Dá pra unir facilmente a viagem ao Atacama com o maior salar do mundo, o Salar de Uyuni, na Bolívia.

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Os roteiros de duas ou três noites partem de San Pedro de Atacama e vão até a cidade de Uyuni, onde a rota acaba ou segue de volta ao Chile. Econômico, difícil e com zero conforto, o tour é um perrengue compensado mil vezes pela paisagem, uma das mais bonitas da vida. Veja aqui como ir do Atacama ao Salar de Uyuni.

Pela enorme quantidade de agências de turismo da Caracoles, a rua do centrinho de San Pedro de Atacama, poucas fazem o passeio ao Salar. Com a World White Travel, o roteiro sai por US$ 225 com três refeições por dia. Não há mistério nenhum em fechar a trip só em San Pedro, que pode ser comprada inclusive um dia antes da partida já que esse é um tour diário e o forte da agência, mas se preferir dá pra enviar um e-mail pra [email protected] e fazer o pagamento de 25% do valor pra reservar com antecedência. Vale lembrar que também é possível fazer o trajeto inverso, de Uyuni ao Atacama, nas mesmas duas ou três noites.

A viagem prevê várias paradas pelo caminho e só chega ao Salar no terceiro dia de manhã, visitando pontos como a incrível Laguna Colorada nos demais dias. Não há sinal telefônico até a cidade de Uyuni, mas dá pra usar um telefone no vilarejo da segunda noite e comprar 15 minutos de wi-fi por 20 bolivianos durante o almoço do segundo dia na Laguna Hedionda.

A estrada percorre a Cordilheira dos Andes em panoramas deslumbrantes (e horrorosos pra quem vai chacoalhando sem parar dentro do jipe), chegando-se aos quase 5 mil metros de altitude no primeiro dia – e isso em veículos que podem ser velhos ou não tão velhos, mas sempre apertados nos últimos bancos, do porta-malas. Vale salientar que essa condição não muda de agência pra agência, já que os donos são basicamente os mesmos.

Os alojamentos, mais simples impossível, contam com camas em dormitórios de até seis pessoas, normalmente com um banheiro pra dividir entre muita gente. Já a comida é uma surpresa boa, melhor que o esperado.

Quem explora o Atacama antes do Uyuni também nota uma boa diferença entre os guias, que na Bolívia não são tão simpáticos e pacientes como os chilenos, mas nada que depois de um tempo seja impossível de lidar.

TUDO PELO UYUNI!

O QUE LEVAR:
300 bolivianos (R$ 1 = 2 BLV), 5 litros de água, snacks, frutas, papel higiênico, lencinhos umedecidos e toalha.

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Como ir do Atacama ao Salar de Uyuni:

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DIA 1: COMO IR DO ATACAMA AO SALAR DE UYUNI

A agência busca os passageiros no hotel às 7h30 com a van e segue pra aduana do Chile, do ladinho de San Pedro, onde dão saída no passaporte. De lá, vai mais uma hora até a entrada da Bolívia, onde todo mundo se divide em grupos de até seis pessoas por jipe. Depois de pagar os 150 bolivianos da Reserva Nacional de Fauna Andina, a primeira parada é na Laguna Blanca, uma das mais bonitas de toda a viagem. Logo em seguida tem a Laguna Verde, linda, e o Deserto de Salvador Dali, que não surpreende muito quem faz o tour ao Salar de Tara no Atacama.

Os sinais da altitude começam a aparecer aí, quando uma dor de cabeça forte surge e só piora com o jipe chacoalhando sem parar aos quase 5 mil metros de altitude – o caminho passa pelo meio da Cordilheira dos Andes numa estrada de areia e pedra (mais pedra). Some um ao outro e o resultado é muito enjoo, pressão na cabeça e falta de ar.

Como ir do Atacama ao Salar de Uyuni: um pouco adiante dá pra se aquecer rapidamente nas águas calientes das Termas de Polques e visitar os Geysers Sol de Mañana. As paradas são corridas e não levam mais do que 15 minutos, portanto be fast com as fotos – os guias não vão te esperar sorrindo.

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Laguna Colorada

De tarde, chega-se ao alojamento, no meio do nada, onde há uma parada de 30 minutinhos pra descansar, o que dá uma melhorada e tanto nos sintomas. O último passeio parte no fim do dia até a Laguna Colorada, a mais impressionante do roteiro. A ação do vento com os sais da água dá um tom avermelhado photoshop ao local, complementado pelos flamingos e pelas lhamas. É surreal. O tempo aqui é maior, de meia hora.

De volta ao alojamento há um chá (tome o de coca, melhor remédio natural contra a altitude) seguido da janta. Não há ducha e a energia elétrica só funciona por duas horas. Essa também é a noite em que quem for passar mal, certamente passará.

DIA 2: COMO IR DO ATACAMA AO SALAR DE UYUNI

A manhã começa cedo, às 6h. Neste dia há visita às Lagunas Altiplâncias da Bolívia, mais bonitas que as do Chile, mas não tão impressionantes como as do dia anterior. A primeira parada é na Árbol de Piedra, estranha formação rochosa em formato de árvore ao lado de várias outras pedras inusitadas no meio do deserto. O caminho continua conturbado e o carro chacoalha até mais que no primeiro dia, mas a altitude vai baixando aos 3 800 metros.

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Na ordem: a Árbol de Piedra, os trilhos de trem do Salar de Chiguana e uma das paisagens do percurso com as vicunhas

Como ir do Atacama ao Salar de Uyuni: depois, as quatro lagunas do percurso reservam flamingos, salares em formação e 15 minutinhos de internet (por 20 bolivianos). A primeira é a Laguna Honda, seguida da Laguna Chiarkota, da Laguna Hedionda – reino do wi-fi e parada do almoço – e da Laguna Cañapa.

