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O que fazer em Tiradentes, a mais adorável cidade histórica mineira

De todas as cidades históricas de Minas, Tiradentes foi a que mais sincronizou com a modernidade:

fez suas pousadas virarem boutique, suas cozinhas ganharem chefs, seu casario se manter pintado e fotogênico, seus festivais atraírem a juventude criativa. Hoje, é a cidade histórica que mais concentra atrações, com uma série de museus que se uniram às suas igrejas suntuosas, às ruas charmosas de paralelepípedo e à bela Serra de São José, que a abraça. Saiba aqui o que fazer em Tiradentes.

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O QUE FAZER EM TIRADENTES:

Largo das Forras e lojinhas

A praça é o coração do centro histórico, onde o movimento flutua ao sabor dos feriados e há restaurantes com mesas ao ar livre e charretes com pangarés cansados. Brasilidades e mineiridades forram as prateleiras das lojas por ali: cerâmicas, telas, enfeites de madeira, de ferro, de pedra-sabão, cachaças, geleias, biscoitos, queijos, doces de leite, de abóbora, de mamão.

As lojas mais legais (grande parte delas fica na rua Ministro Gabriel de Passos, contígua ao Largo das Forras):

Rosa dos Ventos (Rua Ministro Gabriel Passos, 186): Tem espelhos de madeira de demolição e mil quadrinhos fofos com ferro a preços bem ok.

Oficina Ourives Santíssima Trindade (Largo das Forras): Uma doidera absoluta de antiguidades e outras bugigangas, vale fuçar só de curiosidade.

Doceria Flor de Lótus (Rua Ministro Gabriel Passos, 80): Você queria trazer um pãozim de mel, um docim de leite, um biscoitim mineiro para os amigos? Aqui é o lugar, com prateleiras tomadas por comidinhas regionais, em potes e a granel.

Bicho do Mato (Rua Ministro Gabriel Passos, 212): Tem móveis de madeira de demolição e uns quadrinhos bonitos de parede.

Chico Doceiro: O Seu Chico está há 50 anos mexendo seu panelão de doce de leite. No balcão simples os netos dele vendem potes de ambrosia e bolotas de doce de leite envolvendo coco, amendoim e outras delícias. Apenas incrível.

Atelier Sérgio Ramos (Rua da Câmara, 83): Muita vezes ele está lá pra contar um pouco sobre o seu trabalho. Suas pinturas trazem coisas do cotidiano (cidades, bicicletas, animais), onde ele “brinca com os conceitos de tempo-espaço e gestalt”. Queria tudo na minha sala (pena que os mais baratos custam R$ 600) – mesmo assim vale passar pra visitar.

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Tiradentes, inclusive, é cheia de ateliês de artistas que encontram inspiração na cidade e decidiram se instalar ali. Pra ficar mais fácil de encontrá-los, bolaram a Rota dos Ateliers: no site um roteiro propõe cursar o Centro Histórico visitando o ateliê de 14 artistas plásticos, que compartilham seus espaços de criação e expõem e vendem suas obras.

Matriz de Santo Antônio

O que fazer em Tiradentes: no alto de uma ladeira, a igreja é voltada pra Serra de São José, que abraça a cidade. Sua fotogênica fachada amarela e branca esconde um opulento interior com mais de 480 quilos de ouro, principalmente na capela-mor. O órgão com oito fileiras de tubo foi construído em Portugal entre 1785 e 1788. Há pessoas na porta que oferecem visitas guiadas – vale pra entender os detalhes da construção. Rua da Câmara,  diariamente das 9h às 17h, R$ 5

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O QUE FAZER EM TIRADENTES:

Museu de Sant’Ana

Aberto em 2014, é dedicado à mãe de Maria, considerada protetora dos lares, da família e dos mineradores. No antigo prédio da Cadeia Pública estão dispostas mais de 300 imagens da santa produzidas entre os séculos 17 e 19 e reunidas por Angela Gutierrez, presidente do Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG), ao longo de quatro décadas. Rua Direita, 93 (entrada pela Rua da Cadeira), quarta a segunda das 10h às 19h, R$ 5

Museu da Liturgia

O que fazer em Tiradentes: o exterior colonial contrasta com o moderno espaço interno, que inclui instalações audiovisuais e terminais multimídia. Ali é celebrada a devoção religiosa da região com mais de 420 peças sacras dos séculos XVIII a XX. No pátio externo com jardim, que representa os ritos iniciais e finais da missa, ouve-se diferentes músicas e mensagens. Rua Jogo de Bola, 15, quinta a segunda das 10h às 17h, R$ 10

Museu Padre Toledo

Trata-se da casa onde residiu o inconfidente Padre Carlos Correia de Toledo de 1777 até sua prisão em 1789, e onde já pisaram figuras como Tomás Antônio Gonzaga e Dom Pedro II. O mobiliário do século 18, as porcelanas e pinturas transportam ao passado. Rua Padre Toledo, 190, terça a sábado das 10h às 17h, domingo das 9h às 15h, R$ 10

