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O que fazer em Montreal: roteiro de 3 dias pela cidade mais francesa do Canadá

O que fazer em Montreal:

Um pedaço da Europa na América do Norte é o melhor dos mundos. Montreal, no Canadá, reúne o charme francês, o refinamento britânico e a riqueza norte-americana num único destino. Custa a acreditar até que você possa entrar num lugar com seu melhor bonjour e, se a coisa encrespar, partir para um inglês funcional: quase todos são bilíngues na cidade que ama viver ao ar livre (mesmo quando a temperatura abaixa vertiginosamente), comer bem, beber bem, ser feliz.

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O que fazer em Montreal, no Canadá:

DIA 1: O QUE FAZER EM MONTREAL

O que fazer em Montreal: quem tem o hábito de começar por cima vai curtir conhecer o terraço panorâmico do Place Ville Marie. A 185 metros de altura e todo envidraçado, ele oferece uma visão de 360 graus da ilha entrecortada por rios, repleta de pontes e cercada de ilhotas. Onde fica o centro histórico? Cadê meu hotel? Que montanha é essa? Aos poucos você vai se familiarizando com a geografia e compreendendo onde fica cada coisa. Vale antecipar, Mont-Royal é a colina ao norte que deu o nome à cidade (a pronúncia em francês é sem o T).

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Além de ser todo lindo e ter um restaurante superbacana – o Les Enfants Terribles – o mirante conta com painéis eletrônicos interativos que vão narrando a história de Montreal e suas principais características. No final do percurso, você pode imprimir o itinerário que foi montando de totem em totem, para que nada escape na sua viagem.

O prédio Place Ville Marie, além de ser um dos mais altos da cidade, também é uma das entradas principais para o grande mundo subterrâneo: o Réso, que vai unindo estações de metrô a shoppings, hotéis e espaços de passagem num total de 32 quilômetros de extensão, and counting. Em geral, quem frequenta La Ville Souterraine, como eles a chamam, não procura diversão: são áreas bem funcionais. Os quebécoise de Montreal gostam mesmo é da vida na superfície.

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Conhecido como Vieux-Montréal, o centro histórico vai apresentando ruazinhas e construções antigas da praça em direção ao rio São Lourenço, em uma área muito agradável de caminhar e que se enche de gente no verão. A rua principal é a Rue Saint Paul Ouest, que já foi a mais importante da cidade. Mesas ao ar livre colorem a Praça Jacques Cartier, badalação certa.

O que fazer em Montreal: uma vez no velho porto, ou Vieux-Port, passeie sem hora pelos gramadões, quem sabe até o por do sol. Algo bacana que vem acontecendo é uma apresentação de audiovisuais nas fachadas dos edifícios históricos. Você pode acompanhar o áudio pelo celular por meio de um app e migrar de ponto em ponto para ver todos os filminhos. O programa se chama Cité Mémoire e dura pelo menos até março de 2017.

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A programação cultural de Montreal é impressionante: não tem um mês em que não haja algo relevante acontecendo. La Bienalle de Montréal, entre outubro e janeiro, talvez seja o festival mais famoso, mas há os de cinema, mil tipos de paradas, festas e apresentações gratuitas. E quem disse que o frio (só no inverno!) é problema?

Quem gosta de ver a expressão de arte local deve se lembrar que o Cirque du Soleil é uma companhia canadense e tem sua sede em Montreal.

DIA 2: O QUE FAZER EM MONTREAL

O que fazer em Montreal: um café da manhã reforçado pode ser uma boa ideia para encarar uma das maiores áreas verdes da cidade, o Mont-Royal, a colina ao norte que, além de emoldurar grande parte do horizonte, também deu nome a Montreal. Se o do hotel não for suficiente, encare um passeiozinho até um dos muitos lugares bacanas para um brunch. O Le Richmond (foto ao lado) é um deles. Trata-se de antigo galpão transformado em empório e restaurante, ao estilo Eataly, superaconchegante e com comidinhas deliciosas. Fica em Griffintown, um bairro meio abandonado mas que vem ganhando novos empreendimentos.

Pronto para subir? Antes, saiba que na colina há um parque, o Parc Mont-Royal, projetado pelo mesmo paisagista que fez o Central Park de Nova York. Ao longo de 200 hectares, há bosques, jardins, trilhas e passarelas agradáveis em qualquer estação do ano. No topo, uma sede permite você descansar, se aquecer ou se refrescar e um mirante deixa ver o skyline da cidade.

