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O que fazer em San Francisco, na Califórnia: os melhores programas

A primeira dica importante sobre San Francisco é: não deixe só dois dias pra curtir a cidade no fim da sua road trip pela Califórnia. Precisa de pelo menos quatro pra captar sua essência.

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San Francisco é, como toda boa metrópole, complexa e paradoxal. Tempos emblemáticos pra uma reflexão dessas, em 2017 comemora-se 50 anos do Summer of Love, verão que marcou o movimento hippie em 1967, que propunha uma nova sociedade regada a amor livre, antimaterialismo e rock and roll. Gente como Janis Joplin e Jimi Hendrix se uniram ali graças a outro movimento anterior, o beatnik, no qual Jack Kerouac chocou o país com sua escrita vertiginosa de contracultura. Anos mais tarde, a cidade protagonizou uma importante luta pelos direitos homossexuais,

encabeçada por Harvey Milk. Verdade seja dita: Janis Joplin e sua galera provavelmente não conseguiriam pagar o aluguel ali hoje: frequente no top 10 das cidades mais caras do mundo para se viver, San Francisco tem o mercado imobiliário mais inflacionado dos Estados Unidos). Isso ocorre principalmente pela indústria da tecnologia do vizinho Vale do Silício: endinheirados se mudaram para a cidade e são levados aos escritórios do Google, Youtube e Facebook em ônibus fretados. No centro, é só virar o pescoço que você dá com o HQ do Twitter.

San Francisco hoje é bem mais hipster do que hippie, mas segue com seu vanguardismo e anticaretistmo, que se uniram à vibe moderninha e jovem dadas por tantas empresas de tecnologia. Barbas e coturnos povoam as ladeiras da cidade entre bicicletas dobráveis, estúdios de yoga, galerias de arte independentes, cafés com wi-fi rapidíssimo, mercados orgânicos e restaurantes de chefs tatuados que servem comida feita com ingredientes locais. Leis sustentáveis chegam primeiro aqui: a cidade foi pioneira nos EUA a abolir sacolas dos mercados e agora figura um movimento contra garrafinhas de plástico de água. Não é incomum sentir cheiro de maconha no ar: está liberado fumar, portar e plantar Cannabis na Califórnia

(ainda que ainda precise de carteirinha com prescrição médica para comprar). Em uma semana na cidade eu presenciei por acaso duas manifestações: uma de vegetarianos em frente a um festival que servia carne e outra com coro “antifacismo, antiTrump” em reação à marcha em Charlottesville no começo de agosto. Tudo isso borbulha numa baía pouco menor que a cidade do Rio que também protagoniza belezas naturais, com um relevo escarpado que proporciona belas vistas para o mar, e suas casinhas vitorianas coloridas e bonitos espaços verdes que a tornam uma cidade agradabilíssima para turistar – vide os 25 milhões de visitantes que ela recebe anualmente. Veja abaixo o que fazer em San Francisco.

Quando ir a San Francisco:

San Francisco tem um clima estranhíssimo. Ela é famosa por sua neblina constante (ela tem até um nome próprio e uma conta no Instagram, @karlthefog) e seus microclimas que fazem com que possa estar chovendo e frio e calor e sol num mesmo momento em diferentes partes da cidade. A melhor época para ir a San Francisco é entre novembro e dezembro: o outono tem as melhores temperaturas do ano na cidade e é quando a neblina mais dá uma trégua. Evite o inverno, de dezembro a fevereiro, quando faz frio e chove muito. O resto do ano tem clima friozinho – de junho a agosto é o pior período em relação à neblina.

Como circular em San Francisco:

San Francisco não é tão fácil de se virar sem carro como Nova York, por exemplo, por causa das ladeiras enormes que dificultam deslocamentos a pé e o metrô pouco abrangente. E estar de carro pode ser um trampo chato, porque estacionar é caríssimo e o trânsito é ruim. A solução é 1) Se hospedar em boas localizações, de preferência sempre orbitam ao redor da Market Street e 2) Ter Uber e Lyft baixados no celular – os dois apps de transporte são amplamente usados e baratos. Para isso, é ideal que você tenha um chip de internet para poder chama-lo: lojas da T-Mobile (tem uma bem grande na Market Street, perto da Union Square) vende chips pré-pagos por US$ 30 com dados ilimitados e 1000 minutos de ligações locais válidos por 3 semanas.

