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Chapada Diamantina: como ir, melhor época, onde ficar e outras dicas

Rainha das chapadas e dona de uma das paisagens mais impressionantes do Brasil, a Chapada Diamantina (BA) dá um banho de natureza com quedas d’água imensas caindo entre cânions, grutas de água azulada e trilhas por montanhas de topo chapado onde a vegetação varia entre cerrado, caatinga, campos rupestres e até Mata Atlântica. Em cidadezinhas coloniais nascidas ao redor garimpo que ocorreu ali por décadas, pousadas, lojinhas e restaurantes tocados por moradores gentis convidam a uma imersão pela cultura regional, com muito godó de banana-verde, cozido de palma (cacto) e pastel de jaca no prato. Vem ver nosso guia pra conhecer a região.

Chapada Diamantina: guia completão

Quanto tempo ficar?

Pergunta difícil; daria pra ficar um mês todo ali. Mas o mínimo é uma semana, ainda mais para quem vem do Sudeste, para valer o deslocamento e ver as principais atrações. Para fazer com mais calma, o ideal seriam dez dias. Deixe a ansiedade de lado: você não vai conseguir ver tudo o que o Google Imagens mostra numa viagem só. Aqui eu dou uma sugestão de roteiro de 7 a 9 dias.

Como chegar?

A cidade-base principal da Chapada Diamantina é Lençóis (BA), a 450 km de Salvador. Existe um aeroporto ali, mas os voos da Azul são caros. O negócio mais econômico acaba sendo chegar em Salvador mesmo e dali alugar um carro (como fizemos com a Rentcars), pegar um ônibus com a empresa Rápido Federal, mas aí precisa casar o horário do voo com o do ônibus ou dormir uma noite em Salvador) ou tranfer (que são caros, cerca de R$ 800 o carro).

Precisa de carro?

Ter carro é prático: você fez tudo no seu tempo. Também é jeito mais econômico pra quem está em grupo (eu estava em quatro pessoas e aluguei carro com a Rentcars). Dirigir, porém, é cansativo, já que as distâncias são grandes e tem muitas estradas de terra. Se você está sozinho ou simplesmente quer mais conforto, melhor montar seu pacote ou se encaixar nos grupos de agências como a Venturas. O que eu fiz: aluguei carro e montei pacote com a Venturas já com hospedagem, guias, almoços e lanches de trilhas pra todos os passeios. Para mim foi o melhor esquema porque eu estava com a minha família, mas você pode pensar no que seja melhor para sua trip.

Aceita cartão?

Alguns lugares sim, mas é melhor ter uma reserva em dinheiro vivo. Saque no aeroporto de Salvador ou em agências de Itaberaba, antes de chegar em Lençóis – ela e as outras cidades da região só têm agência do Banco do Brasil e Caixa.

Precisa de guia?

Algumas, com o Poço Encantado e o Poço Azul, ficam dentro de propriedades privadas e já oferecem guia com o ingresso. No Morro do Pai Inácio dá pra seguir o fluxo de gente montanha acima pelo caminho demarcado. Trilhas mais longas precisam absolutamente de guia: Cachoeira da Fumaça, trilha Guiné-Capão, Travessia do Vale do Pati, Cachoeira do Sossego. No tour de barco por Marimbus precisa de guia, que é o canoeiro. Na Cachoeira do Mosquito é bom ter guia; apesar da caminhada ser curta, não é bem demarcada. Na do Buracão é obrigatório contratar o guia da associação local. No geral, vale a pena fechar um pacote com uma agência (a nossa foi a Venturas, maravilhosa em todo serviço), mesmo que você esteja de carro: eles dão lanche, informação, assessoria, contam história. Lembre-se que contratando guias você também está incentivando a comunidade local a entender o turismo como gerador de renda e com isso também contribuindo para a preservação da natureza da região.

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Onde ficar?

