A Chapada dos Veadeiros tem atributos que a fazem a chapada com melhor custo/benefício para visitar no Brasil: o acesso é fácil (só 2h40 de Brasília), com voos baratos da maioria das capitais do Brasil, o leque de atrações é gigante e relativamente concentrado (não precisar rodar muito para cumprir os principais passeios) e as cidades-base têm boa oferta de pousadas, restaurantes, lojinhas e eventos especiais.

Veja abaixo dicas da Chapada dos Veadeiros para montar sua viagem:

Como chegar e circular na Chapada dos Veadeiros:

A principal cidade-base da Chapada dos Veadeiros, chamada Alto Paraíso de Goiás (GO), fica a 230 km de Brasília. Convém alugar um carro no aeroporto: não há transporte público regular e frequente entre as atrações da Chapada, e contar só com carro de guias e agências acaba saindo muito caro. É costume dar e pedir carona por ali, mas exige tempo e paciência. O carro é a coisa mais dispendiosa da viagem – tente ir em grupo para dividir os gastos. Ah, e enquanto estiver rodando preste atenção na gasolina: o posto principal fica em Alto Paraíso, então não se enfie em uma estrada de terra para uma cachoeira que demora duas horas para chegar com pouco combustível.

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Dicas da Chapada dos Veadeiros

Quando ir à Chapada dos Veadeiros:

A época de chuvas é o verão – elas se concentram entre novembro e março. Nesse período dá para curtir, mas tempestades podem inviabilizar algumas trilhas (acessadas por estradas de terra, que ficam intransitáveis com carros convencionais quando muito lamacentas) e há riscos de trombas d’água nas cachoeiras. Mesmo assim, períodos como ano novo e Carnaval são disputados. Abril e maio são meses interessantes para ir, quando o aguaceiro arrefece e a paisagem ainda está verdinha. Junho, julho, agosto e setembro são alta temporada, as cidades enchem principalmente nos feriados e nos festivais (Corpus Christi,Festival Ilumina, Aldeia Multiétnica, Festival das Culturas, 7 de setembro), e são meses de dias lindos e ensolarados. Porém, quedas eventuais de temperatura podem fazer com que entrar nas águas geladas das cachoeiras seja mais desafiador, e a secura do Cerrado também incomoda. Em outubro as chuvas já voltam a cair mas ainda é um bom mês.

Quanto tempo ficar na Chapada dos Veadeiros:

A Chapada é gigantesca: você pode fazer várias viagens diferentes para lá e não repetir nadinha. Para quem vai pegar avião para chegar a Brasília, o tempo mínimo para fazer valer o deslocamento é ter três dias inteiros lá (sem contar os dias da ida e da volta). Em uma semana dá para ter um panorama maior da região. Em dez dias, melhor ainda. Se tiver tempo e quiser curtir devagar, dá para ficar duas semanas numa boa. Continue lendo para mais dicas da Chapada dos Veadeiros.

Onde ficar na Chapada dos Veadeiros:

Alto Paraíso de Goiás, possivelmente a cidade mais mística do Brasil, tem 6 mil habitantes e um estrutura crescente de pousadas, restaurantes, lojinhas e alguns bares ao redor da Avenida Ary Valadão Filho, a principal. Ali há desde hostels (como o Buddy’s), pousadas baratinhas (como a Paralelo 14 e a Jardim da Nova Era), intermediárias (como a Meu Talento e a Vila Toá) e chiquezinhas como a Casa de Shiva, a Pousada Maya e a Casa da Lua. Algumas estão mais perto do burburinho do centro; outras, em cantos mais rurais.

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São Jorge, a 36 km de lá por uma estrada asfaltada, é um vilarejo que se formou na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. São meia dúzia de ruas de terra por onde dá para circular a pé com uma pequena coleção de hospedagens e lugares para comer e beber. Nos feriados e nos eventos do mês de julho, a cidade bomba e pode desagradar quem quer sossego. Ali há pousadas como a Alecrim do Campo, a Bambu Brasil e a top Pousada Baguá.

