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Os melhores destinos da Bolívia pra montar o seu roteiro

A Bolívia é normalmente renegada a ser somente uma esticada de um roteiro ao Peru ou ao Deserto do Atacama. Mas é sim interessante fazer uma viagem só para lá, porque o país tem uma natureza exuberante e diversa, um povo gentil que preserva sua cultura e ainda preços baixíssimos (pense refeições a R$ 15). E, convenhamos, está aqui do lado: a Gol tem voos diretos de São Paulo para Santa Cruz de la Sierra com promoções constantes de passagens com milhas (eu comprei por 12 mil ida e volta). Veja abaixo os melhores pontos turísticos da Bolívia.

Pontos turísticos da Bolívia: o que ver no país

Quando ir a Bolívia:

Entre maio a outubro, a época seca, quando os dias são ensolarados (mas faz friozinho) e não chove. O único porém é que fica MUITO frio no Uyuni nessa época, tipo -10 graus de noite, e a falta de água faz com que o salar não mostre aquele efeito de refletir o céu.

Sugestão de roteiro na Bolívia:

Santa Cruz – Samaipata (2 a 3 noites) – Sucre (2 noites) – Uyuni (3 noites) – La Paz (3 noites) – Copacabana (2 noites) – Santa Cruz (1 noite)

Chegue em Santa Cruz e vá direto ao centro, da onde saem as vans para Samaipata. Durma 2 ou 3 noites ali para fazer trilhas pelos Yungas (vegetação Amazônia + Andes), ver o sítio arqueológico El Fuerte e curtir a vibe hippie. Depois, pegue um ônibus noturno para Sucre e veja a cidade em 2 dias. Se for domingo, não perca o mercado de Tarabuco. Aí, pegue um ônibus diurno para o Uyuni (a paisagem é bem bonita no caminho, 6h de viagem) e durma na cidade. Comece seu tour de 3 dias pelo deserto no outro dia às 10h (veja com a empresa Quechua Connection). Na chegada do Uyuni, pegue um ônibus noturno para La Paz (9h de viagem). Conheça a cidade num dia e no outro pegue o tour para conhecer a montanha Chacaltaya e o Vale da Lua. No seguinte, faça o famoso passeio de bicicleta na Estrada da Morte. Daí, tome um ônibus até Copacabana (4h de viagem), durma na cidade e vá para a Isla Del Sol no dia seguinte. Volte a Copacabana, durma de novo e pegue um ônibus para La Paz no dia seguinte e aí um voo até Santa Cruz (calcule bem o tempo para não perder). Durma em Santa Cruz e volte ao Brasil no outro dia.

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Mercado de Tarabuco, perto de Sucre

Pontos turísticos da Bolívia: o que ver no país

Santa Cruz de la Sierra

Verdade seja dita, não tem muita coisa pra fazer na maior e mais rica cidade da Bolívia, mas é bem provável que você tenha que passar por ela para pegar seu voo. Quem vem de ônibus ou trem do Mato Grosso também para aqui. Se você tiver um tempinho, dê uma volta no centro para ver a catedral na Plaza 24 de Septiembre. À noite tem uma boa dose de bares e baladas que tocam funk (!) brasileiro. Os hotéis costumam vender tours para o Parque Lomas de Arena, com dunas onde o pessoal faz sandboard. Resumindo, dá pra pular.

Samaipata

Nessa cidadezinha de pouco mais de 3 mil habitantes orbitam em paz aposentados alemães e hipongas australianos (e bolivianos também). A leva de estrangeiros trouxe hotéis, cafés naturebas, restaurantes e barzinhos (é só um barzinho na verdade, o La Boheme) que se fundiram lindamente com as ruas empoeiradas e as casinhas coloridas de Samaipata. O que tem pra fazer ali além de curtir essa vibe: visitar El Fuerte, um pouco conhecido sítio arqueológico que foi habitado por vários povos, inclusive os incas, Las Cuevas, um bonito conjunto de cachoeiras, e o Parque Nacional Amboro, que tem trilhas pelos Yungas, união de vegetação amazônica e andina. Veja passeios com a empresa Michael Blendinger Nature Tours – se você curte trilha, pode ser legal fazer alguma com pernoite.

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El Fuerte

Sucre

Essa cidade de casinhas coloniais brancas, patrimônio da humanidade pela UNESCO, é a mais atraente do país. O clima é ensolarado e ameno e as praças arborizadas são ótimas para um people watching de turistas, bolivianos e cholitas. Vá à Casa de la Libertad e à bela catedral do século 16 para saber um pouco sobre a história do país, ao Museo de Arte Indígena para aprender sobre os grupos nativos da região e ao Café Mirador para um fim da tarde gostoso ao ar livre com vista para a cidade. Há alguns bons restaurantes (como o vegetariano Condor Café e o arrumadinho Café Florin) e a sede da ótima marca de chocolates locais, a Chocolates para Ti. Aos domingos, é imperdível o Mercado de Tarabuco, num vilarejo próximo, uma verdade experiência antropológica. Continue lendo sobre pontos turísticos da Bolívia.

