Boston é, antes de tudo, uma cidade histórica.

Estabelecida em 1630, foi o centro comercial e intelectual das colônias britânicas  e, mais tarde, da luta revolucionária que culminou na independência do país. Apesar disso, ela teve uma das mais bem-sucedidas histórias de renascimento urbano nos últimos 20 anos, com várias iniciativas para tornar a cidade melhor e mais funcional, e reverbera uma população cosmopolita (e universitária, claro, já que tem mais 50 universidades nas proximidades), lojas bacaninhas, museus e restaurantes de frutos de mar. E a cidade ainda é compacta, fácil de cursar a pé e de metrô. Veja aqui o que fazer em Boston com esse roteiro de três dias.

O que fazer em Boston: roteiro completo de três dias

DIA 1

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O coração verde da cidade é o BOSTON COMMON, o Central Park local, em proporções menores, que tem lindos jardins em toda sua extensão – se estiver sol, vá até o PUBLIC GARDEN dar uma voltinha no lago para começar o dia. No parque começa a famosa FREEDOM TRAIL, um caminho vermelho pintado no chão que você pode seguir para ver as principais construções históricas da cidade (o centro de visitantes dá um mapinha). Ela passa por lugares como a OLD STATE HOUSE, sede do governo de Massachusetts no século 18, em que hoje um pequeno museu com guias vestidos de revolucionários contam a história da libertação do país das garras dos ingleses.

Os mercados FANEUIL HALL MARKETPLACE e o Quincy Market fazem parte da trilha – vale entrar no BOSTON PUBLIC MARKET, do lado deles, transformado em um mercadão meio gourmet focado em produtores da região da Nova Inglaterra – tem queijos, frutos do mar, mel, sorvetes, massas, docinhos, etc. Dê uma voltinha e depois atravesse a ponte para seguir a LITTLE ITALY, no bairro de North End, cheia de restaurantes, boutiques, mercadinhos e docerias.

Almoce no NEPTUNE OYSTER, um dos melhores points de frutos da mar da cidade (se estiver cheio, deixe o nome que eles te ligam quando vagar uma mesa). Comer ostra em Boston é bem interessante: vem um menu com vários tipos dizendo da onde vieram e com características como “mais carnudas, mais salgadas, com um leve toque amanteigado”. Para quem não entende muito do assunto, é só pedir uma de cada. Deixe a sobremesa para o MIKE’S PASTRY, pertinho dali, que vende canolis de mil sabores (o de pasta de amendoim aposto que não tem na Mooca).

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Voltando ao centro, dá para passear pelo bairro histórico de BEACON HILL. Ele também fica colado no parque Boston Commom. A rua de paralelepípedos CHARLES STREET começa no parque e é uma delícia, com um monte de lojinhas interessantes como a Black Ink, com livros, brinquedos e apetrechos de viagem, e a Beacon Hill Chocolate, considerada uma das melhores chocolaterias da cidade.

O que fazer em Boston:

DIA 2

BACK BAY é o bairro central onde muita gente fica hospedada. Se o tempo estiver agradável, comece o dia passeando pela CHARLES RIVER ESPLANADE, uma passarela gostosa ao longo do Rio Charles que fica especialmente bela no outono, quando as folhas laranjas e e vermelhas das árvores colorem a paisagem. De lá, vá passear na rua principal do bairro, a NEWBURY STREET, com oito quarteirões de lojas, desde Urban Outfitters até Chanel.

Para os dois museus essenciais de Boston, suba no metrô mais antigo do país, que eles chamam de “T”. O MUSEUM OF FINE ARTS (de Back Bay é só subir na estação “Prudential” e descer na “Museum of Fine Arte”, bem em frente ao museu) tem uma das maiores coleções de pintores impressionistas do mundo, graças ao colecionadores bostonianos do fim do século 19 que compravam as obras então baratas dos pintores impressionistas europeus antes da fama enquanto os colecionadores de Paris e Nova York ainda riam de Monet, Degas e Renoir.

Quase ao lado dele está o ISABELLA STEWART GARDNER MUSEUM (dá pra ir a pé), museu fundado pela colecionadora novaiorquina em 1903 na mansão dela. Para contrastar com a coleção e a casa antiga, acoplaram ao museu em 2012 um prédio de vidro todo moderno do arquiteto italiano Renzo Piano para abrigar exposições de arte contemporânea. O restaurante lá dentro é uma delícia para aplacar a fome depois do tour pelos museus.

