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Por que ir a Menorca, na Espanha: uma declaração de amor

O que fazer em Menorca, na Espanha:

Um dos atuais fetiches do verão europeu, Menorca reúne um território com natureza preservada e pequenas vilas low-profile. Veja aqui o que fazer em Menorca.

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O que fazer em Menorca: mapa de atrações

Em Menorca, os barcos voam.

Ou pelo menos é o que vem à cabeça diante da Cala Macarella, baía no sul da ilha. A água é de um turquesa tão límpido que eles parecem estar suspensos sobre o nada. Dá até para enxergar a sombra dos veleiros e lanchas sob seus cascos. Peguei uma prancha de stand up paddle para ter eu também a sensação de planar sobre o mar plácido, que resplandecia com as remadas.

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Era meu primeiro dia em Menorca, um pedaço de terra insular de 700 km² (pouco maior que Florianópolis) que faz parte das Ilhas Baleares, na Espanha, compostas também pela baladeira Ibiza, a pequena Formentera e Mallorca, onde está a capital da província, Palma. Se estranhar as consoantes mudas nos nomes das cidades é porque ali, como em Barcelona, se fala catalão (ou menorquín, o dileto local) – a ilha foi conquistada pela Coroa de Aragão no século 13, expulsando os árabes que habitaram a região por quase 400 anos e que deixaram resquícios na arquitetura local.

No verão europeu grande parte do Mediterrâneo vira um quintal de ingleses e alemães de sunguinha, ávidos por temperaturas elevadas. E as Ilhas Baleares são destino certo para turistas empacotados vindos das agências dos vizinhos do norte – Mallorca inclusive é apelidada de o 17º estado alemão. Em Palma se organizaram recentemente grupos contra a massificação do turismo, que se manifestam com alguma frequência.

Mas o barulho não chega em Menorca, a exceção do arquipélago. Declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1993, a ilha deteve o desenvolvimento e conseguiu manter seu território preservado. Lá não tem grandes resorts, a não ser um Barceló e um Meliá, mas que num pacto harmônico com a vibe local se instalaram em tamanho comedido. Chegam poucos navios de cruzeiro, a vida noturna é mansa, o aeroporto da capital Maó é quase silencioso. E, apesar da infra turística ter se incrementado nas últimas décadas, os menorquinos não mostram nenhuma inclinação para qualquer mudança radical na realidade da ilha.

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Cala Macarelleta

“Menorca é a exceção das Ilhas Baleares, onde a vida passa lenta e a natureza se mantém preservada.”

Você já percebe o território semivirgem quando sai de Maó e adentra a estrada única que corta a ilha, a Me1, de carro alugado, ou, melhor ainda, de scooter alugada. O caminho plano – o ponto mais alto de Menorca tem 300 metros – é ladeado por uma paleta de verdes, amarelos e marrons dos carvalhos, pinheiros, oliveiras e figueiras, com manchas arroxeadas ocasionais de buganvílias e flores do cardo. Umas cabras pastam indiferentes no horizonte e por vezes se vê os bonitos cavalos negros da raça menorquina nos campos abertos.

O QUE FAZER EM MENORCA: AS MELHORES PRAIAS

A fração mais desejada da costa é onde está a Cala Macarella supracitada, um pedacinho dos deuses onde você tem aquela deliciosa sensação de que encontrou um lugar especial que ainda não saiu no Instagram de ninguém, daqueles que a gente se gaba no bar com os amigos quando volta das férias. Esse trecho tem uma sucessão de prainhas miúdas (ou calas, em catalão) onde a areia é clara e a água é azul-fosforescente, mais que Caribe, quase Maldivas, se é que possível elaborar essa escala.

De carro não dá para transitar entre elas, você teria que ir e voltar da via principal do interior, pois não há uma estrada costeira. O que há é o Camí de Cavalls, uma trilha a ser percorrida a pé que traça 185 km no perímetro do litoral. Você provavelmente não vai levar suas botas de trekking para Menorca, deixemos isso para os franceses ripongas que eu vi por lá. Mas, para sentir um gostinho, estacione na Cala en Turqueta, praia de nome sugestivo, e siga o trajeto que tem demarcações definidas e vai escalando as rochas entre arbustos, quase sempre com o mar avizinhando a caminhada. Logo aparecem MacarelletaMacarella.

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Outra ideia é ir até a Cala Galdana, uma praia bem cênica mas com a faixa de areia atribulada devido a dois hotéis relativamente grandes que a enchem de guarda-sóis e uns pedalinhos coloridos (porque o progresso tarda, mas não falha). Dali você pode embarcar num passeio de lancha (veja com a empresa Liber Mare) e visitar joias como a Cala Mitjana, para curtir a brisa deitado na proa com uma cerveza Illa, feita em Menorca, enquanto voa com os outros barcos ao redor.

