ONDE FICAR NOS LENÇÓIS MARANHENSES

São três bases possíveis na região do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses: Barreirinhas, Atins e Santo Amaro. E a sua escolha entre elas vai determinar muito sobre a sua viagem.

Barreirinhas é a capital dos Lençóis, principal porta de entrada ao parque, burburinho dos pacotes turísticos e o lugar mais óbvio para se hospedar numa viagem aos Lençóis Maranhenses – mas não necessariamente o melhor. Cidade feia, movimentada e sem graça. Já Atins, a 1h de Barreirinhas descendo o Rio Preguiças, é um verdadeiro charme. Pousadinhas graciosas, ruas de areia fofa, lagoas bem mais vazias, vibe descolada e o plus da praia. Santo Amaro seja talvez a base menos conhecida dos turistas que vêm de fora do estado (apesar de levar o mesmo tempo de viagem até Barreirinhas e contar igualmente com o acesso via asfalto), mas vale a viagem pelo nível fotogênico de suas lagoas: são certamente as mais lindas, as mais enormes, variadas, cheias e azuis de todo o parque nacional.

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Onde ficar nos Lençóis Maranhenses: Barreirinhas, Atins ou Santo Amaro?

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ONDE FICAR NOS LENÇÓIS MARANHENSES

BARREIRINHAS, o mais óbvio

Capital dos Lençóis, Barreirinhas é a porta de entrada do parque nacional há mais de 15 anos, desde quando o asfalto chegou ali decorrente dos interesses da gestão Sarney. Ponto para o desenvolvimento do destino turisticamente falando. Só que hoje o burburinho é tanto que a cidade é um tanto quanto barulhenta, suja e sem charme. Em Barreirinhas está concentrado de fato o maior número de pousadas e hotéis, agências de turismo, comércio e serviços em geral – a maior parte das hospedagens não é nada atrativa, mas há as boas exceções. É a base óbvia ao cogitar uma viagem aos Lençóis, com algum conforto e sem grandes dificuldades. E não dá para negar que suas enormes lagoas são deslumbrantes, como a Lagoa Bonita e a Lagoa Azul, mas estão sempre cheias, lotadas de caravanas turísticas e de grupos de bate-volta desde São Luís, sempre com alguém para disputar espaço por metro quadrado. O que desanima bastante e traz uma experiência totalmente diferente aos Lençóis. Mas, ainda assim, aparentemente é onde a maioria dos turistas opta por ficar. E mesmo quem escolhe fazer Atins de base precisa passar por ali e, dependendo do horário de chegada, dorme em Barreirinhas. Passeios por povoados do Rio Preguiças como Vassouras e pelo Canto do Atins também são populares desde a cidade.

ONDE FICAR EM BARREIRINHAS

Pousada Sossego do Cantinho (diárias desde R$ 287)

À beira-rio, com prainha com espreguiçadeiras de madeira e almofadas floridas, é uma opção atraente em Barreirinhas, devido aos seus chalés com varandinhas dispostos num jardim florido, ar-condicionado, paredes coloridas alegres e detalhes que fazem toda a diferença à décor rústica com encantos, como o mosquiteiro nas camas dando um toque especial e os amenities da Natura que combinam com a graça local. (RESERVE AQUI!)

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Encantes do Nordeste (diárias desde R$ 320)

É a pedida para achar charme em Barreirinhas. Chalés rústicos coloridos, tetos com coberturas de sapê e varandas com redes. O café da manhã conta com bolos, biscoitos e pãezinhos caseiros. A área à beira-rio é bem aproveitada, onde está instalado o gostoso restaurante Bambaê, aberto também para não-hóspedes, oferecendo day-use para aproveitar o deck com sombra de palmeiras e a piscina com quisoques para se acomodar. (RESERVE AQUI!)

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Porto Preguiças Resort (diárias desde R$ 330)

Claramente é a opção de estadia mais confortável de Barreirinhas, com a melhor infraestrutura de hospedagem de toda a região, seguindo um estilo rústico-praiano e práticas sustentáveis que merecem elogios. Apesar de suas três piscinas, está longe de ser, de fato, um resort. Ponto alto para os fogões à lenha de onde saem deliciosas tapiocas e para o fato do hotel disponibilizar caiaques gratuitamente para os hóspedes passearem pelo Rio Preguiças. (RESERVE AQUI!)