Para dar uma geral (ainda que superficial) na chapada, é preciso dormir em pelo menos duas das três cidades principais da região: Lençóis, Mucugê e Capão (o nome do vilarejo é na verdade Caeté-Açu). O ideal mesmo é dormir nas três, pra diminuir os bate-volta (ir pra Cachoeira da Fumaça de Lençóis, por exemplo, é possível, mas dá um deslocamento de quase 3 horas só pra ir. Há outras cidades secundárias como Guiné, Igatu e Ibicoara, que também têm opções de hospedagem.

Quando ir?

Cada parte do ano tem suas particularidades. No verão chove mais, o que deixa as trilhas (e as estradas de terra, que são muitas) enlameadas. Porém, fica um pouco mais quente pra nadar na água gelada das cachoeiras, que por sua vez estão mais caudalosas. Entre março e maio é provavelmente o naco do ano com melhor relação temperatura/paisagem: o clima é bom e a natureza está verdinha pós-chuvas. O inverno tem temperatura amena, coisa boa para fazer as trilhas sem solão na cabeça, mas os dias podem ficar nublados e amanhecer com garoa – e algumas cachoeiras, ficarem mais secas. Entre maio e setembro é possível ver a incidência do sol na gruta Azul, no Poço Encantado e no Poço Azul.

TRAVESSIA DO VALE DO PATI – Dos trekkings mais incríveis do Brasil, dura de 3 a 5 dias e é uma verdadeira imersão na Chapada Diamantina. Veja o roteiro completo da travessia aqui.

LENÇÓIS

Cidade mais turística da chapada, tem aquele encantamento de Paraty (RJ) ou Tiradentes (MG), com suas casinhas coloniais coloridas e ruas irregulares de paralelepípedos. Há pousadas bem estruturadas, uma porção de restaurantes que colocam mesinhas na calçada de noite e várias agências que organizam passeios.

Onde ficar em Lençois: As hospedagens mais estruturadas da chapada estão ali, como a Canto das Águas, a Estalagem do Alcino e o Hotel de Lençóis. Para pagar menos e ficar entre a natureza, a 15 minutos de caminhada do centro, recomendo a Canto no Bosque. Quem quer ficar baratinho pode ver a Solar Azul.

Onde comer em Lençois: Um dos melhores restaurantes da chapada também está lá, o Cozinha Aberta, de slow food e ingredientes regionais orgânicos. No centro recomendo a moqueca do Lampião, que tem versão vegetariana. Para comer massa de um chef italiano, vá ao Aristas da Massa.

Passeios próximos a Lençois: A Cachoeira do Mosquito é uma boa introdução pra chapada, com caminhada fácil e queda bonita. O Poço do Diabo fica numa bonita propriedade ao redor do Rio Mucugezinho e tem boa área para banho. Para quem quer caminhar mais, com 7 km de trilha chega-se a Cachoeira do Sossego, onde você deve ver pouquíssima gente. Não dá para dizer o mesmo da Lapa Doce, uma das grutas mais visitadas da chapada. Também dá pra ver as grutas Torrinha, superfácil de chegar, e Pratinha, onde dá pra fazer flutuação. O cartão-postal da chapada é o Morro do Pai Inácio, pra ver um pôr do sol surreal entre as montanhas. Passeio diferente e bacana tanto pela natureza quanto pela cultura, o tour de barco por Marimbus, o mini Pantanal da Chapada, começa na comunidade quilombola do Remanso, segue com uma visita aos poços do Roncador e com um almoço feito pela comunidade local num casarão antigo.

ENTRE LENÇOIS E MUCUGÊ: Para ir de Lençóis a Mucugê você pode aproveitar e fazer o Poço Azul e o Poço Encantado. No primeiro dá para almoçar e fazer snorkel numa gruta de água azul intenso, e no segundo observar outra lagoa azul dentro de uma caverna (entre maio e setembro ficam mais especiais ainda porque recebem a incidência da luz do sol). O passeio do mini Pantanal também ficam entre as duas, mas aí você vai precisar pagar um motorista pra levar seu carro até o ponto de chegada do barco pra não ter que voltar pra trás.

