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Conheça a lindinha vila Saint-Émilion, bate-volta de Bordeaux, na França

A meia hora de Bordeaux, Saint-Émilion é passeio essencial para quem visita a região dos vinhos.

Saint-Émilion é um pequeno vilarejo medieval localizado a 40 km de Bordeaux, classificado como Patrimônio Mundial da Unesco. Erguida sobre colinas, a comuna é divida entre partes “alta” e “baixa”, ligadas por estreitas ruelas charmosas com calçamento de pedra e aclives acentuados. Ao redor do pequeno centro histórico se espalham 5 500 hectares de vinícolas que produzem 3,5 milhões de garrafas por ano, com alguns rótulos que podem chegar a quatro dígitos. Você pode fazer o passeio bate-volta ou até dormir uma noite por lá.

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Como ir a Saint-Émilion desde Bordeaux:

Há saídas de trem a cada hora; o trajeto dura 30 minutos e custa € 9,50, super tranquilo e de ir e voltar no mesmo dia. Se estiver de carro alugado, a estrada que leva a Saint-Émilion é a N89; o percurso dura 45 minutos e é em grande parte cercado por vinícolas. Dica esperta: pelo app Blablacar, muito popular na França, é possível facilmente encontrar caronas até Saint-Émilion por € 4.

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O que fazer em Saint-Émilion:

Se você estiver fazendo bate-volta, vale a pena embarcar num dos tours oferecidos pelo escritório de turismo local – dá pra comprar e reservar o horário no site. Eu fiz o “Underground”, que custa € 9. Afinal, a principal atração do centro histórico da cidade é o complexo subterrâneo. Isso porque o vilarejo está localizado sobre um solo de calcário, que foi extraído por habitantes entre o século 9 e 19 e utilizado na construção das casas e até da antiga muralha da cidade. O resultado são 200 km de galerias subterrâneas.

Os grupos se reúnem em frente ao grande portal da Igreja Monolítica, localizada no centro da cidade. Os guias levam então os visitantes à primeira atração: a Grotte de l’Ermitage, uma pequena gruta onde morava o monge Émilion quando ele estava na cidade. Diz-se que, no século 8, o tal monge trabalhava como cozinheiro na casa de um nobre da região francesa da Bretanha. Ele se aproveitava de sua posição para surrupiar alguns pães e dá-los aos pobres, escondendo-os embaixo de sua túnica. Um dia, no entanto, ele teria sido surpreendido por seu chefe, que lhe perguntou o que ele estava carregando. Émilion teria respondido que levava madeira e, quando ele levantou a sua túnica, os pães teriam se transformado em madeira por milagre. As histórias de sua generosidade se espalharam pela região que hoje leva seu nome, pra onde ele teria fugido. Dentro da gruta, é possível ver a “cama” de pedra onde ele dormia e os pequenos canais de onde bebia água. Há também uma “poltrona” de pedra, e diz a lenda que as mulheres que se sentam ali ficam grávidas.

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O passeio continua com a visita à Capela da Trinidade, construída no século 13 em homenagem ao monge. A capela já serviu de armazenamento de especiarias e também de fábrica de barris, o que permitiu a preservação de seus afrescos coloridos durante a Revolução Francesa. Seguindo pelo corredor, chega-se à Igreja Monolítica, a maior igreja subterrânea da Europa, com 38 metros de comprimento, 20 metros de largura e 11 metros de altura. A igreja impressiona por suas dimensões, principalmente quando se lembra que os habitantes da cidade a construíram a partir de uma pedra. Dentro, contudo, pouco restou das pinturas decorativas: só é possível ver os vestígios de São Jorge em um canto e de um crucifixo em outro. Os pilares que sustentam a igreja hoje estão reforçados por uma estrutura de ferro, porque descobriu-se que a água que circula no solo estava fazendo com que as colunas não conseguissem suportar o peso da torre do relógio. Esse é o ponto final do passeio, que no total dura cerca de 45 minutos. Vale lembrar que não pode tirar fotos dentro do complexo.

Depois de ter feito o tour, vá conhecer os outros pontos turísticos da cidade. Do lado da Igreja Monolítica há o Halles du Marché, uma pequena área coberta rodeada por arcos que antigamente abrigava o mercado da cidade, já que os comerciantes queria proteger os grãos das chuvas. Hoje, são os turistas que se protegem das intempéries por ali.

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Subindo por uma das ruas ao lado do mercado chega-se à porta e casa de la Cadène, a única casa que é feita de madeira em toda a cidade. A sua fachada data do século 16, mas sua estrutura é bem mais antiga. Dali, é só seguir seguir as placas para chegar ao Cloitre des Cordeliers (como os franceses chamam os franciscanos, fazendo referência à corda de suas vestes). Os franciscanos chegaram a Saint-Émilion no início do século 13. Durante a Revolução Francesa, contudo, os religiosos foram expulsos e o monastério foi vendido como um bem nacional em 1791. Quase um século depois, os proprietários decidiram utilizar a propriedade para começar a produzir espumante e transformar o subsolo em cave. O lugar é bem bonito: há uma estrutura de colunas que suportam arcos e um jardim no fundo, onde se pode fazer a degustação do espumante local. De lá, vale a pena seguir para a Porta Brunet, uma das seis portas que foram construídas para proteger a cidade – e a única que sobreviveu às guerras do século 16. Dali a vista é bem bucólica, com vinícolas, pequenas casinhas de pedra e até algumas ovelhas.