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ONDE FICAR NOS LENÇÓIS MARANHENSES

ATINS, charme e autenticidade

(leia o post completo de Atins aqui)

Em Atins, o canto direito dos Lençóis Maranhenses, a graça, a simplicidade e a autenticidade tomam conta. As ruas são de areia fofa, por onde circulam burrinhos soltos, todo mundo é gentil e se conhece, há mais gringos moradores do que maranhenses (e eles são donos de várias pousadas), flores colorindo as construções rústicas e a eletricidade chegou há pouco tempo. Atins cresceu, culpa do kitesurf: entre julho e janeiro, o vento é constante e consistente, atingindo até os 30 nós e garantindo as condições propícias para a prática do kite. Mas mantém seu charme. E quanto charme! Quem fica em Atins não vai ali só para ver as lagoas do Kite, da Ilha e comer peixes típicos nos restaurante do Antônio ou da Luzia no Canto de Atins, mas fica pra curtir também a praia, o sol, o vento. Atins é um destino por si só, complementado lindamente pelas dunas cheinhas de água dos Lençóis Maranhenses e por sua boa dose de originalidade. E suas acomodações refletem toda essa simple life, esse jeitinho charmoso traduzido em pousadas simples e graciosas, onde o conforto oferecido através de deliciosos cafés da manhã, toques decorativos fofos praianos e um nível de hospitalidade mais pessoal aos hóspedes: os gerentes ou donos das pousadas (que são quase sempre gringos; Atins é surpreendentemente multicultural) vem conversar, te receber, ajudar na organização dos passeios e se gabar do encanto local. Mas a infraestrutura ainda é de vilarejo pescador praiano: pode acontecer de pingar dentro do quarto durante chuvas fortes, até nas pousadas mais caras. E não se engane: simplicidade não é sinônimo de preço barato: a estadia, no geral, costuma ser mais cara do que o imaginado (e a mais cara entre as três bases). Difícil acesso, opções limitadas e paga-se também pelo charme.

ONDE FICAR EM ATINS

Pousada Jurará (diárias desde R$ 297)

Na rua principal do vilarejo, a pousada, comandada pelo mesmo grupo da Encantes do Nordeste, de Barreirinhas, figura como boa opção em conta de hospedagem em Atins. As áreas comuns têm seu charme nas plantas, nas almofadas estampadas, nos itens de decoração praianos, no jardim com luminárias e espreguiçadeiras. Os quartos entregam uma boa noite de sono, mesmo não sendo nada demais, mas é aquilo: você não vai para Atins para ficar dentro do quarto. (RESERVE AQUI!)

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Rancho do Buna (diárias desde R$ 295)

Num terreno de tamanho considerável, com riacho, piscina e restaurante, foi, por muito tempo, dona da melhor infraestrutura de Atins (antes da La Ferme de Georges e outra aterrissarem por ali). Hoje, propriedades superiores são mas interessantes, mas o custo-benefício ainda é um super atrativo. E o ar-condicionado (raridade em Atins). Segue a linha rústica: estética bucólica, paredes de tijolinhos, móveis artesanais, enfeites de palha. Fica, contudo, a 15 minutos de caminhada do centrinho. (RESERVE AQUI!)

Santa María Atins (diárias desde R$ 406; foto abaixo)

Pousada à beira-mar, logo no início da praia de Atins, projetada por um artista espanhol e comandada pelo argentino Ignacio. No terreno, uma casa principal e quatro bangalôs estão dispostos num jardim de areia e grama com redes, palmeiras e espaços para relaxar. Balanços, itens de palha e frases gravuradas na parede dão charme à décor. Como em quase todas as pousadas de Atins, não há ar-condicionado, somente ventilador. (RESERVE AQUI!)