Passa-se também pelo Volcán Ollague, vulcão ativo da Cordilheira dos Andes a quase 6 mil metros de altitude com mirante bonito entre as pedras, e o Salar de Chiguana, uma prévia piorada do Salar de Uyuni, mas com trilhos de trem que rendem fotografias legais com o fundo todo branco. Antes da chegada ao Hotel de Sal, acomodação desta noite, há uma curta parada no povoado de San Juan, onde dá pra comprar suprimentos em mercadinhos bem caros pega-turista.

O “hotel” tem chão e paredes todas de sal (você literalmente pisa em sal), e até que poderia ser legalzinho se tivesse a entrada – que parece um cortiço – reformada. Os banheiros também precisariam de um bom investimento. Há somente duas duchas, mas uma sempre tá quebrada. A água é quente! A boa é dormir cedo pra madrugar no dia seguinte.

DIA 3: COMO IR DO ATACAMA AO SALAR DE UYUNI

Todo mundo acorda às 4h30 pra assistir ao nascer do sol no Salar de Uyuni. Do carro dá pra avistar o início do campo de sal, que no começo parece um ponto sujo no horizonte e depois vai virando uma planície linda e infinita conforme o veículo adentra o branco. A sensação de girar 360º graus e não ver nada além do vazio alvo desses 10 mil quilômetros quadrados é impactante e dá um alívio, uma paz e um certo medinho. É uma recompensa sem fim por todos os perrengues anteriores.

Há uma parada pra admirar o dia tomando forma e então é hora do desayuno na Isla del Pescado, um pedaço de terra com cactos gigantes no meio do maior salar do mundo, onde uma trilha com ótimos mirantes entremeia as plantas. Ali dá pra comprar dragões em miniatura e outros brinquedos pras famosas fotos de perspectiva, além dos souvernis clássicos e malhas de alpaca.

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A Isla del Pescado e seus cactos gigantes e uma das paradas para os cliques

O jipe segue por 20 minutos dentro do salar e há mais uma parada (de uma hora!!!!!) pra cansar de fazer cliques com o fundo infinito, onde vale subir no jipe, pular, fingir que o amigo é minúsculo… A dica é pesquisar referências de imagens antes da viagem em bancos de imagens, hashtags do Instagram e mesmo no Google (aliás, isso vale pra toda e qualquer trip).

O almoço é no Museo del Sal, estabelecimento construído pra ser um hotel que acabou virando “museu” pra evitar a contaminação do Salar. Ali também está o monumento Dakar, marcando a passagem do disputado rali pelo Salar de Uyuni em 2014. Por fim ainda há as Montanhas de Sal, parte produtiva da extração de sal onde o pessoal costuma subir pra tirar fotos. Hora de dar tchau ao céu na Terra.

No povoado de Colchani, a alguns minutos do Salar, barraquinhas de artesanato vendem dadinhos, esculturas de sal e outras quinquilharias coloridas da Bolívia. Vale pechinchar. O último highlight do tour é o Cementerio de Trenes, uma coleção de locomotivas a vapor e vagões ferroviários abandonados ao redor da linea ferrea. Hoje, rendem uma parada legal.

Como ir do Atacama ao Salar de Uyuni: enfim, chega-se à cidade de Uyuni, um grande lixão a céu aberto. Casas sem reboco misturam-se com sacos de lixo jogados pelas ruas e muita sujeira. A agência é o fim da linha pra quem contratou o tour de três dias. Já pra quem retorna ao Atacama, a pausa é de três horas até o próximo guia e um novo jipe chegarem. É uma boa chance de passear pela feirinha da cidade, que vive basicamente do turismo, e almoçar em algum lugar por lá – com wi-fi.

A viagem até o alojamento da noite é de 4 horas, com parada em um vilarejo nada atraente pelo caminho. A janta é ruim e a ducha, numa portinha fora da casa, é cobrada à parte: 10 bolivianos por 7 minutos de banho morno que não valem o esforço.

DIA 4: COMO IR DO ATACAMA AO SALAR DE UYUNI

Às 5h da manhã o jipe sai do alojamento rumo à fronteira com o Chile, onde se chega por volta das 9h. É bom conservar alguns bolivianos pra este momento, pois os guardas são conhecidos por inventar taxas de saída dias sim, dias não (normalmente de 15 bolivianos). A van do início do roteiro chega com o café da manhã e novos turistas – a quem há o costume de se olhar com pena e inveja ao mesmo tempo -, o pessoal troca de veículos, e, em menos de uma hora, você chega novamente em San Pedro de Atacama.

COMO IR DO ATACAMA AO SALAR DE UYUNI – MELHOR ÉPOCA:

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O inverno é rigoroso e atinge até -25ºC (!), portanto não se esqueça de reservar um saco de dormir na agência quando for pagar pelo tour se for entre maio e agosto (são CLP 10 000 de garantia pelo saco). O verão também não é a melhor estação, quando fica incrivelmente quente durante o dia, afinal a região é de deserto, e os japoneses tomam conta do local. Se der pra escolher, opte por março ou abril, quando o calor dá uma trégua e a fase chuvosa chega ao fim, mas ainda cria o conhecido espelho d’água no Uyuni.

Anna Laura

Jornalista por formação e fotógrafa por vocação, a editora do Carpe Mundi registra o mundo com sua Nikon desde que se entende por gente - e hoje cultiva um feed milimetricamente pensado. Passou pelas redações da CARAS Online e da Viagem e Turismo e, depois de uma temporada em Paris, resolveu ser viajante full time: você pode encontrá-la por aí, cobrindo paraísos tropicais.

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