Para uma viagem zen, que tem tudo a ver com a Chapada, tem uma porção de hospedagens com vibe alternativa/holística. Veja em Alto Paraíso a Terra Zen, a Pousada Alfa e Ômega (foto acima) e o Recanto da Grande Paz, por exemplo. Na estrada para São Jorge estão a Capim Estrela e a Paraíso dos Pândavas, e, em São Jorge, a Shanti Pousada e Terapias. Na região também há uma porção de casas e chalés bacanas para alugar no Airbnb, como este aqui. É uma boa para quem quer pagar menos e não faz questão de café da manhã ou quem vai em grupo.

Há outra cidade-base, chamada Cavalcante, a 90 km de Alto Paraíso, com infraestrutura bem simples. Ali ficam atrações de peso como a rainha das fotos do Instagram Cachoeira Santa Bárbara. Tem gente que faz bate-volta, mas é beeem cansativo. O mais recomendável é, para quem tem mais tempo ou está em uma segunda (ou terceira, ou quarta) visita à Chapada, ficar algumas noites por ali.

O que fazer na Chapada dos Veadeiros:

Primeira coisa a saber: segure a ansiedade. A Chapada tem centenas de atrações e você precisa fazer escolhas. Mais dicas da Chapada dos Veadeiros:

– A maioria das atrações fica dentro de propriedades particulares e requer pagamento de ingresso, que varia entre R$ 10 e R$ 30 por pessoa. Costuma haver estrutura com banheiro e venda de bebidas (às vezes de comida). Mesmo assim, vale passar em um mercado em Alto Paraíso para ter lanches de trilha, como frutas, sanduíches e bolachas.

– É fácil de encontrar a maioria das atrações, ou pelo menos o estacionamento delas, no Google Maps.

– O calçado ideal para a Chapada é papete (aquelas vendidas em lojas esportivas, próprias para trekking) para as trilhas curtas e tênis ou botas de trekking para as longas. Quem for com tênis de corrida vai sofrer com trajetos escorregadios.

Comece cedo: a maioria das atrações fecha às 17h. O ideal é sempre estar saindo da pousada entre 8h e 9h, principalmente se quiser encaixar duas no mesmo dia.

Leve sua própria garrafa reutilizável de água: restaurantes, pousadas e atrações têm filtros para enchê-las. Colabore com preservação da natureza e tente fazer a viagem sem comprar garrafinhas plásticas (eu fiz e é possível).

ATRAÇÕES DE FÁCIL ACESSO QUE PODEM SER FEITAS EM METADE DE UM DIA, NÃO REQUEREM GUIA E NEM MUITO ESFORÇO FÍSICO:

A 5 km de Alto Paraíso estão as chamadas LOQUINHAS, com duas trilhas fáceis e uma porção de poços cristalinos para ir parando. A 9 km da cidade, a CACHOEIRA DOS CRISTAIS é legal para famílias, porque tem estrutura com playground e restaurante e trilhas fáceis com quedas d’água bonitas.

Na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge está a FAZENDA SÃO BENTO, onde estão as cachoeiras São Bento e Almécegas I e II – por serem bem conhecidas, podem lotar na alta temporada. O mesmo vale para o VALE DA LUA (foto ao lado), uma das atrações mais emblemáticas da Chapada: um curioso vale rochoso com poços para tomar banho. Para subir o MORRO DO BURACÃO, coloque “Capim Estrela” no Google Maps, pare o carro na estrada e procure a trilha demarcada na grama que sobe o morro (é facinho). Leva uns 20 minutos para chegar no topo – vá com tempo de admirar o crepúsculo.

Mais perto de São Jorge está a RAIZAMA, de um dono doidão que tem um palco com imagens de ícones do rock na entrada. Ali há um circuito com poços e mirantes que costuma ficar bem vazio. O mesmo vale para a vizinha MORADA DO SOL, um trajeto de 1,8 km (ida e volta) com poços para se banhar no Rio São Miguel.