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Outro lugar legal é a Tour du Roi, cuja história é um pouco controversa: não se sabe se foi construída pelo rei Luís VIII, ou por Henrique III Plantageneta, rei da Inglaterra e duque da Aquitânia, no século 13, ou se foi durante a Guerra dos Cem Anos. De qualquer forma, a torre tem 32 metros e uma escadaria estreita que leva ao topo (a subida custa € 2). De lá a vista é bacana porque você consegue ver a cidade com sob a imponente torre do relógio.

Logo atrás da torre está o Couvent des Ursulinas, um convento que abrigava freiras que no passado educavam jovens meninas das classes pobres. As irmãs foram expulsas durante a Revolução Francesa, mas na fachada do que sobrou do prédio ainda se lê “Le Couvent” (“o covento”, em francês).

Se tiver pique, vale seguir para o outro lado do centro histórico, em uma caminhada de menos de 10 minutos, para visitar as ruínas do Palais Cardinal, monumento erguido no século 12 onde morou o sobrinho do papa Clemente V.

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Vinícolas pra visitar em St. Emillion:

Na cidade há várias propriedades que recebem turistas. Pra ir por conta própria, você precisa entrar no site de cada uma e mandar um email (ou preencher um formulário) pra agendar um tour (idealmente com alguns dias de antecedência). Saint- Émillion abriga verdadeiras grifes do vinho, como o Château Pavie. Durante a visita, o atual proprietário Gérard Perse conta que já existiam vinhedos nessa propriedade desde o século IV, e como ele a comprou em estado decadente em 1998, a modernizou e a elevou à classificação Premier Grand Cru Classe A em 2012, se tornando um dos grandes nomes no mercado de Bordeaux. Ele recebe os visitantes numa bonita construção cor de areia com detalhes em mármore onde estão as adegas e uma sala de degustação – no tour básico, você prova um vintage e um vinho mais recente.

Outra propriedade que merece a visita é o Château La Dominique; não só pelo rótulo Grand Cru Classé, mas pela adega moderníssima projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel, um quadrilátero com paredes espelhadas vermelhas. Os tours apresentam a vinícola e oferecem uma prova comentada de dois vinhos num terraço panorâmico com vista para as plantações – para complementar a experiência, reserve um almoço no restaurante La Terrase Rouge.

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Outra ideia é fechar o passeio às vinícolas também com o escritório de turismo. O tour “Promenade sur la route des vins” sai € 14  (€12 para estudantes e gratuito para menores de 12 anos), dura de 2h a 2h30 (rola apenas nos fins de semana e alguns sextas) e inclui o acompanhamento de um guia que fala em inglês e francês e é especialista em vinhos da região. O grupo se encontra às 14h em frente ao escritório de turismo e segue diretamente para uma propriedade.

No caminho, é possível ver outras vinícolas e o guia explica tudo sobre a produção regional. Em Saint-Émilion, se faz somente vinho tinto, sendo a maior parte merlot, seguido por cabernet franc. As vinícolas visitadas mudam de acordo com o dia, mas uma das propriedades parceiras é a Château Laniote Saint-Émilion , que produz o vinho de mesmo nome classificado como Grand Cru Classé, uma subdvisisão do Grand Cru. Ali o proprietário bem-humorado Arnaud recebe os turistas e explica todo o processo de produção do vinho em inglês e em francês. Há um vídeo que mostra as diferentes etapas de produção ao longo do ano. Este ano, no entanto, Arnaud, assim como outros viticultores da região, passou por uma situação complicada: houve uma geada no início de maio, época totalmente anormal para um evento como esse. O resultado foi que muitos dos produtores perderam 100% das colheitas nas quais eles estão trabalhando durante todo o ano. No caso de Arnaud, a perda foi de 50%. Depois de mostrar os barris, a visita termina com uma sessão de degustação dos vinhos da casa, com taças das safras de 2012 e 2014. É possível também comprar garrafas por preços menores do que nas lojinhas no centro da cidade: (€ 28 contra € 35).

Onde comer em Saint-Émilion:

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Le Tertre: Restaurante para quem busca uma experiência gastronômica e está disposto a pagar um pouco mais por isso. Aqui o menu com entrada, prato pricipal e sobremesa mais barato sai por € 33, mas pode chegar a € 50 na versão gastronômica, que tem entre as opções de prato lagosta e foie gras.

L’Huitrier Pie: Experiência gourmet a custo acessível. Durante o almoço há menus de entrada e prato principal por € 20, e o menu com sobremesa e mais opções de pratos sai por € 42. Se optar pelo último, não deixe de pedir as “cinco ostras especiais”, especialidade da casa.

Le Trouher Creperie Bretonne (49 Rue Guadet): Crepes são típicos de outra região francesa (a Bretanha), mas o Le Troucher é uma boa opção para quem quer comer o prato sem gastar muito. O menu a € 11 inclui uma galette (crepe salgado) e um crepe doce.

La Puce (323 Grand Bigaroux): A fachada do restaurante pode não ser lá muito atraente, mas a comida é caseira e deliciosa. O menu com entrada, prato principal, sobremesa, vinho e café sai por € 14 (!).

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Dicas da jornalista Raquel Beer, que aproveita as brechas do seu mestrado em Paris pra conhecer cada canto da França.

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