O que fazer em San Francisco:

COMPRAR NA UNION SQURE

O que fazer em San Francisco: não importa quantas vezes a gente vá para os EUA, a gente vai querer entrar no Wallgreens, na Victoria Secret’s, na Apple, na Urban Outfitters, na H&M e num punhado de outras lojas, certo? Pois estão absolutamente todas ali nos arredores da Union Square e em pedaços da Market Street e da Powell Street. Também tem algumas lojas legais menos comuns tipo a da Moleskine e a Uniqlo. Se você curte lojas de departamentos, passe na local Gump’s. Na rua Powell você pode tentar, se a multidão deixar, tirar uma foto com esse bondinho antigo.

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COMER NO FERRY MARKET BUILDING

O que fazer em San Francisco: um dos pontos turísticos clássicos da cidade também é um dos melhores lugares para se comer. Essa construção de 1898 abriga desde 2003 um mercado selecionadíssimo com produtos de pequenos fazendeiros e alguns dos melhores restaurantes em San Francisco (ou filiais deles). A Cowgirl Creamery vende queijos artesanais, a Frog Hollow Farm tem folhados doces com frutas orgânicas, o Humphry Slocombe faz sorvetes artesanais, a lanchonete Gott’s Roadside serve hambúrgueres suculentos (a versão vegetariana também é incrível: é um dos poucos lugares do país que vende os produtos da Impossible Foods; você jura que é de carne). O restaurante vietnamita Slanted Door também fica ali e é ótimo – para quem achar caro, tem uma versão menor dele dentro do mercado onde você pode comer no balcão, o Out the Door.

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VER UM JOGO DE BASEBALL NO AT&T PARK

Dá para comprar um ingresso para um jogo por a partir de US$ 12 no site –  e viver um ritual do esporte americano. Primeiro, entre na lojinha em frente ao estádio e compre uma camiseta ou boné laranjas do time local, o Giants. Depois, compre um copo extra large de cerveja, encontre seu lugar e tente entender qualé a desse jogo paradíssimo (e porque diabos o cara nunca parece acertar a bolinha). Depois, compre mais copos de cerveja (a julgar pelo pessoal saindo semibêbado do estádio, esse é o foco principal do programa) e faça um tour pelas lanchonetes do parque – o The Garden tem uma horta em pleno estádio (San Francisco é hipster, lembre-se) e vende sanduíches de siri muito deliciciosos.

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FAZER O TOUR A ALCATRAZ

O que fazer em San Francisco: compre os ingressos pra Alcatraz com antecedência (umas 2 semanas pelo menos) no site Alcatraz Cruises, a única empresa que opera na antiga prisão mais famosa do mundo, que funcionou de 1934 a 1963. Os passeios de barco saem do Píer 33 e vão até essa ilhota a 2 500 metros da costa, e, com um áudio-guia narrado por ex-detentos, você visita celas e aprende sobre infratores ilustres que ficaram presos ali como Al Capone. Escolha os passeios noturnos para um frio na barriga a mais.

ANDAR DE BICICLETA PELA GONDEN GATE BRIDGE ATÉ SAUSALITO

O melhor jeito de ver a Golden Gate é fazendo um rolê de bike. Duas opções: fazer o tour com uma guia que vai contando um pouco sobre pontos turísticos da cidade: eles saem todos os dias às 10h (e às 13h de março a outubro) da loja Bay City Bikes – dá para reservar pelo site, custa US$ 55 com as bikes tradicionais e US$ 60 com bike elétrica. A loja também aluga bikes por US$ 32 e te dá um mapinha do trajeto até Sausalito. Se achar caro, vá atá uma estação (tipo a da The Embarcadero at Sansome St) do sistema de compartilhamento público de bicicletas de San Francisco, o Ford Go Bike – o passe de 24 horas custa US$ 9,95. A ideia é entrar pelo Marina Boulevard e depois pela Old Mason Street pela praia de Crissy Field, sempre margeando a água, vendo a ponte aparecer e crescer aos poucos na paisagem. Pare no Golden Gate Bridge Welcome Center pra tirar fotos e continue o caminho para atravessar a ponte. É uma sensação muito doida, de riscar um dos itens da bucket list, de atravessar filmes e séries de TV tão fortes no nosso imaginário. Saia da ponte à direita e continue até Sausalito, uma pequena cidade de artistas e ricaços onde há cafés, restaurantes e lojinhas pra parar pra descansar. Ali você pode pegar um ferry pra voltar a San Francisco.

