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Roteiro infalível pelas cidades históricas de Minas: de Tiradentes a Ouro Preto

Comida boa, gente proseira, artesanato autêntico, igrejas suntuosas, serras, museus, festivais: as Cidades Históricas de Minas contam um pedaço da nossa história e compõe uma das regiões mais carismáticas do Brasil.

Aqui, neste roteiro de carro, saímos de carro de São Paulo, fomos até Tiradentes e aí até Ouro Preto, com alguns desvios (veja abaixo o vídeo da nossa trip :). Quem for de Belo Horizonte ou outras cidades pode fazer ao contrário, começando em Ouro Preto. No fim, colocamos algumas opções de esticadas, como Inhotim e Lavras Novas.

CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS: Apesar de alguns restaurantes mais custosos em Tiradentes, se você ficar em pousadinhas simples esta pode ser uma viagem bem econômica, ótima para fazer em casal ou família.

CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS:

DIA 1: TIRADENTES

De todas as Cidades Históricas de Minas, Tiradentes foi a que mais sincronizou com a modernidade: fez suas pousadas virarem butique, suas cozinhas ganharem chefs, seu casario se manter pintado e fotogênico, seus festivais atraírem a juventude criativa. Nas ruelas do centro histórico o movimento flutua ao sabor dos feriados, que enchem e desenchem o Largo das Forras, praçona principal da cidade, com charretes com pangarés cansados. Brasilidades e mineiridades forram as prateleiras das lojas por ali: cerâmicas, telas, enfeites de madeira, de ferro, de pedra-sabão, cachaças, geleias, biscoitos, queijos e doces de leite.

VEJA AQUI UM POST COMPLETO COM O QUE FAZER EM TIRADENTES!

Se embrenhe pelas ruas Ministro Gabriel Passos, Direita e da Câmara para ver o resto do centrinho. Não perca museus como o Museu da Liturgia e o Instituto Mário Mendonça. Entre as igrejas, a principal é a Matriz de Santo Antônio, com sua fotogênica fachada amarela e branca e um opulento interior com mais de 480 kg de ouro. O ateliê mais legal dos muitos da cidade é o do Sérgio Ramos.

Para o almoço, vale se acomodar na Estalagem do Sabor (Rua Ministro Gabriel Passos, 280), instalado numa casinha fofa com horta do quintal. O prato da casa é o “mané sem jaleco”, (R$ 98 pra até três pessoas) uma espécie de mexidão, que leva arroz, feijão, couve, bacon, ovos, lombinho, bananas e cebola.

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CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS

DIA 2: TREM A SÃO JOÃO DEL-REY e BICHINHO (pernoite em Tiradentes)

Aos sábados às 13h e às 17h e aos domingos às 11h e às 14h sai o trenzinho maria-fumaça até São João del Rey. O percurso de 12 km é parte da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, é feito numa maria-fumaça e tem vista para a Serra de São José da janelinha. Na estação de São João, um museu conta a origem e crescimento das ferrovias no Brasil. Vale a pena combinar o passeio com uma agência (tipo a Estrada Real) que já te busca na estação de São João e leva pra um rolê no Centro Histórico da cidade (como as coisas são espalhadas, vale a pena. Se não quiser comprar o passeio, é melhor pular o trenzinho e ir com seu próprio carro explorar a cidade).

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Mais do que as outras cidades históricas de Minas, São João viu seu casario colonial ser envolvido pelo desenvolvimento urbano e econômico. Ainda assim, o patrimônio arquitetônico, cultural e religioso persiste. Não perca a Igreja Nossa Senhora do Carmo, com o interior todo branco, e a Igreja de São Francisco de Assis. Sua localização na bela Praça Frei Orlando, em terreno elevado, faz a construção, com torres de 30 metros, sobressair no conjunto colonial. No interior, as talhas na capela-mor representam a Santíssima Trindade – a missa de domingo às 9h15 é acompanhada por música barroca. No cemitério está o túmulo do ex-presidente Tancredo Neves.

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À tarde, é possível visitar Bichinho, a 6 km de Tiradentes. Distrito da vizinha Prados, entrou no mapa turístico graças a iniciativa de Antônio Carlos Bech, conhecido como Toti, que chegou por ali em 1991 e fundou a Oficina de Agosto com o objetivo de ensinar o ofício e gerar renda para a comunidade. Hoje em uma única avenida de terra estão enfileirados uma porção de lojas e ateliês, como a Oficina de Artes e Decoração Anjos Astrais, que faz luminárias com bambu, cabaça e cipó, e os objetos de decoração feitos com terras coloridas de Alex Terra.

No caminho de Tiradentes pra Bichinho, no pé da Serra de São José, fica o restaurante Pau de Angu, que serve panelões de frango com quiabo a preços em conta. Para o jantar, o chiquezinho Tragaluz (Rua Direita, 52) tem ambiente romântico e bons pratos com galinha d’angola.

CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS:

DIA 3: RESENDE COSTA, LAGOA DOURADA, CONGONHAS (pernoite em Ouro Preto)

Dia de deixar Tiradentes pra ver outras cidades históricas de Minas. Pegue o antigo caminho da Estrada Real, singrando serras e pequenos bosques, até Resende Costa. A Avenida Alfredo Penido (estacione ali e vá caminhado) deixa ver uma profusão de lojas especializadas em artesanato têxtil, com redes penduradas nas varandas, colchas e mantas estendidas nas paredes, tapetes no piso, rolinhos de jogos americanos e bonecos de tecido nas prateleiras. As melhores lojas são a Hugo Artesanatos, Art Minas Artesanato, Associação de Artesãos de Resende Costa e Pôr do Sol Artesanato.

