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Por que visitar Minas pós-acidente no Rio Doce

Eis que nós havíamos marcado nossa viagem para as Cidades Históricas mineiras e, uma semana antes, a bomba: o tenebroso rompimento das barragens que soltou 60 bilhões de litros de rejeitos da mineração de ferro na bacia do Rio Doce e causou mortes, falta d´água e desabrigados.

Quando eu disse que estava saindo para Minas na quinta passada, fui tratada como jornalista de guerra, e não de turismo. Para a minha mãe e grande parte dos meus amigos, meu futuro seria enfrentar a terrível lama “tóxica”. Na minha conta do Instagram, seguidores me alertavam sobre o perigo de chegar perto de Ouro Preto.

Dando uma rápida zapeada no Google, vi que a lama atingiu vários distritos de Mariana, como Bento Rodrigues, destruída praticamente por inteiro, e seguiu pelo Rio Doce em direção ao Espírito Santo (passando por cidades como Governador Valadares), acarretando um enorme desastre natural e social. Mas não, não afetou as cidades que pretendíamos visitar.

Começamos em Tiradentes e seguimos pela Estrada Real, passando por São João del Rei, Lagoa Dourada, Congonhas e Ouro Preto. Tudo na paz. Na hora de visitar Mariana, tive um lapso de medinho. Ainda bem que voltei à consciência rápido.

MINAS PÓS-ACIDENTE NO RIO DOCE:

Mariana nos recebeu de braços abertos. A Catedral Basílica da Sé ainda é uma das igrejas mais ricas do Brasil, com lustres de cristal e altares cheios de ornamentos. A Praça Gomes Freire continua bucólica, com seus laguinhos, bancos e coreto. A Casa dos Artistas Mestre Athaíde segue abrigando quase 30 artistas que trabalham renovando esculturas e expõem suas obras ali. As construções coloniais resistem lindamente coloridas.

O turismo representa mais de 5,5% da renda de Minas – são cerca de 415 000 empregados formais, fora os muitos que não são registrados. A região das Cidades Históricas já sofre com a crise econômica do país – a estimativa é que a taxa de ocupação dos hotéis tenha diminuído 40% este ano. Por causa do rompimento das barragens, em Ouro Preto e Mariana donos de pousada reclamam de gente ligando em dúvida sobre vir, ou pior, cancelando a reserva.

A maioria dos estabelecimentos é independente e familiar, de gente que depende dessa renda pra viver e seguir funcionando. Fora isso, o turismo é extremamente importante ali porque provê a preservação das construções.

Por isso, deixamos aqui um apelo de quem acabou de voltar com a barriga cheia de doce de leite e frango com quiabo e, na cabeça, boas lembranças da simpatia do pessoal, da beleza das montanhas, da história rica, da arquitetura única.

Minas pós-acidente no Rio Doce: continuar visitando Minas também é uma forma de ajudar Minas.

centro histórico Mariana, Minas Gerais
Centro Histórico de Mariana (fotos de 16/11/2015)
centro histórico Mariana, Minas Gerais
Centro Histórico de Mariana (foto de 16/11/2015)

Em tempo: a Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem está arrecadando recursos no site Vakinha online para compra e distribuição de água para os moradores das cidades afetadas – ajuda lá! #UmAbraçoEmMariana

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