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FOTOGRAFAR OS LEÕES MARINHOS E COMER SOURDOUGH NO FISHEMAN’S WHARF

O que fazer em San Francisco: o Fisherman’s Wharf é a região mais turística de San Francisco; um cais cheio de lojinhas de souvenir, restaurantes de rede (mas a gente não vai até San Francisco pra comer no Applebee’s) e grupos de excursões de chineses (a China é o país que mais emite turistas pra San Francisco hoje). Seria recomendável pular o lugar, se não fossem dois motivos. 1) O Boudin Bakery & Café, uma instituição da cidade, famosa por preparar o pão “sourdough” (de massa azeda) – uma vitrine deixa ver as bolotas de massa fermentando. No restaurante (mais informal no andar debaixo e mais arrumadinho no de cima), você pode pedir uma sopa de mariscos servida no tal pão. E 2) A cômica concentração de leões-marinhos que descansam ao sol com a pança para cima no Píer 39, uns por cima dos outros, entre grunhidos, bocejos e mergulhos. Dá pra ficar um tempão ali olhando os bichos.

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VER A PONTE DO BATTERY SPENCER E GOLDEN GATE OVERLOOK E O PÔR DO SOL EM BAKER BEACH

Peça para o Uber te deixar no Golden Gate Overlook, no Battery Spencer, um antigo assentamento militar do começo do século 20 com prédios abandonados, para ver a ponte de frente. Depois, caminhe uns 18 minutos ladeira abaixo até a Baker Beach, uma praia que fica apinhada de gente nos dias de calor. Com areia dourada, o Pacífico gelado e azulão e o pôr do sol caindo no horizonte, a Golden Gate fica mais bela do que nunca.

COMPETIR POR UM PEDACINHO DA LOMBARD STREET COM OS TURISTAS

Um dos ícones de San Francisco, esse pedacinho de um quarteirão da Lombard Street criado nos anos 1920 com oito curvas apertadíssimas e belos canteiros floridos rodeado pelas mansões da Russian Hill, está sempre lotado de gente. É divertido subir ou descer os seus 250 degraus, mas pra fotografá-la com a luz bonita e sem tanta gente ao redor precisa ir no nascer do sol.

ADMIRAR VISTAS BONITAS EM LANDS END (foto do abre deste post)

O que fazer em San Francisco: a esquina da baía de San Francisco guarda esse parque com uma floresta de ciprestes empoleirados sobre penhascos sobre o mar. Estacionando (ou pegando um Uber) até o Lands End Lookout Visitor Center, você pode seguir uma trilha chamada Coastal Trail por pouco mais de 2 km, com dezenas de pontos bonitos pra tirar fotos, curtir a brisa e vistar a ponte ao fundo. Veja mais nesse link.

TIRAR ESSA FOTO NA ESQUINA DA POWEL STREET COM A CALIFORNIA STREET

A imagem diz tudo 😊

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CONHECER O ANTIGO BAIRRO HIPPIE DE HAIGHT-ASHBURY

O que fazer em San Francisco: quem caminha por Haight-Ashbury tem flashbacks da época em que ali era o epicentro do movimento hippie, apesar de o bairro já ter virado um tanto comercial e outro tanto cafona. Comece na esquina da Haight Street com a Masonic Avenue e veja a loja Love on Haight, cheias de roupas tie-dye e outros artigos multicoloridos, a livraria independente The Booksmith, fundada em 1976, a Amoeba Music, com uma das maiores de CD’s e disco do mundo, e o Wasteland, um megabrechó. Entre eles tem outros lugarzinhos bacanas (mas que não são da época dos hippies), como a Magnolia Brewing Co., de cerveja artesanal, o Best of Thai Noodle, de comida tailandesa e o Flywheel Coffee, um café hipster – veja a lista de bares e restaurantes da rua aqui. Se você se interessar pelo tema, pode embarcar num dos tours guiados Haight Ashbury Flower Power Walking Tour, que custam US$ 20 e saem às terças e sábados às 10h30 e as sextas às 14h.

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CURTIR O GOLDEN GATE PARK DE BIKE

O que fazer em San Francisco: depois do seu passeio por Haight Ashbury, alugue uma bicicleta na loja Parkwide Bike Rentals & Tours, que fica no fim da Haight Street. Dali você pode percorrer esse enorme parque retangular (20% maior que o Central Park de Nova York!). Pare na fonte bonitinha do Shakespeare Garden, no conservatório de flores com uma bonita estufa branca, no Japanese Tea Garden, jardim temático japa, e no de Young Museum, com grandiosa coleção que abrange desde artigos pré-colombianos até pintura contemporânea. Para comer, sugiro pedalar até o restaurante mexicano Nopalito, um dos melhores da cidade, colado na borda sul do parque.