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Para um fim de tarde ou noite relax, saiba que há piscinas naturais termais próximas à São Jorge, a Águas Termais do MORRO VERMELHO e a Pousada ÉDEN ÁGUAS TERMAIS, ambas abertas às 21h.

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ATRAÇÕES COM PERNADA MAIOR E QUE REQUEREM UM POUCO MAIS DA METADE DE UM DIA:

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Na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge, o SÍTIO VOLTA DA SERRA é um programão e por algum motivo ainda está fora da rota da turistada (é uma boa alternativa à mais cheia Fazenda São Bento). Ali ficam a linda Cachoeira do Cordovil, que é bonita mesmo com pouco volume de água, no inverno, o Poço Esmeralda (foto ao lado), de água verde-esmeralda, e a menorzinha Cachoeira do Rodeador. São cerca de 8 km de trilha (ida e volta), a maior parte entre campos abertos de cerrado, e não precisa de guia.

Bem perto de São Jorge, a trilha para o MIRANTE DA JANELA E CACHOEIRA DO ABISMO também tem 8 km (ida e volta). O ideal ali é passar no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) de São Jorge e ver se algum guia pode levar – alguns trechos da trilha podem ser confusos. Pode ser uma ideia começar por volta das 13h (depois de fazer algum outro passeio rápido pela manhã), para pegar o pôr do sol no fim do rolê. O Mirante da Janela tem formações rochosas que enquadram lindamente os Saltos do Rio Preto (que ficam dentro do Parque Nacional) e tem um visual incrível para os morros da Chapada. Na volta dá para parar nos poços da Cachoeira do Abismo (cujas quedas secam no inverno).

A 14 km de Alto Paraíso por uma estrada bem ruinzinha em direção a um povoado chamado Moinho, está a CACHOERIA ANJOS E ARCANJOS, outra atração menos conhecida. São 3,2 km de trilha (ida e volta), mas a maior parte é bem íngreme e com muita pulação de pedras, o que dá uma cansada. Mas o lugar tem uma energia bem forte, com cachoeiras dentro de cânions imponentes. Vá de manhã cedo e depois volte para Alto Paraíso para almoçar – em tempo: eu fui sem guia mas me perdi um pouco na volta da trilha. Se você é um trilheiro inexperiente, é melhor ir com guia.

ATRAÇÕES DE UM DIA INTEIRO:

A CACHOEIRA DO SEGREDO é uma das mais conhecidas da Chapada – o início fica a 10 km por estrada de terra de São Jorge. São 16 km (ida e volta) de trilha, cruzando o rio São Miguel muitas vezes – se prepare para molhar os pés (vá de papete). O caminho varia entre campos abertos e mata fechada, com poços cristalinos para tomar banho antes de chegar na queda d’água em si, que desce pelo paredão de um cânion e tem mais de cem metros de altura. De novo, para trilheiros não frequentes é melhor ir com guia; quem já está mais acostumado com caminhadas na natureza pode ir sem.

Dentro do PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS, cuja entrada é colada no vilarejo de São Jorge, tem uma série de atrativos. Para quem tem um dia para dedicar ao parque, sugiro fazer a trilha dos SALTOS, CARROSSEL E CORREDEIRAS, um trajeto de cerca de 12 km (ida e volta) superbem sinalizado (não precisa de guia). Nele você tem panoramas lindos para a vegetação da região de uma série de mirantes, chega perto das quedas dos Saltos e pode entrar na água em diversos poços e pequenas quedas pelas corredeiras do rio. Em tempo: o parque agora requer pagamento de ingresso, R$ 17, pagos na entrada. No centro de visitantes tem um vídeo explicativo, banheiros e lanchonete.

A CATARATA DOS COUROS poderia ganhar o prêmio de atração mais incrível da Chapada. Em um lugar meio terra de ninguém (e sinalização pobre; é melhor ir com guia), a catarata se desdobra nos desníveis do Rio dos Couros, que adentra um cânion e forma uma paisagem estarrecedora. A caminhada é relativamente tranquila, mas tem chão para chegar lá: são 20 km de Alto Paraíso no asfalto e mais 27 km de estrada de terra. Na volta do passeio os guias costumam agendar o almoço na dona Eleusa, lá perto, que faz uma comida caseira deliciosa (com muitas opções vegetarianas).

