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La Paz: saiba o que fazer para curtir a capital boliviana

Aninhada entre montanhas e picos nevados a 3600 metros acima do nível do mar, La Paz é a capital que oferece uma das experiências urbanas mais autênticas na América do Sul.

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Pela sua geografia peculiar e também pela identidade cultural forte desse país onde 70% da população diz ter descendência indígena. Se ela não é especialmente bonita, com suas ruas levemente insalubres e suas casas marrons sem reboque, o crescimento econômico da Bolívia e o desenvolvimento do turismo nos últimos anos trouxe novo novos restaurantes, hotéis e cafés que fazem um contraste interessante como os mercados de rua onde as cholitas vendem folhas de coca e poções do amor. Fora isso, a cidade tem localização esperta para ver outras atrações da Bolívia em viagens bate-volta ou esticadas de dois dias. Veja aqui o que fazer em La Paz.

Como circular em La Paz:

Se você ficar hospedado no centro ou no bairro de Sopocachi vai conseguir fazer quase tudo a pé. De resto, evite pegar táxis na rua, peça para o seu hotel pedi-los pelo telefone, e sempre combine o preço antes de entrar (não há taxímetro). Quando eu fui à Bolívia, em julho de 2017, o Uber ainda não estava funcionando.

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O que fazer em La Paz:

Participar do Red Cap City Walking Tour

O que fazer em La Paz: esse tour à base de gorjetas guiados por jovens bolivianos é essencial para compreender La Paz – durante o passeio, os guias contam histórias sobre a cultura, história e política do país e visita os principais pontos turísticos do centro (que provavelmente não teriam tanta graça se não estivessem acompanhado pelas histórias). Ele sai todos os dias às 11h e às 14h da Praça San Pedro, onde você já começa ouvindo sobre a bizarra prisão que existe ali, na qual até pouco tempo os presos tinham que pagar aluguel pelas celas e viviam numa comunidade auto-organizada (a história ficou famosa depois do livro Marching Power, feito por um australiano e um inglês que ficaram presos ali). Você também visita pontos com o Mercado de las Brujas e o e a Praça Murillo, onde você aprende sobre a tumultuada história política boliviana (foram quase 200 golpes de estado desde a independência em 1825).

Visitar os Mercado Rodriguez e Mercado de las Brujas

Tomando várias ruas do centro, o Mercado Rodriguez vende uma variedade impensável de batatas e milhos além de mil outros víveres numa experiência divertida de mercado de rua (La Paz não tem supermercados).  A maioria das bancas são comandadas pela cholitas, essas moças de saia pollera, ponchos coloridos, ouro nos dentes, sandálias, meias grossas e chapéu-coco. A vestimenta surgiu da mistura de espanhóis com os indígenas no período colonial e hoje se tornou símbolo da resistência dos povos nativos diante da dominação europeia (chola era um termo depreciativo para denominar os índios que tinham se mudado para as cidades, então você só deve dizer no diminutivo, cholita, se não é falta de respeito).  Dali é um pulo até o Mercado de las Brujas, uma sucessão de lojas onde você pode comprar poções que prometem empregos novos e ereções duradouras, além de fetos de lhama para fazer oferendas à Pachamama (a mãe natureza) nas crenças da etinia aymara, que predomina na região de La Paz.

Passar na Igreja de São Francisco e no Mercado Lanza

O que fazer em La Paz: os franciscanos chegaram a La Paz logo depois de sua fundação e estabeleceram um convento em 1549. O antigo prédio foi destruído em uma nevasca posteriormente e a igreja atual, a principal da cidade, data do século 18 e tem estilo “barroco mestizo”, um misto do barroco europeu com influências locais. No convento há um museu com roupas, livros, objetos e pinturas da época. Ao lado, o Mercado Lanza oferece sucos frescos e porções fartas a preços irrisórios de salteñas, essa espécie de empanada, e rellenos de papas, bolinhos de batata recheados – vale para uma boquinha rápida.

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Aprender sobre a coca no Museu de la Coca

O que fazer em La Paz: nesse pequeno e singelo museu, também no centro, você descobre mais sobre a controversa planta que faz parte da cultura dos povos andinos há séculos – mas também é usada na produção da cocaína (a Bolívia é o terceiro maior produtor da droga no mundo). Painéis clamam o direito de produzi-la legalmente para fins medicinais.

Comprar produtos autênticos

Nós amamos as malhas coloridas vendidas em todas as banquinhas e lojinhas da Bolívia e do Peru porque são baratas e fofinhas, mas não se engane: elas não são realmente de lã de alpaca e muito provavelmente vêm de alguma fábrica da China. No entanto, no centro, principalmente nas ruas Sagarnaga e Linares, há algumas lojas que trabalham com comércio ético e autêntico de origem nacional com matéria-prima de qualidade (e preços bem mais altos obviamente). Não perca as lojas Mistura e a Ayni Bolivia.

