O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses conserva uma das composições de cenários mais maravilhosas do país, senão a mais linda de todas. Dificilmente você não vai ficar atordoado com a paisagem formada por lagoas azuis de águas cristalinas entre dunas imensas, lembrando um enorme tapete infinito. A visão do parque natural vai ficar na memória para sempre. Mas o restante da viagem, que vai depender sobretudo do lugar que você vai escolher como base, talvez nem tanto: a grande maioria dos turistas acaba planejando todo o roteiro hospedada em Barreirinhas, a capital dos Lençóis, lugar de mais fácil acesso, com o maior número de estabelecimentos hoteleiros, agências de tours e serviços em geral. Mas também uma cidade feia, barulhenta e, diga-se de passagem, até meio brega.

É que todo o encanto da região dos Lençóis passa longe dali, a 1h de barco descendo o Rio Preguiças até o vilarejo de pescadores de Atins.

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ATINS LENÇÓIS MARANHENSES

Em Atins, o canto direito dos Lençóis Maranhenses, a graça, a simplicidade (com conforto, sim) e a autenticidade tomam conta. As ruas são de areia fofa, por onde circulam burrinhos soltos, todo mundo é gentil e se conhece, há mais gringos moradores do que maranhenses (e eles são donos de várias pousadas), flores colorindo as construções rústicas e a eletricidade chegou há pouco tempo. Atins cresceu, culpa do kitesurf: entre julho e janeiro, o vento é constante e consistente, atingindo até os 30 nós e garantindo as condições propícias para a prática do kite. Mas mantém seu charme. E quanto charme! Quem fica em Atins não vai ali só para ver as lagoas e ir embora (que também são divinas, perfeitas e muito menos concorridas), mas fica pra curtir também a praia, o sol, o vento. Atins é um destino por si só, complementado lindamente pelas dunas cheinhas de água dos Lençóis Maranhenses.

Atins, a melhor base dos Lençóis Maranhenses

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ATINS LENÇÓIS MARANHENSES

ROTEIRO DE VIAGEM

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Chegar em Atins pede passar por Barreirinhas: é dali que as voadeiras (lanchas rápidas) partem rumo ao vilarejo. Uma boa é chegar em Barreirinhas um dia antes, já que o percurso desde São Luís prevê 4 horas na estrada, e se preparar para ir à Atins na manhã seguinte. A empresa de transfer que te levar até Barreirinhas ou o gerente da sua pousada serão os melhores contatos para fechar o trajeto – os barcos levam os turistas na parte da manhã de Barreirinhas a Atins num passeio que vai parando por povoados do Rio Preguiças, primeiro em Vassouras, onde uma praia de rio e macaquinhos fazem as honras, seguido de Caburé, vilarejo pescador entre o rio e o mar, onde a ideia é visitar as dunas da porção do parque chamada Pequenos Lençóis e almoçar na Cabana do Peixe. Ou também dá pra contratar um barqueiro particular, fazer os passeios e desembarcar em Atins no seu ritmo (o tour regular sai na faixa dos R$ 60 por pessoa, enquanto o privado, R$ 450).

Indicações de empresas com saídas regulares de barco de Atins a Barreirinhas: Satur: WA (98) 99232 8780 / K-Beça Turismo: WA (98) 98827 7715 / Malibu: (98) 98842 1660 / Atins Lençóis: (98) 99104 9770

Sua pousada vai providenciar o transporte de jardineira ou de Toyota do chamado Porto de Atins – que nada mais é que uma prainha de rio onde os barcos atracam -, até o estabelecimento. Dali em diante é calçar o chinelo (ou nem isso!), deixar as preocupações de lado e adentrar no mood Atins de ser. E sem pensar muito no valor dos serviços: é um vilarejo isolado mais caro do que parece, que pela localização afastada acaba tendo preços mais altos sim do que em Barreirinhas. No fim da tarde, uma volta pela praia é uma boa para se ambientar e conferir o sol se pondo enquanto kitesurfistas encontram o vento no horizonte. Meia dúzia de barracas de praia servem água de coco, cerveja e peixes fritos. Se a fome for de janta, vale conferir as pizzas da La Pizzeria, na Pousada Maresia, feitas com farinha de fermentação natural e servidas num quintal a céu aberto com mesas de madeira, luzinhas e tendas de bijuterias que tem tudo a ver com a cara do povoado.

Um dia perfeito começa num tour matutino pelos Lençóis de Atins.

É importante salientar que as lagoas usuais do roteiro vão mudando de temporada em temporada devido à chuva: umas não enchem tanto, outras rompem. Das principais, é de lei visitar a Lagoa do Kite (entre as mais legais, já que o contraste das pipas voando soltas ao vento, das dunas e das lagoas é uma coisa linda de ver), a das Sete Mulheres e da Capivara. Na hora do almoço, o peixe ou o camarão grelhados vão ser no Canto do Atins, onde o parque nacional encontra o mar em quilômetros litorâneos (e algumas lagoas quase se fundem com o oceano), nos restaurante do Antônio ou da Luzia –  de sobremesa, peça cocada! Durante a tarde dá pra curtir mais um pouco a Praia de Atins, quem sabe se aventurar numa aula de kite com a Atins Kiteboarding ou atravessar o Rio Preguiças num barquinho pescador e dar uma conferida na extensão de praia do lado de lá, beirando o mar. Um jantar mais chiquezinho pede ida à La Ferme de Georgese seu restaurante onde vigora a proposta farm-to-table.