MUCUGÊ

Mais tranquila do que Lençóis e com a mesma carinha colonial, Mucugê é uma cidade sonolenta de 10 mil habitantes com alguma programação cultural e uns graus abaixo no termômetro pela localização mais alta (quase 1000 metros do nível do mar). Nas lojinhas da cidade vendem-se morangos (!) plantados pelos arredores.

Onde ficar em Mucugê: A Pousada Mucugê tem quartos simples, piscina e um café da manhã para ficar horas sentado provando a seleção de pães, doces, tortas e bolos. Com um toque a mais de charme nas acomodações há as pousadas Monte Azul e a Refúgio da Serra.

Onde comer em Mucugê: Na Pizzaria da Garagem, com pizza fininha e deliciosa por inacreditáveis (para um paulista, pelo menos) R$ 30. Para comida regional, almoce na casa da Dona Nena.

Passeios próximos a Mucugê: A atração número 1 da chapada, pelo menos na minha opinião, fica a 100 km dali: a Cachoeira do Buracão (na entrada do Parque Natural do Espalhado, onde ela fica, é obrigatório contratar um guia da associação local) .O passeio é completo: tem trilha entre cerrado e caatiga, tem vista para o rio Espalhado, tem mata fechado entre um cânion que parece estar em outro período da história, tem mergulho num desfiladeiro que te leva até a queda de 85 metros. Para lavar a alma e qualquer energia urbana que você carregue. No fim você ainda pode ver a cachoeira de cima, do topo do desfiladeiro. Tem várias outras cachoeiras pra ver a partir de Mucugê, como a do Funil e a da Fumacinha, que também requer guia. Também vale dar uma passada no Projeto Sempre Viva, dentro do Parque Municipal de Mucugê, uma espécie de museu da biodiversidade da região e da história do garimpo.

ENTRE MUCUGÊ E CAPÃO: Para quem não tem tempo/fôlego para fazer a travessia do Vale do Pati completa, o trekkig de 18 km de Guiné ao Capão dá um gostinho do visual da caminhada, passando pelo belo Mirante do Pati e terminando numa matinha fechado que leva ao Capão. Uma imensidão de natureza poderosa semivazia. Ali você precisa contratar uma agência para ter o guia da caminhada e para o motorista levar o seu carro de Guiné, no início da trilha, até sua pousada no Capão – a Venturas fez isso com a gente e foi ótimo.

ENTRE LENÇÓIS E CAPÃO: Se quiser fazer o circuito em sentido anti-horário, você pode visitar as grutas Torrinha e Pratinha e depois seguir ao Capão. O Morro do Pai Inácio e o Poço do Diabo também estão mais ou menos no caminho.

VALE DO CAPÃO (CAETÉ-AÇU)

É a capital hippie raiz da chapada, onde a galera de dreads vende cristas cacifados na região e lojinhas e pousadas oferecem banhos de ervas, tortas veganas, roupas indianas, cosméticos naturais, massagens, reiki, tarô, yoga, meditação. Eu ficaria um mês todo só ali.

Onde ficar no Vale do Capão:Pousada do Capão é absolutamente deliciosa. A uns 3 km do centrinho, tem um jardim imenso onde é acesa uma fogueira de noite, um food truck de pizza, uma piscina natural feita com o rio represado, um spa e quartos com cama king-size. A pousada Lagoa das Cores tem retiros e vivências. No centro tem a Pé no Mato e a mochileira Tatu Feliz.

Onde comer no Vale do Capão: Para um PF baratíssimo e bem servido, vá ao restaurante da Dona Beli. O lugar mais famoso da cidade é a Pizzaria Capão Grande, que só tem dois sabores, um salgado e um doce.

Passeios próximos ao Vale do Capão: A maior cachoeira da chapada fica pertinho dali: a Cachoeira da Fumaça, alcançada por uma trilha de cinco horas ida e volta. Você chega nela por cima, pra ver sua queda de mais de 300 metros (não tem banho ali). Pra além dela, há outras cachoeiras mais singelas mas gostosas pra passar um dia tranquilo, como o Riachinho, bem pertinho da vila (foto abaixo), a Cachoeira do Rio Preto, a da Purificação e a do Meio, está última em Conceição dos Gatos.

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