Do museu são 10 minutos a pé até o TIME OUT MARKET BOSTON, mercadão gourmet que é ótima pedida para comer quitutes de alguns dos chefs mais bacanas de Boston por preços amigos. Vão bem a lagosta do Saltie Girl, as almôndegas do Michael Schlow ‘s e a comida asiática do Ms. Clucks Deluxe.

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O que fazer em Boston:

DIA 3

O South End (a 1,5 km de Back Bay) é o bairro da modinha. Se for domingo entre maio e outubro, vá ao animado mercado SOWA OPEN MARKET (460 Harrison Avenue), que rola das 10h às 15h com mais de 170 estandes de comida, cerveja artesanal, food truks e produtos de artistas e designers locais.

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Se não, dá para fazer um passeio por Cambridge (Boston é pequena na prática, mas no mapa ela parece muito maior por causa das divisas imperceptíveis com as cidades próximas, como Brookline, Somerville e Cambridge). Vá até o HARVARD SQUARE para ver um pouco da região e conhecer a parte externa do campus. São oferecido tours guiados gratuitos dados pelos próprios estudantes (em inglês) – veja os horários no site, mas tem quase todo dia de manhã e de tarde. Com eles você entende mais sobre o campus de 1636, vê onde viveram alguns moradores “célebres” como John F. Kennedy, Bill Gates e Mark Zuckerberg e aprender historinhas do campus como a do ex-aluno que dá nome à biblioteca Harry Elkins Widener Memorial Library, que morreu no Titanic quando voltava da Europa.

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Pra terminar, você pode conhecer uma das regiões mais faladas da cidade no momento: o SEAPORT DISTRICT– do parque Boston Commom são 10 minutos na linha vermelha do metrô para chegar lá (desça na South Station e atravesse a ponte a pé). Ali tem duas atrações boas para quem está em família, o BOSTON CHILDREN MUSEUM, um museu infantil,  e o BOSTON TEA PARTY SHIP AND MUSEUM. Este último é uma réplica dos navios da famosa Boston Tea Party (evento que antecede a independência dos EUA, quando os colonos se revoltaram com o valor dos impostos e jogaram todo um carregamento de chá inglês no mar). Personagens vestidos como na época fazem uma encenação contando esse pedaço da história do país (em inglês). Se não for o caso, dê uma passada no excelente INSTITUTE OF CONTEMPORART ART, debruçado sobre a água. As exposições e a lojinha são legais, e o prédio, todo de vidro, tem alas vazias com bancos pra admirar o Boston Harbor (a baía de Boston).

E aí vá comer, porque em Seaport District estão agora alguns dos melhores restaurantes da cidade. Escolha entre o SPORTELLO, uma trattoria moderninha que é um dos mais acessíveis empreendimentos da badalada restauranteur Barbara Lynch, e o ROW 34, para ostras, ceviches e outros frutos do mar, de preferência crus.

Onde ficar em Boston:

HI – Boston Hostel (partir de US$ 42 no quarto coletivo) – É lugar para pagar pouco com localização melhor impossível. O hostel é bastante novo, com boas áreas comuns.

Hotel 140 (diárias a partir de US$ 250) – Opção em Back Bay; bonitinho, confortável, num prédio histórico com lobby bem conservado.

Charlesmark Hotel (diárias a partir de US$ 269) – Em Back Bay, possui quartos pequenos e modernos e um bar com área externa gostosa.

Boston Hotel Commonwealth (diárias a partir de US$ 278) – Próximo do estádio de baseball Fenway, está instalado em bonitos edifícios tipo townhouse reformados, com instalações modernas que incluem o ótimo restaurante Island Creek Oyster Bar e um rooftop com vista para os arredores.

Betina Neves

A jornalista é perita em traçar roteiros e vive na eterna busca pela passagem aérea mais barata. Escreve um e outro post por aqui enquanto explora o mundo dentro e fora de si. Pode ser encontrada em cachoeiras na Chapada dos Veadeiros, retiros budistas na Tailândia e montanhas na Califórnia.

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