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Potosí

Fundada em 1545, a cidade já foi uma das mais ricas das Américas devido à extração de prata, o que lhe rendeu um centrinho com algumas igrejas e construções coloniais interessantes ainda preservadas. O turismo agora é centrado nos tours (pouco seguros) pelas minas (hoje não mais de prata, mas de outros minerais), onde as pessoas trabalham em condições deploráveis – se for fazer, procure empresas fundada por ex-mineiros que gerem alguma renda para as cooperativas. Eu particularmente não me interesso por esse tipo de passeio (e também me pergunto o quanto ele é ético com os mineiros), então pulei Potosí.

Salar do Uyuni

Eis aqui o cartão-postal da Bolívia, o maior salar do mundo, com 12 000 km² que se estendem a 3600 metros de altitude (vale comprar umas pílulas contra soroche, o mal de altitude, nas farmácias de lá). Para conhecê-lo você precisa ir até a cidade do Uyuni, um lugarzinho feio, frio e cheio de lixo que não tem nada a ver com as belezas (lagoas azuladas, montanhas, vulcões, flamingos) que você vai ver nos dias seguintes. Os tours pelo salar + deserto são todos muito parecidos e duram 3 dias, saindo 10h da manhã no primeiro e chegando por volta das 17h no último. Sugiro a empresa Quechua Connection porque é uma das únicas que para de noite nas águas termais. Se não rolar, a Cordillera Travel também é bem boa (mas não para de noite nas termas). Continue lendo sobre pontos turísticos da Bolívia.

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La Paz

A capital boliviana é marcada por uma geografia muito singular: ela fica num cânion profundo formado pelo Rio Choqueyapu, é cercada de picos (alguns nevados) e está a 3600 metros de altitude, o que faz com que subir alguns lances de escadas te deixe sem fôlego. Não é bonita, é verdade, mas é um banho de cultura boliviana em seus mercados, praças e construções antigas. Faça um city tour a pé gratuito com a Red Cap Walking tours para visitar os pontos principais e aprender sobre a política do país, veja o Mercado Rodriguez e o Museu de la Coca e, às quintas e domingos, suba de teleférico até El Alto, espécie de cidade satélite pobre, para ir ao Mercado 16 de Julio. Imprescindível também é reservar um jantar sofisticado no Gustu, restaurante de uma chef dinamarquesa que explora os ingredientes nativos da Bolívia. No mais, La Paz é base para uma série de bate-volta e trekkings nas montanhas. Se não estiver seguro de caminhar muito na altitude, escolha o tour que visita a montanha Chacaltaya e o Valle de la Luna (foto ao lado). Outro programa famoso é a descida da Estrada da Morte de bike (o nome assusta, mas eu vi até idosos fazendo) – veja com a empresa Gravity, uma das poucas certificadas.

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Coroico

É o destino final do passeio pela Estrada da Morte, uma cidadezinha na montanha Cerro Uchumachi com plantações de café e cânions forrados de mata virgem por onde voa o galo-da-serra-andino, um passarinho bonito de cabeça vermelha. Ali dá para fazer passeio de bike, trilhas e visitar algumas cachoeiras, mas o melhor mesmo é se hospedar no Sol y Luna Ecolodge (sério, tem que se hospedar ali) e relaxar. Esse hotel tem desde camping e quartinhos coletivos até bangalôs luxuosos com paredes envidraçadas e fica num terreno lindo verde com piscina, jacuzzi e um restaurante delicioso. O wi-fi não pega. Eu baixei uns filmes no Netflix, levei uns livros e fiquei uns dois dias ali fazendo nada olhando para as montanhas. Foi maravilhoso. Continue lendo sobre pontos turísticos da Bolívia.

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Copacabana

É a porta de entrada para conhecer a imensidão azul do Lago Titicaca. A cidade em si tem pouco para ver, com um centro com lojas de souvenirs (os mesmo que você encontra em todos os outros lugares da Bolívia e do Peru e que possivelmente são feitos na China), alguns restaurantes que servem truta grelhada e a Basílica Nossa Senhora de Copacabana (cuja santa deu nome para o bairro carioca).

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Barcos partem de manhã para a bela Isla del Sol, onde os resquícios de povos pré-colombianos, a vegetação árida e o Titicaca formam uma paisagem hiperfotogênica. Dá para passar o dia e voltar de tarde ou dormir na ilha.

Outros pontos turísticos da Bolívia:

Ruínas de Tiahuanaco: Outro tour para fazer desde La Paz, que visita essas ruínas de 1600 a.C. da civilização Aymara.

Cordillera Real: Pra quem curte trekking real oficial, essa cordilheira de mais de 600 picos é protagonista de uma série de tours saindo de La Paz – os mais aventureiros vão a Huayna Potosí, o mais alto de todos.

Rurrenbaque: A 400 km de La Paz (vá de avião, a estrada é horrorosa), a cidade é base para conhecer a Amazônia boliviana, onde dá para ver sucuris, araras, jacarés, botos e bicho preguiça. Mas né, tem tudo isso aqui no Brasil.

O Carpe Mundi viajou à Bolívia com apoio do Hostelworld, o maior site de reserva de hostels do mundo.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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Há 2 comentários para “Os melhores destinos da Bolívia pra montar o seu roteiro

  1. Muito bacana esse roteiro Betina!
    Só uma dúvida, esses trajetos de van, ônibus e avião entre as cidades podem ser comprados na hora ou melhor já comprar antes de ir?

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