VER ARTE NO SAN FRANCISCO MUSEUM OF MODERN ART

O que fazer em San Francisco: reaberto em 2016 depois de quase três anos, é o melhor museu da cidade, e fica bem perto da Union Square. Além da supercoleção com trabalhos desde 1900 até arte contemporânea, tem um jardim vertical com 19 mil plantas ao redor de esculturas do artista americano Alexander Calder, famoso por seus móbiles, e um terraço com vista para os prédios da região. Exposições temporárias também são de peso – acabou de terminar uma dedicada ao artista norueguês Edvard Munch, do célebre quadro O Grito. A lojinha do museu, com livros e objetos de arte e design, é igualmente maravilhosa.

ANDAR POR CHINATOWN

O que fazer em San Francisco: a maior Chinatown dos Estados Unidos está a um pulo dali, guardada por um portal que imita uma pagoda (21% da população de San Francisco tem descendência chinesa). Enfeitada com lanterninhas vermelhas, ela tem uma porção de lojas de roupas e artigos de decoração típica e quinquilharia. Vale parar na Chinatown Kite Shop, com dezenas de pipas coloridas penduradas, e na Chinatown Fortune Cookie Factory, onde você vê as mocinhas assando, moldando e recheando os biscoitinhos com a sua sorte. Diz-se que o melhor lugar para comer dim sum, espécies de bolinhos com recheios diversos, é o Great Eastern Restaurant, que também serve um pato de Pequim delicioso.

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COMER E BEBER NO BAIRRO MISSION

Antigo reduto de imigrantes latinos, Mission guarda agora alguns dos cafés, restaurantes e bares mais legais da cidade. Pra ver mesmo tem alguns murais bacanas de grafite e o simpático Dolores Park, onde o pessoal fica deitado num gramadão. De resto, são comes e bebes: tem que ir num brunch na Tartine Bakery, um sorvete na Bi-rite, jantar com filme no Foreing Cinema, o melhor burrito dos EUA no La Taqueria, comida moderninha no Baretta. Pra sair de noite, gosto dos bares semialterativos El Rio, que tem um pátio externo, e o Zeitgeist, de cervejas artesanais.

CONHECER O BAIRRO DO CASTRO

Ao norte de Mission, bandeiras de arco-íris e faixas de pedestres coloridas vão indicar que você chegou ao Castro, o famoso bairro gay onde Harvey Milk defendeu a causa LGBT. Na Castro Street, veja o Castro Theater, um cinema quase centenário de mais de 1 400 lugares, e o GLBT History Museum, que destrincha um pouco essa história. Olhe para o chão pra ver a calçada da fama gay, que honra ativistas, artistas e outros personagens homossexuais da história. Coma um bruch ou almoço no Kitchen Story e, de sobremesa, um cookie gigante no Hot Cookie.

CONFERIR OS ANTIGOS POINTS DOS BEATNIKS

O que fazer em San Francisco: seguindo pela Grant Avenue, saindo de Chinatown, você eventualmente vai dar no Jack Kerouac Alley, tingido por grafites e frases dos integrantes da geração beat no chão. Eis aqui a água da qual beberam os hippies: esse movimento literário dos anos 1940 e 1950 de contracultura movido a drogas, jazz e road trips. Ali está a City Lights, editora e livraria que publicou as principais obras do movimento (se você ainda não leu Na Estrada e Uivo e Outros Poemas, obras-chave do movimento, é a chance de comprar seu exemplar). Aprenda mais sobre eles tomando uma cerveja no Vesúvio, bar de 1948 que era frequentado por Kerouac e sua turma, e no pequeno The Beat Museum, que guarda memorabilia da época, vende pôsteres com frases dos beats (“Fuck the Hate”, um deles) e expõe o carro usado no filme Na Estrada do diretor brasileiro Walter Salles.

ATÉ FEV/2018 – MUSEUM OF ICE CREAM

O que fazer em San Francisco: numa construção Beaux-Arts que já foi um banco, se instalou recentemente o Museum of Ice Cream, um museu pop-up que já passou por Nova York e Los Angeles e deve ficar em San Fran até fevereiro de 2018. Altamente instagramável, o projeto surrealista tem diversas salas temáticas coloridas com experiências interativas que incluem uma sala para nadar entre confetes coloridos e outra para andar entre varais de cachos de bananas. Difícil é conseguir um ingresso – entre no site e compre exatamente no horário de abertura das vendas.

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*O Carpe Mundi viajou a convite do San Francisco Travel. O conteúdo do post reflete apenas a opinião da autora.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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