Um pouco antes da entrada para os Couros, MACAQUINHOS abriga um complexo com dez quedas. Vá até a última, a Cachoeira do Encontro, no encontro de dois rios, primeiro, e depois vá voltando vendo as outras (são 4 km no total de trilha; ida e volta). Há alguns trechos confusos, tanto na estrada na chegada quanto na trilha – eu iria com guia. São 44 km a partir da cidade de Alto Paraíso, sendo 30 km por estrada de terra.

INDICAÇÕES DE GUIAS E AGÊNCIAS: A Travessia Ecoturismo é uma das agências mais indicadas – se você quer fazer trilhas longas com pernoite, pergunte pelo guia Pacheco, um dos mais experientes da região. Para falar direto com guias, mande um Whatsapp para o João (61 82127923) ou Victoria (61 98247070).

Sugestão de roteiro na Chapada dos Veadeiros:

Dia 1: Sítio Volta da Serra, almoço no Rancho do Waldemiro e pôr do sol no Morro do Buracão

Dia 2: Parque Nacional (trilha dos Saltos e Carrossel)

Dia 3: Macaquinhos (mais intenso) ou Vale da Lua e Loquinhas (mais light)

Dia 4: Cachoeira do Segredo

Dia 5: Catarata dos Couros e almoço da dona Eleusa

Se só tiver 3 dias, faça Sítio Volta da Serra e pôr do sol no Buracão, Parque Nacional e Catarata dos Couros. Em 4, adicione a Cachoeira do Segredo. Continue lendo para mais dicas da Chapada dos Veadeiros.

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NA VOLTA PARA BRASÍLIA: Se for com tempo, pare na cidade de São João d’Aliança, a 70 km de Alto Paraíso em direção ao Distrito Federal, e conheça a CACHOEIRA DO LABEL, aberta há pouco tempo para visitação. Mais alta do estado, tem nada menos que 187 metros de queda, acessada por uma trilha fácil de 1,8 km que passa por cinco poços.

CAVALCANTE: Como supracitado, é mais interessante pernoitar em Cavalcante alguns dias para conhecer as atrações ali perto. Ali está a rainha CACHOEIRA SANTA BÁRBARA (foto do lado), com sua água verde-esmeralda (que nos dias mais concorridos tem SENHA para entrar) e sua vizinha CACHOEIRA CAPIVARA. Para conhecer o gigante COMPLEXO DO PRATA, vale a pena se hospedar lá dentro e ficar dois dias para ver suas sete cachoeiras. O VALE DAS ARARAS também vale a visita.

Onde comer na Chapada dos Veadeiros:

Nas manhãs de sábado e domingo, não perca a Feria do Produtor Rural em Alto Paraíso, cheia de coisinhas gostosas para comer na hora e levar para casa (mel, geleia, bolo, queijo, leite) de produtores locais. Em Alto ainda, é maravilhoso o Cravo e Canela, restaurante vegetariano com pegada sustentável com pizzas, massas, sanduíches e outros pratos. Também vale conhecer as massas e risotos da Zu’s Bistro, os pratos saudáveis do Chaupin (foto abaixo) e as tortas e mousses da Coisas da Drica, que de quebra ainda é uma loja linda. Na estrada entre Alto e São Jorge fica uma instituição da região, o Rancho do Waldomiro, que preparada a famosa “matula”, um PF caprichado (também em versão vegetariana). Em São Jorge, o restaurante mais bacana é a Santo Cerrado Risoteria, que dispõe mesas baixas com almofadas ao redor de uma fogueira, e a Pizzaria Lua Nova.

Betina Neves

Seus 10 anos de experiência escrevendo sobre turismo deram o tom da linguagem do Carpe Mundi. Perita em traçar roteiros e na eterna busca pela passagem aérea mais barata, escreve um e outro post por aqui enquanto explora metrópoles insones, prova comidas exóticas e relaxa em praias vazias deste mundão.

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