A costa norte de Menorca, de formação geológica mais antiga, tem aparência selvagem: sedimentos de origem vulcânica deixaram rochas escuras e areias pretas, amarelas, vermelhas. As enseadas são bem maiores (ali não são calas, mas “platjas”), a água atinge tons de lápis-lazúli. O melhor visual é provavelmente do mirante da Platja de Cavalleria, onde eu sentei um bocado de tempo vendo o sol do fim da tarde dourar a paisagem. Um pouco mais ao norte, a estrada desemboca num fotogênico farol.

O QUE FAZER EM MENORCA: O INTERIOR DA ILHA

Também há muitos motivos para se afastar do mar e conhecer o interior de Menorca.

A exemplo da vinícola Binifadet, uma das poucas da ilha (Mallorca é mais conhecida pela produção de vinho), que vale a visita pelas instalações lindas, com restaurante e adega. Em mesinhas encimadas por parreiras, eles servem os rótulos da casa acompanhados de pão com tomate, queijo menorquino e sobrasada. Foi ali meu primeiro encontro com ela, a sobrasada, em homenagem a qual enterrei momentaneamente minhas tendências vegetarianas. Trata-se um embutido curado de porco muito macio, quase um patê, que eles comem com mel. Não sei que impressão essa descrição causa em quem não teve a oportunidade de provar. Apenas digo que foi um caso de amor imediato.

Outra incursão válida pelo interior é o Torralba d’en Salord, um dos muitos sítios pré-históricos de Menorca. Trata-se de uma vila megalítica, com agrupamentos de pedra que podem ter tido múltiplas funções, entre espaços funerários e templos religiosos, a partir do ano 1000 a.C. Torralba é curioso, mas como em todo esses lugares de milênios atrás, exige certo grau de abstração para imaginar um pessoal vivendo ali.

Percorrendo mais 12 km em direção ao miolo da ilha chega-se a Es Mercadal, um vilarejo simpático de casinhas brancas com portas e janelas verdes e vermelhas. Entre no prédio do Centro Artesanal de Menorca para conhecer o trabalho dos artesãos e comprar umas peças; as cerâmicas são uma beleza. Depois, se encaixe numa mesa do Es Moli D’es Raco, um restaurante inserido dentro de um moinho.

Um bom exemplo de como os menorquinhos estão apenas de boa nessa vida: quando eu estive lá o lugar estava lotado em pleno almoço de segunda-feira, com mesas compridas de gente bebendo vinho tarde a dentro com pratadas de mexilhões cozidos, berinjelas recheadas e polvos grelhados vindo em marcha. É daqueles restaurantes onde os garçons são hiperativos e você rapidamente perde o controle de quanto comeu. Na saída, a vila estava deserta – pois bem, era hora da siesta.

É difícil decidir onde se hospedar em Menorca, talvez pela oferta relativamente limitada de hotéis e o fato de haver bem menos propriedades perto do mar do que você esperaria numa ilha como essa.

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Uma ideia é entrar no Airbnb e esquadrinhar uma casa na Cala Galdana, onde há uma porção de villas gracinhas e baratas como essa, com piscina, vista fantástica para o mar e os tradicionais portões esculpidos em madeira de oliveira. Outra opção é apostar nas antigas fazendas que viraram hotéis rústico-chiques do interior, como a Ca Na Xini.

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O QUE FAZER EM MENORCA: CIUTADELLA

Minha escolha preferida é, porém, ficar num dos hoteizinhos charmosos do centro histórico de Ciutadella, a antiga capital da ilha. Difícil guardar a câmera na bolsa entre aquelas ruelas cheias de personalidade, com becos e travessas que às vezes deixam ver as laterais da Catedral de Santa Maria. Pare no mercado da Plaza de la Libertad para quem sabe levar um pouco de sobrasada para casa, e também nas múltiplas lojinhas de avarca, a sandália típica de Menorca (provavelmente você já a viu em algum shopping, mas nada como as originais, né?).

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O QUE FAZER EM MENORCA: VIDA NOTURNA

O lindo Port de Ciutadella é possivelmente o lugar mais agitado de Menorca no verão, com mesas dispersas ao ar livre no Passeig des Moll. Reserve uma no Café Balear para provar a lagosta mais famosa da cidade e depois rume ao Jazzbah, cujo rooftop animado tem bandas ao vivo, ou ao Kopas Club, uma balada propriamente dita.

Se você deu um Google Imagens em Menorca provavelmente se deparou com uma foto do Cova d’en Xoroi, um bar formado por uma série de cavernas interconectadas moldado na beira de um penhasco no vilarejo de Cala en Porter. Apareça no pôr do sol para transitar entre os vários ambientes e entornar uma pomada (um drink feito com gin e refrigerante de limão), enquanto o marzão dá as caras entre os vãos das rochas. Foi meu último programa na ilha, um belo fechamento para aqueles dias acalmando a alma. Vida longa a Menorca, do jeitinho que ela é hoje.

+ ESPANHA NO CARPE MUNDI

O que fazer em Menorca: e você, tem mais alguma dica?

* O Carpe Mundi foi a Menorca a convite do Escritório de Turismo da Embaixada da Espanha. O conteúdo do post reflete apenas a opinião da autora.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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