A Ilha de Marajó é, de fato, um dos destinos mais surpreendentes da Amazônia brasileira.
Com suas paisagens que misturam rios, praias de água doce, campos, matas densas e uma fauna rica em aves, peixes e búfalos que circulam livremente, a Ilha de Marajó, no Pará, oferece uma experiência única na Amazônia. Você sabia, inclusive, que Marajó é considerada a maior ilha fluviomarinha do planeta? Veja abaixo 13 curiosidades sobre a Ilha de Marajó que vão te surpreender!
LEIA MAIS: 11 motivos para Alter do Chão, no Pará, ser seu próximo destino
Turismo no Norte do Brasil: o que você precisa conhecer pelos 7 estados
ÍNDICE:
Como chegar na Ilha de Marajó?
Para chegar a Marajó, o ponto de partida é Belém, capital do Pará. De lá, você pode pegar um barco ou uma balsa até o porto de Camará, na ilha, em uma travessia que dura cerca de 3 a 4 horas. As balsas são ideais se você estiver de carro, já que elas têm estrutura para transportar veículos, enquanto os barcos de passageiros oferecem um trajeto mais rápido e vistas incríveis do rio. Do porto, é só seguir de van ou ônibus até Soure e Salvaterra. Obs: durante a época de cheia, o trajeto fica ainda mais tranquilo, mas vale conferir horários e condições antes de embarcar.
Quando ir para a Ilha de Marajó?
A melhor época para conhecer Marajó é entre junho e dezembro, período de menos chuvas na região. Nessa época, o clima fica mais favorável para passeios de barco, trilhas e para aproveitar as praias da ilha, como Barra Velha e Jibóia. Veja abaixo 13 curiosidades sobre a Ilha de Marajó.
LEIA MAIS: Como ser turista consciente na Amazônia em 8 passos básicos
O que levar na mala para a Amazônia: roupas de aventura para a selva
Curiosidades sobre a Ilha de Marajó
- A Ilha de Marajó é, na verdade, um arquipélago banhado pelos rios Amazonas e Tocantins e o Oceano Atlântico. No encontro dessas águas, são cerca de 3 mil ilhas e ilhotas, que formam um verdadeiro labirinto natural. O resultado: uma geografia com praias de água doce e salgada, manguezais que abrigam uma biodiversidade riquíssima e extensos campos alagados que mudam conforme a época do ano.
- O nome Marajó vem do tupi Mbara-Yó, que significa “barreira do mar” e, segundo historiadores, remete a povos antigos que habitavam a região. A palavra faz referência à ideia de uma grande muralha erguida diante do Atlântico, resistente até mesmo às tormentas oceânicas. Além do significado histórico, o nome faz jus ao papel geográfico de Marajó, sempre em equilíbrio entre o rio e o oceano.
- O arquipélago de Marajó é formado por 16 municípios, com cerca de 550 mil habitantes espalhados entre cidades e vilarejos ribeirinhos. As principais cidades para turismo são Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari e Joanes. Grande parte da população vive no campo ou à beira dos rios, onde a infraestrutura ainda é bem básica – saneamento, por exemplo, é um desafio. Os índices de desenvolvimento humano (IDH) não são dos melhores, mas a vida na ilha tem um ritmo próprio: mais próxima da natureza, com tradições fortes.
- Conhecida como a “Capital dos Búfalos”, a Ilha de Marajó abriga mais de 600 mil desses animais majestosos, que se tornaram parte da paisagem local. Introduzidos no século XIX por imigrantes italianos, os búfalos não apenas contribuem para a economia da região, com produção de leite, carne e transporte, como também participam até do patrulhamento da polícia. Ao caminhar pelas planícies e praias da ilha, não é raro avistar esses animais tranquilos cruzando o caminho e dando um charme especial à Marajó.
- Marajó é considerada a maior ilha fluviomarinha do planeta. Localizada na foz do Rio Amazonas, tem aproximadamente 40 mil km² – superando todas as ilhas do Caribe, exceto Cuba e a Ilha de São Domingos, além de ser maior que alguns países europeus, como Bélgica e Suíça.
- Geograficamente, Marajó se divide naturalmente em duas metades: o Leste, com savanas extensas, e o Oeste, coberto por florestas densas. Grande parte da ilha é inundada por cheias ou marés, com rios de até 100 km cortando a região florestal ocidental e a bacia do interior Leste, alagada de 6 a 8 meses por ano. No Norte da parte Leste da ilha, há enormes áreas de palmeiras, principalmente buriti e açaí, que ficam alagadas grande parte do ano. É de lá que vêm os frutos e o palmito, que às vezes precisam ser transportados de helicóptero em locais difíceis de acessar – o gado circula por essas áreas durante a seca ou quando a água está baixa.