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Inesquecível é também desbravar os Lençóis no seu ritmo, sem passeio ou guia, sem horas contadas – o que é facilitado em Atins, pelo fato do vilarejo estar localizado na boca do parque nacional.

Dá pra planejar uma caminhada pelas dunas por conta – são cerca de 40 minutos até chegar nas primeiras lagoas – ou alugar um quadriciclo, passear pelo povoado e se aventurar a dirigir na areia, seja no litoral ou nas dunas (o que não é totalmente liberado por lei, uma vez que só veículos credenciados podem circular pelo território do parque, mas é uma prática comum entre turistas em Atins, onde a fiscalização não bate em peso).

E, depois de sentir a liberdade de percorrer os Lençóis Maranhenses sozinho, depois vale recorrer novamente aos tours: o que acontece é que as lagoas mais bonitas mesmo de Atins acabam ficando mais no interior do parque, distante do vilarejo. E nelas você só chega com um passeio – e quase sempre privado, já que são roteiros fora do comum, menos procurados, mas sinceramente os mais incríveis do destino. A Lagoa da Ilha e as lagoinhas em seu redor são deslumbrantes, pra literalmente chamar de suas, sem uma alma viva, com formatos peculiares (há das redondinhas às mais extensas), água translúcida, paredões de areia lisinhos pra admirar (ou derrubar). Do tipo que você não vai encontrar sozinho ou nos roteiros clássicos.

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Aproveitar o período vespertino para conhecê-las é ideia esperta, unindo a experiência incrível do pôr do sol ao tour. Por isso é importante contar com uma agência bacana na hora de contratar o passeio. A Atins Beach Adventure é uma opção legal por ter guias flexíveis, dispostos a te levar em lagoas desconhecidas, que acabam sendo sempre as mais bonitas por estarem mais preservadas. Enquanto um tour comum de meio-dia sai por R$ 80 por pessoa, o privado sai por R$ 600 o carro, mas vem com toda essa expertise e exclusividade.

Se ainda não tiver cansado do paraíso fica a dica de seguir viagem até Santo Amaro, onde estão realmente as lagoas mais belas do território dos Lençóis Maranhenses. Mas importante salientar que a cidade não tem nem de longe o charme que Atins conserva (por lá, o asfalto chegou, tirou a graça e trouxe excursões em peso à porção do parque controlada pela fiscalização municipal). Ou se quiser realmente viver essas paisagens a fundo, cogite atravessar o parque a pé num trekking de 3 dias, mais infos aqui.

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ONDE FICAR EM ATINS

As acomodações em Atins refletem toda essa simple life, esse jeitinho charmoso traduzido em pousadas rústicas com conforto oferecido através de deliciosos cafés da manhã, toques decorativos fofos praianos e um nível de hospitalidade mais pessoal aos hóspedes: os gerentes ou donos das pousadas (que são quase sempre gringos; Atins é surpreendentemente multicul) vem conversar, te receber, ajudar na organização dos passeios e se gabar do charme de Atins. Mas a infraestrutura ainda é de vilarejo pescador praiano: pode acontecer de pingar dentro do quarto durante chuvas fortes, até nas pousadas caras.

É assim na Santa María Atins (diárias desde R$ 406; RESERVE AQUI!; foto abaixo), pousada à beira-mar, logo no início da praia, projetada por um artista espanhol e comandada pelo argentino Ignacio, com uma casa principal e quatro bangalôs dispostos num jardim com redes, palmeiras e espaços para relaxar. Balanços, itens de palha e frases gravuradas na parede dão charme à décor. Como em quase todas as pousadas de Atins, não há ar-condicionado, somente ventilador. Mesmo no hotel-boutique top La Ferme de Georges, com a maior (e melhor) estrutura do vilarejo, e consequentemente as diárias mais caras, a partir de R$ 1 098 (RESERVE AQUI!), a proposta que vigora é a ventilação natural nos chalés arejados espalhados pelo enorme jardim, assim como as construções sustentáveis, feitas de madeira local, tijolo e palha. A dose de luxo vem na cama king-size, no chuveiro por onde a água desce com uma super pressão, na piscina e no bar e restaurante delicioso onde a base dos comes e bebes vem da hortinha local – a salada da horta é simplesmente maravilhosa. Outra boa ideia de onde ficar em Atins é o novo bangalô da Vila Vento (diárias desde R$ 1 064; RESERVE AQUI!): o espaço é enorme, para até 4 pessoas, um dos únicos com ar-condicionado. Da varanda elevada de frente pro mar, você pode assistir aos kitesurfistas velejando ao pôr do sol. A hospitalidade fica por conta da Audrey, a gerente, que cuida de tudo com muito carinho.

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Anna Laura

Jornalista por formação e fotógrafa por vocação, a editora do Carpe Mundi registra o mundo com sua Nikon desde que se entende por gente - e hoje cultiva um feed milimetricamente pensado. Passou pelas redações da CARAS Online e da Viagem e Turismo e, depois de uma temporada em Paris, resolveu ser viajante full time: você pode encontrá-la por aí, cobrindo paraísos tropicais.

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