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Usar o wi-f e relaxar no The Writer’s Coffee e no Café del Mundo

Eis que o progresso tarde, mas não falha: mesmo em La Paz, uma das capitais mais roots das Américas, temos cafés hipsters – todos esses ficam no centro. O Café del Mundo é uma graça e serve para comer a qualquer hora do dia, com massas, saladas, sanduíches e docinhos no menu. O The Writer’s Coffee, decorado com livros e máquinas de escrever, vende 34 tipos de café premium. Os dois têm internet decente, coisa rara na Bolívia, mesmo nos hotéis.

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Provar comida boa e caseira boliviana

La Paz é a cidade onde melhor se come na Bolívia, onde no geral a comida é muito simples e até meio sem graça. O Luciernagas, de uma cozinheira boliviana e seu marido holandês, é o restaurante para se provar culinária local e bem-feita. Num ambientes simples e bem caseiro, prove pratos como “sajta de pollo” e “charquekan yungueño”.

Ter uma experiência antropológica na Feria 16 de Julio

Ela acontece El Alto, região periférica que escala as montanhas de La Paz e abriga quase 1 milhão de pessoas. Você chega ali com o Mi Teleférico, o mais extenso sistema de teleféricos urbanos do mundo, implementado em 2014 e visto como uma tentativa de diminuir as distâncias físicas e sociais entre a população. A Feria 16 de Julio, sediada às quintas e domingos lá em cima, não é propriamente turística, com suas bancas com mais de 5 mil comerciantes cadastrados que vendem de brinquedos infantis a peças de automóveis e barracas com cholitas fervendo caldos de frangos inteiros (almoçar lá é bem interessante), mas é certamente uma experiência antropológica. O Red Cap também tem um tour guiado até lá, se você preferir ir acompanhado.

Jantar no melhor restaurante da Bolívia

Eleito recentemente 28 melhor restaurante da América Latina, o Gustu é o suprassumo da até pouco tempo inexistente alta gastronomia local. O lugar foi aberto por Claus Meyer, cofundador de um dos melhores restaurantes do mundo, o sueco Noma (hoje extinto), em 2013. A ideia do menu-degustação (que sai por cerca de R$ 250, com um sem-fim de pratos) é oferecer uma experiência 100% boliviana (ainda que pouquíssimos bolivianos dividam o salão com você, a bem da verdade), com pratos como tartar de lhama com crocante de choclo, bagre amazônico e uma casquinha imitando ostra feita com fermentado de quinua. O maître sueco de 1,90 m contrasta com o resto do staff local – o restaurante serve de escola para chefs, sommeliers, barmens e garçons locais.

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Assistir (ou não) a uma luta de cholitas

O que fazer em La Paz: não tenho opinião formada sobre isso, mas posso dizer que achei melhor não ir. Os espetáculos de “Cholitas Wrestling”, ou Lutas de Cholitas, atração de El Alto, sedia lutas entre as moças vestidas com a roupas típicas puxam as tranças uma das outras, entre outros golpes, numa versão mais trash das lutas livres mexicanas – veículos gringos como The Guardian e National Geographic já reportaram o evento como um símbolo de luta contra racismo e opressão por parte das cholitas. A Piauí fez essa matéria aqui. Sugiro que você jogue no You Tube para ter uma noção do que é antes de ir.

Tour ao Valle de la Luna e a montanha Chacaltaya

O que fazer em La Paz: a capital boliviana também é base para uma série de viagens bate-volta. A mais comum leva até o Valle de la Luna, um labirinto de curiosas formações rochosas de argila e arenito, e à montanha Chacaltaya, pico da Cordilheira dos Andes a 5 421 metros de altitude onde já funcionou uma estação de esqui. O ônibus viaja por uma estradinha vertiginosa até a antiga base, onde você precisa caminhar mais 200 metros de subida até o topo, entre passos trôpegos e muitas vontades de desistência, já que o ar parece simplesmente não vir. O presente ao esforço é a vista, com os picos ao redor da cidade. Tente encontrar por cerca de 80 bolivianos (cerca de R$ 40) no máximo.

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Tour da Estrada da Morte de bicicleta

O que fazer em La Paz: o tour mais popular em La Laz é o que leva até uma vertiginosa descida de bicicleta pela Estrada de La Muerte. Trata-se de um passeio levemente imprudente por uma estrada cascalhenta e sinuosa que corre por cerca de 70 quilômetros de La Paz até Coroico, do altiplano até florestas tropicais, onde poucos metros separam você do precipício – nos anos 1990, cerca de 300 mortes eram registradas ali por ano. Empresas como a Gravity são certificadas para levar turistas para essa aventura, com direito a muita lama e foto segurando a bike no topo de penhascos envoltos por neblina – sai por cerca de US$ 80, incluindo equipamento, e é para os fortes.

O Carpe Mundi viajou à Bolívia com apoio do Hostelworld, o maior site de reservas de hostels do mundo – entre para escolher o seu!

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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