Com mais 30 km, o caminho desemboca na avenida principal de Lagoa Dourada, cujo comércio banal carece de charme. Siga no encalço das fachadas que garantem “o melhor rocambole do mundo” e pare no Legítimo Rocambole. Os cilindros de massa fofa vazando doce de leite seduzem no balcão, junto aos de nozes, brigadeiro, goiabada.

Reserve espaço no estômago pra outra parada gulosa no Café com Prosa, já nos limites do município de Entre Rios. Trata-se daquele bom restaurante de estrada que o Graal ainda não massificou, com fazendinha e venda de doces e bufê mineiro. A prata da casa é om “pãozin” de queijo (que de pãozin não tem nada, é um belo de um pãozão) com linguiça feita na casa.

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Daí é uma toada de 44 km até Congonhas, onde o carro dá voltas pra subir em direção ao majestoso conjunto da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Ali está a obra-prima de Aleijadinho: no total, são 78 esculturas. 66 são feitas de cedo, distribuídas pelas seis capelas do complexo, marcando os passos da Via Sacra. E 12 são de pedra-sabão,  representando os profetas, do lado de fora de igreja.

Chegue em Ouro Preto no fim da tarde. A vida gastronômica da cidade não chega nem aos pés de Tiradentes; o melhor restaurante para jantar é provavelmente o Bené da Flauta, instalado num sobrado colonial. A carne seca refogada no pirão de mandioca, acompanhada de purê de abóbora, não tem erro.

CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS

DIA 4: OURO PRETO

Curta o dia pelo centrinho da cidade – vai cansar, porque haja ladeira. Visite o Museu da Inconfidência, a Igreja São Francisco de Assis e garimpe artesanato na Feira do Largo de Coimbra, em frente. Faça uma pausa na Cafeteria e Livraria Cultural e siga para a Rua Brigadeiro Musqueira, onde estão a Igreja Nossa Senhora do Carmo, o Museu do Oratório e o Teatro Municipal. Conheça também a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, uma das mais bonitas do Brasil.

LEIA O POST COMPLETO SOBRE OURO PRETO AQUI

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CIDADES HISTÓRICAS DE MINAS

DIA 5: MARIANA (pernoite em Ouro Preto)

Vá visitar o centro histórico de Mariana, que continua intacto mesmo depois do acidente no Rio Doce no ano passado (a lama não chegou ali). Veja Praça Minas Gerais, que traz um combo de atrações uma ao lado da outra. Ali ficam as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, construídas no século XVIII. Logo em frente está o Pelourinho, onde eram castigados os infratores da época. E do outro lado da rua fica a Casa de Câmara e a Cadeia, atual Câmara de Vereadores, que tem na fachada um medalhão de pedra-sabão com o símbolo da coroa portuguesa. Dê uma passadinha na Casa dos Artistas Mestre Ataíde: as salas de um casarão antigo são ocupadas por diversos ateliês – é só entrar que você dá com alguns artistas trabalhando. Nos andares superiores as obras estão expostas e à venda.

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Pra comer, é uma boa o restaurante Rancho da Praça, rústico, com bufê de comida mineira. Fica em frente à praça Gomes Freire, que tem laguinho, fonte e coreto.

PARADAS NA ESTRADA:

Amarantina
Cidades Históricas de Minas: vale passar ali pra visitar o Museu das Reduções, uma homenagem ao Brasil, em miniatura: lá estão expostas 27 réplicas pequeninas de monumentos e construções como o Palácio da Alvorada de Brasília, o Farol da Barra de Salvador e as casas coloniais de Paraty.

Itabirito
O Jeca Tatu (BR-356, Rodovia dos Inconfidentes, km 45), a 10 km de Amarantina, bem conhecido do pessoal de BH, é uma espécie de museu de antiguidades e memorabilia musical, que ficam amontoados nas paredes e prateleiras. Uma confusão de discos, pôsteres, recortes de jornal, fotos, vitrolas e outros objetos antigos, como os carros espalhados no jardim. Mas o negócio ali é mesmo traçar os pastéis de angu, com recheios diversos.

ESTICADAS COM PERNOITE:

Lavras Novas

A 19 km de Ouro Preto, a vila é um pedacinho de mundo parado no tempo, onde crianças brincam na rua e velhinhos papeiam nas praças. Pousadas charmosas e restaurantes que só abrem aos fins de semana se aproveitam da calmaria e das vistas escandalosas para as montanhas, que escondem cachoeiras. Veja as pousadas Cantos dos Prazeres e Palavras Novas.

Instituto Inhotim

Maior centro de arte contemporânea a céu aberto do mundo, Inhotim é um destino por si só. Tudo ali é absolutamente impecável e único no Brasil e no mundo. O jardim botânico com mais quase 5 mil espécies de plantas conversa perfeitamente com as obras – são 23 galerias e mais 22 instalações pelos 140 hectares do parque, representando alguns dos mais importantes artistas dos séculos XX e XXI, nacionais e estrangeiros. O lugar, moldado a partir da coleção do empresário mineiro Bernardo de Mello Paz a partir de meados da década de 1980, abriga ainda loja de plantas, restaurantes e várias áreas de convivência e descanso com lagos, gramados, bancos e até piscinas. Para ver tudo com propriedade são necessários três dias de visita: o parque é divido em três circuitos principais.

LEIA O POST COMPLETO SOBRE INHOTIM AQUI

“Minas Gerais, inconfidente, lírica e sábia, cafeeira, barroca, do ouro das minas, santeira, serrana bela, idílica, atemporal, de pedra-sabão, dos horizontes, de terra antiga, canônica, sertaneja, benta e circuncisa, mineral e intelectual, da saudade, do queijo, do tutu, do milho e do porco, do angu, do frango com quiabo. Minas em mim: Minas comigo.” Guimarães Rosa

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.

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