Depois de tantas folhas de plátanos (de verde ao vermelho, passando pelo amarelo, a depender do mês), talvez não reste espaço nas retinas. Que tal uma tarde livre para compras? No Réso, nem que seja pela curiosidade de andar pelo imenso complexo de 32 quilômetros (você não precisa percorrer todos, viu?) de túneis e esplanadas abaixo do solo. Uma dica importante: ao descer, lembre o ponto exato, o nome da primeira loja que viu ou alguma outra referência. Não se envergonhe de fotografar ou anotar em algum lugar, para não parecer uma barata tonta na hora de voltar à superfície e não saber mais aonde está.

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O que fazer em Montreal: a dúvida é como se locomover – e isso faz toda a diferença na hora de programar o seu dia. Saiba que andar de bicicleta é estimulado o tempo todo. São 450 pontos de aluguel em toda a cidade. Se não for sua praia, tem ônibus, trem e metrô. Tem até barco ao longo do São Lourenço que serve como meio de transporte ou passeio turístico. Caminhar parece bom? Manda ver. A rua Sainthe-Catherine é a melhor para bater pernas. Ela é imensa; corta toda a cidade por 15 km. O trecho entre a Crescent e a St-Alexandre é o que tem os melhores endereços: de grifes a lojas de departamento (quase todas com sua “face” subterrânea, onde o sol não bate e o tempo passa sem a gente perceber).

DIA 3: O QUE FAZER EM MONTREAL

O que fazer em Montreal: um brunch no Renoir, no Sofitel de Downtown, pode ser a melhor maneira de começar o dia – se for um domingo. É tanta delícia nos bufês que a vontade é de experimentar todas, intercalando doces e salgados sempre com uma das levíssimas madeleines e achando boa ideia repetir o oeuf bénédictine uma vez mais. O risco de querer ficar jiboiando depois é bem alto. Quem sabe reservar um quarto ali mesmo, direto no balcão, pode ser dos mais simples, só para descansar depois da orgia gastronômica.

O sonho pode continuar caminhando pelo Mille Carré Doré (ou Golden Square Mile), o bairro de mansões famosas do final do século 19, que marcam o fim de uma era de glória da cidade que já foi capital do Canadá e que esteve em mãos ora de frances, ora de ingleses, em distintas fases ao longo do tempo. Se a Montreal anglófona por muito tempo não se dava com a francófona, hoje isso é passado.

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O que fazer em Montreal: a história completa pode ser entendida no Pointe-à-Callière, o museu de história e arqueologia que remontou ambientes completos da Montreal antiga a partir de vestígios e objetos, com uma curadoria excepcional. Exposições temporárias também abrangem outras regiões do mundo.

Para o melhor museu de arte, o Montreal Museum of Fine Arts não tem desperdícios. Criado em 1860 por um grupo de colecionadores, ele reúne hoje mais de 41 mil obras em cinco pavilhões. O mais novo chama-se Michal and Renata Hornstein Pavilion for Peace, e tem tanto exposições permanentes como temporárias. A seleção de trabalhos é maravilhosa: cada ambiente reúne não apenas obras de arte como objetos de época, criando ambientes realmente envolventes. A arquitetura também chama a atenção: os espaços entre uma escada e outra, para mudar de andar, são rodeados de vidro: o visitante se sente realmente dentro da cidade, e pode observá-la como se ela mesma fosse… uma obra de arte.

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No MAC, focado em artistas canadenses, costumam ser feitas as bienais. Ele fica em pleno Quartier des Spectacles, que dispensa apresentações. Sobre assuntos climáticos, vá para a Biosphere, no Parque Jean-Drapeau. Se der tempo, visite o Jardim Botânico. Atrás de Londres e Berlim, ele é um dos três maiores do mundo: tem vinte jardins temáticos, 1500 espécies de orquídeas e um “insetário”.

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Onde ficar em Montreal:

Renaissance Downtown (diárias desde US$ 173, RESERVE AQUI!)

Ficar no Renaissance é uma diversão para os olhos: todos os espaços são decorados por artistas locais, num mix entre kitsch e moderno que faz com que tudo seja possível, até um balanço (desses pendurados por cordinhas) no lobby diante de uma cesta de maçãs verdes, à disposição dos hóspedes. Os quartos simples não são grandes nem muito bem iluminados, mas o conforto da cama, dos roupões, dos travesseiros, a cafeteira, a localização, numa esquina charmosa a passos da St-Catherine, o terraço na cobertura, ah… Tudo isso compensa muito.