- Por lá, visite praias tranquilas como Barra Velha e Jibóia, perfeitas para quem busca sossego e contato direto com a natureza – raramente ficam lotadas. Explore também os ranchos de búfalos, onde é possível conhecer de perto a rotina desses animais e, para mergulhar na história e cultura local, o Museu do Marajó reúne artefatos indígenas e informações sobre a vida na ilha. Por fim, vá até a Reserva Biológica do Lago do Fogo, com sua vegetação tropical exuberante e rica diversidade de fauna – ideal para os apaixonados por ecoturismo.
LEIA MAIS: Quando ir para a Amazônia: explorando a selva nas estações seca e cheia
- Marajó se destaca por suas paisagens que combinam florestas densas, campos alagados, igarapés e praias de água doce banhadas pelos rios Amazonas e Tocantins. O ecossistema local é extremamente diverso: manguezais, áreas alagáveis e vegetação típica da Amazônia formam cenários que mudam de aparência conforme as estações. A fauna é igualmente impressionante, com búfalos que circulam livremente, aves coloridas como guarás e araras, capivaras, jacarés e uma enorme variedade de peixes nos rios e igarapés.
- A gastronomia de Marajó é bem diversa: os pratos tradicionais incluem peixe fresco, camarões e iguarias locais como o famoso Pato no Tucupi, que combina sabores indígenas e amazônicos. Além desses, é comum encontrar receitas à base de mandioca, tucupi e outros ingredientes típicos.
- Em Soure, principal porta de entrada da ilha, é possível se hospedar em pousadas aconchegantes e provar a culinária local. Do outro lado do rio Paracauari, Salvaterra oferece contato direto com comunidades ribeirinhas e áreas de proteção ambiental. Muitos roteiros são feitos pelos próprios habitantes, que transformaram suas casas, saberes e tradições em experiências para os turistas – isso fortalece a economia de Marajó e proporciona uma imersão genuína na vida marajoara.
- Embora o estado do Pará considere Marajó uma área de conservação, a ilha ainda não tem parques ou reservas protegidas. O ecoturismo aparece como uma opção para ajudar na preservação, principalmente das colônias de aves, que já foram muito afetadas ao longo do tempo.
- A cerâmica marajoara é uma das mais antigas das Américas, com mais de mil anos de história. Criada pelos povos indígenas que viviam na ilha, suas peças são cheias de padrões geométricos e símbolos que carregam histórias sobre a natureza, a espiritualidade e o dia a dia da população. Reconhecida internacionalmente, a cerâmica não é só arte: é identidade cultural de Marajó. Hoje, suas peças podem ser vistas em museus, ateliês e comunidades locais, onde artesãos continuam preservando técnicas ancestrais.
- O Carimbó é uma das danças mais tradicionais da Ilha de Marajó. Realizada em roda e em pares, a manifestação cultural do Nordeste do Pará se destaca pelos movimentos giratórios e pelas saias coloridas, que dão ritmo e charme à dança. Também é conhecida como samba de roda do Marajó ou baião típico da ilha. De origem indígena, o nome vem do tupi korimbó, que significa “pau que produz som”, em referência ao curimbó, tambor feito de tronco escavado e tocado com as mãos, que marca o ritmo envolvente dessa tradição.
Onde ficar em Marajó: as melhores pousadas
Pousada O Canto do Francês (diárias desde R$ 329)
A Pousada O Canto do Francês é um refúgio charmoso, com café da manhã com frutas frescas da estação, pães caseiros e sucos naturais. O restaurante da pousada, aberto também a visitantes, é referência na região, oferecendo uma gastronomia que combina sabores locais e franceses. O clima é descontraído, com piscina ao ar livre, áreas comuns e quartos decorados com identidade local, destacando elementos da cultura marajoara, como búfalos e peixes.
Pousada Marajoara (diárias desde R$ 562)
A Pousada Marajoara é perfeita para quem busca contato com a natureza e diversão em família, já que você pode encontrar vários animais soltos pelo espaço, incluindo búfalos, garantindo uma experiência autêntica de fazenda. A propriedade oferece restaurante, café da manhã em estilo buffet e americano, piscina ao ar livre, parque aquático e atividades a cavalo. A localização é excelente: a Praia do Garrote fica a apenas 2 km, e a Praia de Água Boa está a cerca de 15 minutos a pé.
Pousada das Estrelas (diárias desde R$ 220)
A Pousada das Estrelas é simples, mas acolhedora, com quartos confortáveis, varanda com vista para o jardim e uma piscina rodeada por palmeiras. Fica a apenas três minutos a pé da belíssima Praia de Joanes, e oferece um ambiente tranquilo para curtir com a família, incluindo mesa de bilhar.
Bosque dos Aruãs (diárias desde R$ 291)
De frente para a praia, em Salvaterra, a Pousada Bosque dos Aruãs é bem rústica e acolhedora, com aquele sentimento “pé na areia” e um pôr do sol maravilhoso. Os chalés são simples, com varanda, e o local conta com um restaurante com pratos locais e café da manhã em estilo buffet.