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

De 1708, a igreja construída e frequentada pelos escravos também tem ouro em seu interior, ornando os altares que cultuam santos negros. A bela pintura do arco de pedra de cantaria representa os quinze mistérios do Rosário. Praça Padre Lourival, s/n, de quarta a domingo das 10h às 18h, R$ 3

Instituto Mário Mendonça

Fugindo da temática religiosa da maioria dos museus da cidade, a casa mostra a coleção do do artista e colecionar carioca. As obras estão distribuídas pelos cômodos: tem Tarsila do Amaral na sala de estar, uma bailarina de Edgar Degas no hall, esculturas Auguste Rodin em cima da lareira, uma série de Fernando Botero na cozinha. Pra visitar você precisa passa antes da Secretária Municial de Turismo e pegar uma senha. O Instituto fica no Largo das Mercês, ao lado da Igreja das Mercês, e abre de quinta a sábado das 13h às 17h – o ingresso, grátis, é distribuído apenas na Secretaria de Cultura. Rua Resende Costa, 71, Centro Histórico

Trem a São João del-Rey

O percurso de 12 km, parte da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, é feito em uma antiga maria fumaça, com vistas lindas da Serra de São José. Na estação de São João del Rey, um museu conta a origem e crescimento das ferrovias no Brasil. O melhor é marcar o passeio com uma agência pra te buscar na estação e te levar por um tour completo por São João (as atrações são meio espalhadas e distantes entre si) – veja com a agência Estrada Real (32/ 3355-1187). Se não, pule o trenzinho e vá a São João com seu carro mesmo. Lá, não perca a Igreja Nossa Senhora do Carmo, com o interior todo branco, e a Igreja de São Francisco de Assis. Sua localização na bela Praça Frei Orlando, em terreno elevado, faz a construção, com torres de 30 metros, sobressair no conjunto colonial. No interior, as talhas na capela-mor representam a Santíssima Trindade – a missa de domingo às 9h15 é acompanhada por música barroca. Atrás da igreja, no cemitério, está o túmulo do ex-presidente Tancredo Neves. Saídas aos sábados às 13h e às 17h; e aos domingos às 11h e às 14h, R$ 40 (ida), R$ 56 (ida e volta)

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O QUE FAZER EM TIRADENTES:

Serra de São José

A serra que embeleza o entorno da cidade também oferece trilhas que levam a cachoeiras e mirantes da serra a até 1 260 metros de altura. A mais legal é a Travessia de São José com 12 km. A caminhada é longa, mas não é difícil: quase todo trajeto é plano, e passa por vegetação da Mata Atlântica e campos rupestres (onde predominam gramíneas e arbustos). Um banho na Cachoeira do Mangue precede o fim da trilha, com um belo mirante. Veja com a agência Estrada Real ou a Uai Trip (faça questão de ter uma van te levando até onde começa a trilha e buscando no fim).

Bichinho

O que fazer em Tiradentes: distrito da vizinha Prados, Bichinho, a 6 km de Tiradentes, entrou no mapa turístico graças a iniciativa de Antônio Carlos Bech, conhecido como Toti, que chegou por ali em 1991 e fundou a Oficina de Agosto com o objetivo de ensinar artesanato e gerar renda para a comunidade. Partindo do centrinho de Tiradentes você percorre uma estrada de terra morro acima até entrar na vilinha, basicamente uma única avenida forrada de lojas de artesanato. Importante: leve dinheiro porque muitas não aceitam cartão. As lojas mais legais são:

Oficina de Agosto: Ela ainda existe, e vende móveis e esculturas. Ela serve de referência para outras lojas da cidade (que às vezes fazem coisas meio copiadas dali) e tem preços mais salgados.  A produção e criação dos objetos é feita em Bichinho, mas também tem endereço em São Paulo e representantes em diversos estados do Brasil.

Anjos Astrais: As peças têm como matéria-prima bambu, a cabaça, cipó e chita. O forte da casa são as luminárias em forma de pipa e estrela enfeitadas com fitas.

Alex Terra: O artesão pinta com a terra colorida que encontra pela região – diz ele que já achou mais de 30 tipos (dentro da loja tem potinhos exibindo a matéria-prima). Ele usa relógios, discos, garrafas e outros materiais recicláveis e faz desenhos inspirados em pinturas rupestres.

Empório Maria Monteiro: Aqui tem tudo: móveis, redes, toalhas de mesa, lustres, quadros, vasos. Pra fuçar sem fim.

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Rose Figueiredo: Faz quadros coloridos lindos com tecidos e fitas, com motivos que vão de santos à Frida Khalo. O ateliê é ali mesmo; a loja tem aquela cara bagunçada de artista trabalhando.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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