às vezes você quer uma companhia pra jantar. E aí acaba conhecendo gente interessantíssima (e outras nada interessantes também, claro) que você jamais encontraria em outro contexto. E de várias partes do mundo.
  • Pra ter uma viagem mais espontânea. Estar sozinho significa ser dono de todas as decisões da sua viagem, então você pode mudar de ideia e alterar o roteiro do nada sem ter que discutir isso com ninguém. Conheceu um grupo bacana que te convidou pra ir a um restaurante ou a uma ilha que não estava prevista? Vai nessa.

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PRA ONDE VIAJAR SOZINHO?

Na prática, você pode ir pra qualquer lugar sozinho. Mas alguns destinos vão te fazer sentir, digamos, menos solitário.

  • Grandes cidades com muuuito o que fazer. Paris, Nova York, Londres, Berlim, Bangkok, Buenos Aires: nesses lugares dá pra encher sua programação de museus, parques, construções históricas, mercados e mil outras atrações que quase não vão deixar tempo pra você lembrar que está sozinho. Essas cidades também têm hostels com um monte de outros viajantes para o caso de você estar procurando companhia.
  • Destinos com uma cena mochileira forte. Lugares frequentados por viajantes jovens (às vezes nem tanto), que comumente viajam sozinhos. Barcelona, Amsterdã, Tailândia, Indonésia, Nova Zelândia, Austrália, Peru, Bolívia, Costa Rica e até o Rio de Janeiro, se você tiver a fim de conhecer uns gringos.
  • Destinos de ecoturismo/aventura onde você pode se enfiar em excursões com outras pessoas. Atacama, Machu Picchu, Bonito, Vietnã, viagens de trekking. Você pode até pensar em comprar um pacote já aqui no Brasil: há várias agências  que organizam grupos, desde jovens que vão acampar até terceira idade.
  • Destinos de ecoturismo e praia animadinhos. Playa del Carmen e Sayulita (no México), Jericoacoara, Chapada dos Veadeiros, Praia da Pipa, praias da Tailândia, praias da Croácia, Ilhas Baleares (Espanha), Bali (Indonésia), Mykonos (Grécia).

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PRA ONDE NÃO VIAJAR SOZINHO?

  • Se você for mulher, pra lugares perigosos ou não acolhedores pra mulheres sozinhas. Tipo Índia e Arábia Saudita.
  • Roteiros “românticos”. Visitar cidades históricas em Portugal, fazer um rolê de vinhos na Borgonha, ver as pequenas cidades da Rota Romântica na Alemanha, ir a uma pousadinha de inverno em Monte Verde, conhecer a Serra Gaúcha. No geral, viagens que fazem qualquer alusão a uma experiência romântica podem dar uma deprê em quem está sozinho.
  • Rolês muito aventureiros que podem ser perigosos pra quem está sozinho (tipo se você morrer ali, ninguém vai saber). Ok, todo mundo já ouviu a história daquele fulano que rodou o mundo de bicicleta sozinho. Mas, pra maioria de nós, mortais, tem coisas quem não convém fazer sozinho, tipo atravessar o Parque Nacional da Serra dos Órgãos ou viajar de moto na Patagônia.

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AS VANTAGENS DE VIAJAR SOZINHO:

  • Não precisar abrir mão de nada. É isso aí, egoísmo na veia. Não tem que discutir suas decisões, nem conciliar sua programação com os interesses de ninguém. Você pode comer a hora que estiver com fome, entrar na loja que quiser, virar na esquina que der na telha, ficar deitado num parque a tarde toda se te apetecer, passar dez horas num museu se tiver vontade. Ou não entrar em museu nenhum. Que seja. Você que escolhe.
  • Seu poder contemplativo aumenta. Imagine assim: você está num mirante lindo, de frente para uma vista impecável, o céu tá azul, o sol tá brilhando, tem cheiro de lavanda no ar (sei lá, inventei) mas… você e seu amigo, depois de darem uma olhadinha, começam a falar dos problemas da vizinha. Acontece muito, porque os assuntos vão rolando, e sua concentração voa longe. Estar solo meio que te obriga a prestar atenção no lugar onde você está, nas pessoas em volta. Te permite ficar em silêncio. E aí deixa a vibe do destino te envolver.
  • Tem menos stress. Porque aquela convivência intensa que a viagem proporciona pode fazer a gente querer matar o companheiro. Sozinho, na maioria das vezes, você só vai ter que se aguentar.
  • Você pode conhecer gente. Ou não conhecer ninguém. Dá para ficar num hostel e ir pra festas com a galera, colar num bar sozinho e puxar papo com desconhecidos, fazer amigos do mundo todo e descobrir que tem muiiiiiiita gente viajando sozinha por aí. E dá também para usufruir de nada além do seu “eu”, que é ótimo também. O melhor de viajar sozinho é que você pode escolher os momentos que quer estar acompanhando e os que prefere permanecer na sua.

AS DESVANTAGENS DE VIAJAR SOZINHO:

  • Alguns rolês podem ser perigosos. Pegar carona, se enfiar numa trilha sem guia, viajar de moto: algumas situações causam receio em quem está sozinho, principalmente se você for mulher.
  • Sair à noite é duro. Ir a um bar ou balada é o maior desafio pra quem viaja sozinho. E comer em restaurantes olhando para a cara do prato também cansa. E uma taça de vinho sozinho a gente até bebe, mas não dá para pedir uma garrafa, né (ou dá?). LEIA TAMBÉM: Vai viajar sozinho? 7 dicas pra fazer refeições numa boa
  • Faz falta compartilhar. Um comentário, um sorriso, uma praia perdida, aquela vista incrível. Sozinho muitas vezes a gente tem que engolir as palavras. E, mesmo quando eu conheço pessoas bacanas viajando, sinto falta de viver alguns momentos com meus amigos e minha família. Fico imaginando “poxa, a fulana ia adorar esse lugar”.
  • Contratar passeios pode ser difícil. Que seja um bugue em Natal ou um city tour em Roma. Você muitas vezes vai precisar caçar um grupo e pedir pra se juntar a ele. Tive esse problema recentemente na Chapada dos Guimarães: a diária dos guias era mais de R$ 100 e eu não encontrei ninguém pra dividir.
  • Assédio é um saco. Principalmente pra mulheres, isso pode incomodar em alguns destinos, tipo Cuba ou Marrocos. Já me aconteceu de gente sentar na minha mesa sem ser convidado e começar a puxar papo.

E você? Já foi viajar sozinho? Conte pra gente aqui nos comentários!

Betina Neves

Seus 10 anos de experiência escrevendo sobre turismo deram o tom da linguagem do Carpe Mundi. Perita em traçar roteiros e na eterna busca pela passagem aérea mais barata, escreve um e outro post por aqui enquanto explora metrópoles insones, prova comidas exóticas e relaxa em praias vazias deste mundão.

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