Le Petit Hôtel (diárias desde US$ 135, RESERVE AQUI!)

As paredes de pedra dão aos 28 quartos o toque do passado: como se você voltasse no tempo e pudesse desfrutar da Vieux-Montréal do século 19. A fachada é a coisa mais fofa, os janelões são de madeira, o ambiente é acolhedor, a decoração é sóbria e cálida ao mesmo tempo. Nos banheiros, o chuveiro faz hidromassagem. Como serviço, além de croissants memoráveis no café da manhã no próprio lobby, o hotel empresta bicicletas aos hóspedes que queiram ir um pouquinho mais longe. Nem precisava.

Le Place d’Armes Hotel & Suites (diárias desde US$ 113, RESERVE AQUI!)

O primeiro hotel-butique de Montreal fica neste belo prédio de esquina, do século 19, em estilo neoclássico, do lado oposto da Notre Dame. Localização mais do que privilegiada. Tem 133 quartos, spa, bar japonês, restaurante no terraço, lounge para drinks. Os edredons são de pluma, o frigobar vem abastecido, a academia é bem equipada.

M Montreal (diárias desde US$ 16 no quarto coletivo e US$ 58 no privativo, RESERVE AQUI!)

Hostel moderninho com instalações novas, um bar animado no térreo e uma cozinha compartilhada bem equipada.  Mesmo os quartos coletivos contam com TV de LCD. Fica em Vieux-Montréal.

Restaurantes em Montreal:

Maison Boulud

O três-estrelas Michelin Daniel Boulud assina a cozinha deste restaurante no térreo do Sofitel. É tão aconchegante quanto um jardim de inverno, e você se sente já alimentado apenas de estar ali. Mas aí vem o cardápio, a difícil escolha entre seis ou sete pratos principais, e a leveza virá em forma de almoço ou jantar. As madeleines que acompanham o café parece que flutuam.

East Pan-Asian Cuisine Bar

O East é o suprassumo da cozinha oriental, que encontra seu melhor resumo na “yusheng”, uma supersalada montada na sua frente com 32 ingredientes e 12 tipos de grãos de arroz: tanto o preparo quanto a degustação transformar o ato de comer uma salada em algo sublime. Dim Sum, os bolinhos recheados de carne de porco, verduras, frango, acompanham bem qualquer etapa da refeição. Pato de Pequim, noodles, um pad thai: se ficar muito em dúvida, peça para o garçom escolher por você. Assim a surpresa será do começo ao fim (você pode até radicalizar e comer de olhos fechados).

Le Richmond (foto)

Um espaço de quase 1 000 metros quadrados de um antigo galpão do século 19 deu lugar a um lugar descoladinho que tanto funciona como empório quanto como restaurante. Estar ali para um café ou refeição completa é uma experiência de parar no tempo, dado o remoto de Griffintown (bairro que tem começado a renascer) e do aconchego do ambiente. Com design e gastronomia de mãos dadas, o lugar vende produtos italianos de origem ou influência. Docinhos (as confitures), pães, biscoitos, ingredientes, tudo isso você pode ver enquanto espera o prato, ou depois, na hora do cafezinho.

Les Enfants Terribles

Com outras três casas espalhadas pelo Quebec, o lugar já é uma grife. Neste endereço, o campeão de frequência é o cliente da happy hour: com vista para o pôr do sol e drink na mão. Os artigos da marca à venda na lojinha são uma fofura.

L’Auberge Saint-Gabriel

O cardápio não chega a ser tão bom quanto a história do Saint-Gabriel, uma antiga taberna construída no século 17 por um soldado francês e que foi o primeiro lugar a ter autorização para vender bebidas alcóolicas na América do Norte em 1754. Comprado por uma família quebécoise nos anos 1980, ele mantém o climão de taberna, e se esforça num cardápio criativo. Não bastasse as paredes falarem, à noite ele também se transforma num speakeasy dos mais animados.

Quando ir a Montreal:

Seguindo o exemplo dos próprios locais, não é preciso se preocupar a respeito da estação do ano, mesmo que os termômetros desçam a -6°C. O pessoal é duro na queda e não se intimida nem para sair de casa – usando sempre o Réso. Mas vamos convir que embora seja curioso viver indoors, o mais bacana é aproveitar o verão superquente mas animadíssimo ou os amenos outono e primavera.

*O Carpe Mundi foi a Montreal a convite da Air Canada e do órgão de turismo local. O conteúdo do post reflete apenas a opinião da autora.

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