La Ferme de Georges (diárias desde R$ 1 098)

Com a maior (e melhor) estrutura do vilarejo, e, consequentemente, as diárias mais caras, a proposta que vigora é a ventilação natural nos chalés arejados espalhados pelo enorme jardim, assim como as construções sustentáveis, feitas de madeira local, tijolo e palha. A dose de luxo vem na cama king-size, no chuveiro por onde a água desce com pressão, na piscina e no bar e restaurante onde a base dos comes e bebes vem da hortinha local. (RESERVE AQUI!)

Vila Vento (diárias desde R$ 1 064 no novo bangalô)

Outra boa ideia de onde ficar em Atins é a Vila Vento, propriedade com três quartos dividindo espaço numa casa localizada num enorme terreno voltado para a praia. A boa é: a pousada acabou de inaugurar seu novo e top bangalô, um dos únicos com ar-condicionado. Da varanda elevada de frente pro mar você pode assistir aos kitesurfistas velejando ao pôr do sol. A hospitalidade fica por conta da Audrey, a gerente, que cuida de tudo com muito carinho. (RESERVE AQUI!)

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ONDE FICAR NOS LENÇÓIS MARANHENSES

SANTO AMARO, as lagoas mais belas

(leia o post completo de Santo Amaro aqui)

A terceira base dos Lençóis Maranhenses é a menos conhecida turisticamente, mas a que conserva as lagoas mais impressionantes de todo o parque nacional. É que Santo Amaro está, literalmente, no meio da areia, colada ao parque. Nem meia hora caminhando do centrinho da cidade e você já chega em lagoas belíssimas como a da Andorinha e da Gaivota. Mas aí também está o problema: a facilidade de acesso é tamanha que, aos finais de semana, a porção municipal do parque lembra um Piscinão de Ramos, mesmo pior que Barreirinhas. Razão pela qual vai ser melhor contratar passeios para rapidinho sair da área popular e adentrar o melhor dos Lençóis Maranhenses. Lagoas redondinhas, pequenas, enormes, profundas, azuis, que formam ilhas, que parecem infinitas, que formam um tapete sem fim de dunas e água, nas regiões de Lavada, Betânia e Emendadas. Se Barreirinhas e Atins contam com lagoas nível 7 ou 8, Santo Amaro com certeza leva nota 10. Uma vez lá e você vai entender. No quesito hospedagem não espere o charme e climinha intimista de Atins e nem o conforto fácil de Barreirinhas, mas dá pra achar boa originalidade nas pousadas ecológicas do outro lado do Rio Alegre.

ONDE FICAR EM SANTO AMARO

Pousada Rancho das Dunas (diárias desde R$ 264)

Do outro lado do rio, tem chalés espaçosos, piscina (de fibra), gazebo com redes e espreguiçadeiras, laguinho, horta e até uma arara que fica solta pela propriedade. Os chalés poderiam ser mais graciosos, mas acomodam bem – com ar-condicionado. Caiaques e SUPs são expostos no caminho para a piscina e podem ser utilizados sem custos pelos hóspedes. A própria pousada organiza trilhas e passeios pelos Lençóis. O restaurante pode ficar bastante lotado, uma vez que costuma receber passeios de grupos desde Barreirinhas. (RESERVE AQUI!)

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Pousada Ciamat Camp (diárias desde R$ 378)

Na outra margem do Rio Alegre, é a mais gostosa opção em Santo Amaro, um oásis marcado por chalés ecológicos entre a sombra das árvores. A ecopousada tem práticas de sustentabilidade desde ações ambientais por parte dos donos, italianos que adoram conversar sobre a preservação do parque nacional, à autêntica decoração: madeira encontrada em expedições de limpeza do mar, bancos feitos de pneus reutilizados e até uma boia trazida da Noruega pelas correntes marítimas. (RESERVE AQUI!)

Anna Laura

Jornalista por formação e fotógrafa por vocação, a editora do Carpe Mundi registra o mundo com sua Nikon desde que se entende por gente - e hoje cultiva um feed milimetricamente pensado. Passou pelas redações da CARAS Online e da Viagem e Turismo e, depois de uma temporada em Paris, resolveu ser viajante full time: você pode encontrá-la por aí, cobrindo paraísos tropicais.

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