Das três cidades-base dos Lençóis Maranhenses, Santo Amaro do Maranhão é a menos popular entre elas. Mas não deveria, uma vez que o município tem infraestrutura urbana que chega próxima à de Barreirinhas, acesso via asfalto que leva exatamente o mesmo tempo do percurso São Luís-Barreirinhas e o principal: o conjunto de lagoas mais maravilhoso do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

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Se Atins e Barreirinhas oferecem lagoas incríveis, as de Santo Amaro são algo perto de estupendo.

Lagoas pequenas, lagoas enormes, lagoas azuis, lagoas infintas, lagoas cristalinas, de todos os formatos, de todos os tipos, para todos os gostos. Sabe aquela imagem aérea dos Lençóis que lembra um tapete infinito de dunas e lagoas? Pois é, essa é a representação exata da porção do parque nacional na região de Santo Amaro. Pra onde você olha tem lagoa, uma que cativa mais que a outra. É que Santo Amaro do Maranhão está localizada 1) literalmente aos pés das dunas, muito próxima ao burburinho de lagoas e 2) na área do parque em que o lençol freático está mais ativo, mantendo lagoas maiores, mais profundas e mais cheias por todo lado.

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Santo Amaro do Maranhão ainda engatinha no turismo, porém desde que o acesso via asfalto chegou e as ruas de areia fofa foram pavimentadas, a infraestrutura ali cresce, mesmo que a passos beeem pequenos. Mas pra viver a melhor e mais charmosa experiência de Santo Amaro você vai querer se hospedar na outra margem do Rio Alegre, numa ecopousada em rua de areia mesmo, como a Ciamat Camp (diárias desde R$ 378, fotos ao lado), um oásis marcado por chalés ecológicos entre a sombra das árvores num lindo jardim, ou a Rancho das Dunas (diárias desde R$ 264), que poderia ter chalés mais graciosos, mas acomoda bem, com ar.

A questão também é que Santo Amaro não é um município com atrativos turísticos (pelo contrário), então eleger uma acomodação com um ambiente favorável é o que vai fazer os seus momentos pré e pós-passeios serem mais gostosos, assim como os seus jantares – enquanto no almoço, a refeição vai ser numa barraca tradicional em um povoado próximo da lagoa em que você estiver ou entre passeios em Santo Amaro mesmo na tradicional Barraca da Ana ou no Sol de Amaro, ambos nas margens do rio.

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O movimento de Santo Amaro é em volta da pracinha central, como mandam as tranquilas cidades de interior, onde além da igreja e de casinhas coloridas e floridas, pequenos mercados, lojinhas de bugigangas e a cooperativa de turismo reúnem veículos pegando autorizações para entrar no parque nacional, turistas comprando de águas a boias para flutuar nas lagoas no último minuto e moradores se cruzando entre seus trajetos diários. Você vai passar por ali toda vez antes dos passeios aos Lençóis. E pode dar um giro de noite, depois da janta, pra tomar sorvete na tradicional Casa do Picolé.

Quem vai a Santo Amaro costuma começar a viagem pelo circuito que passa pelas Lagoas Andorinha e Gaivota, as duas mais próximas da área urbana, em região municipal – qualquer um pode chegar caminhando meia-hora. E aí está o problema: de final de semana, essas lagoas podem parecer Piscinão de Ramos. Melhor mesmo é adentrar o parque para fazer os passeios, saindo da área municipal. E aí o melhor a fazer é agendar os passeios com a própria pousada – a maioria delas tem braços de turismo também ou pode te ajudar a agendar sua programação com guias conhecidos.

LAGOAS DE SANTO AMARO DO MARANHÃO

A Lagoa da Bethânia é uma das mais famosas, apesar de ter “estourado” neste ano (quando uma lagoa enche tanto que rompe em outras lagoas). Além dela você também visita a Casa da Farinha, numa comunidade de 300 locais localizada no leito do rio. Emendadas é certamente a mais cobiçada, mas a mais difícil de chegar, por não serem permitidos 4×4 por perto. São 12 quilômetros caminhando, ou seja, você começa percurso logo depois do almoço e só retorna à Santo Amaro de noite, guiado pela luz das estrelas. Já a trilha de Lavada, comunidade de apenas 3 ou 4 casas marcada pela vegetação soterrada pelas dunas, é mais facilmente acessada e é um acerto. Suas lagoas são um must, uma mais linda que a outra, absolutamente desertas. E o novo roteiro de Travosa, recém-aberto, também é interessante de fazer: o carro segue beirando o mar até o canto do parque, onde você vê com muita autenticidade os pescadores, marisqueiros e a vidinha da comunidade local de 600 habitantes (o foco do roteiro, contudo, não são as lagoas).

A viagem aos Lençóis com estadia em Santo Amaro fica ainda mais completa unindo alguns dias em Atins ao roteiro, vilarejo com charme praiano entre a água doce e o oceano. O destino é a base dos kitesurfistas e de quem quer viver os Lençóis numa boa, curtindo circular por suas ruas de areia fofa, a infraestrutura charmosa de suas pousadas e restaurantes boutique e o pôr do sol marcante da praia de Atins. Leia mais sobre Atins aqui.

Anna Laura

Jornalista por formação e fotógrafa por vocação, a editora do Carpe Mundi registra o mundo com sua Nikon desde que se entende por gente - e hoje cultiva um feed milimetricamente pensado. Passou pelas redações da CARAS Online e da Viagem e Turismo e, depois de uma temporada em Paris, resolveu ser viajante full time: você pode encontrá-la por aí, cobrindo paraísos tropicais.

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