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O que fazer em Bordeaux, na França, com dicas de passeios e restaurantes

Bordeuax, além de porta de entrada para uma das regiões vinícolas mais prestigiosas da França, passou por um renascimento urbano e hoje é uma cidade com lindos boulevares com lojas e construções históricas, vida gastronômica bombando, um parque à beira-rio de sonho e um megamuseu dedicado ao vinho do mundo todo, a Cité du Vin. Veja o que fazer em Bordeaux, com dicas de passeios e restaurantes.

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A AIR FRANCE VOA DIRETO DE SÃO PAULO E RIO PARA PARIS. INDO COM ELA A BORDEAUX VOCÊ PASSA NO MODERNO NOVO LOUNGE NA CAPITAL FRANCESA E NÃO PRECISA MUDAR DE TERMINAL PARA A CONEXÃO.

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Encaixada no sudoeste da França, Bordeaux é cortada pelo Rio Garonne. Quinta maior cidade da França, é daquelas que te faz invejar a qualidade de vida: ela é plana, com bulevares largos, parques públicos impecáveis e transporte funcional principalmente com o sistema de bondes (trams).

Nem sempre foi assim. Durante décadas, Bordeaux foi conhecida como “la belle endormie” (a bela adormecida), quando viveu uma espécie de coma, com trânsito coagulando as ruas, armazéns abandonados junto ao rio e as fachadas de seus principais monumentos enegrecidas pela poluição.

Um projeto de revitalização massivo iniciado em 1995 (e ainda em curso) transformou as margens do Garonne em parque, tornou o centro histórico mais amigável a pedestres e bicicletas, limpou e deixou tinindo o belo conjunto arquitetônico de pedra calcária do século 18 e instalou modernos trams (a primeira linha foi aberta em 2003). Tanto foi feito que, em 2007, o centro foi tombado pela UNESCO (é o maior patrimônio urbano do mundo) e a cidade passou a atrair franceses de outras partes do país (principalmente Paris), que a adotaram como moradia. Veja abaixo o que fazer em Bordeaux.

O que fazer em Bordeaux:

Praticamente todas as atrações da cidade estão no centro histórico (ou um pouquinho fora dele), cursável a pé e, pra quem cansar, de bicicleta ou de bonde.

Grand Théâtre de Bordeaux

Casa da Opéra National de Bordeaux (vale ver a programação), o belo prédio de 1780 tem colunas neoclássicas decoradas com as deusas Juno, Minerva e Vênus, e sua escadaria central inspirou Charles Garnier a desenhar a da Ópera Garnier, em Paris. Sua praça virou point de locais e turistas; tem gente papeando sentada nos degraus, andando de skate e bicicleta e sentada das mesinhas dos cafés que tem ali, um deles parte do Intercontinental Le Grand Hotel, que fica em frente ao teatro.

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Cathédrale Saint André

O que fazer em Bordeaux: a igreja gótica foi fundada em 1096 pelo Papa Urbano II, mas grande parte da estrutura foi reconstruída nos séculos 13, 15 e 19 (depois de ter sido usada pra abrigar animais durante a Revolução Francesa). Quem encarar subir os 230 degraus da Tour Pey-Berland recebe um belo panorama da cidade de cima.

Jardin Publique

Se você é que nem eu e não se resiste em deitar na grama pra dar uma pausa no dia, esse parque enorme é uma pedida. Tem playground e teatrinho de fantoches.

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Place de la Bourse and Miroir d’Eau

Jogue “Bordeaux” no Google e a primeira imagem que aparece é dessa praça em forma de ferradura onde está o antigo prédio da bolsa, que foi construída para o rei Luís XV em 1755 como um símbolo de prosperidade da cidade na época. O Miroir d’Eau foi implementado em 2006 como marca desse novo período de Bordeaux pelo arquiteto Michel Corajou: é o maior espelho d’água do mundo – espere em frente até que os jatos de água comecem a espirrar o pessoal fique brincando entre eles.

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Margem do Rio Garonne

Uma vez no Mirror d’Eau, você chegou nas “quais”, as alamedas beira-rio que formam um belo parque com canteiros floridos e espaço onde os locais vão celebrar a vida sadia correndo, passeando com cachorro, andando de patins. Vale atravessar a Pont de Pierre, uma ponte bonita encomendada por Napoleão em 1819, pra fotografar.

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Quai des Chartrons e Pont Jacques Delmas

Seguindo pelo Rio Garonne você vê o Quais de Chartrons, uma área de antigos de armazéns que foi transformada numa galera de lojas e cafés  com vista para a água – é um ótimo caminho pra ir até a Cité du Vin a pé. Do lado direito você vai ver a moderna Pont Jacques Delmas, a mais alta ponte-pênsil da Europa.

Darwin Eco-système

Instalado em antigos galpões militares, o complexo de 20 000 m² une um parque de skate, uma galeria de grafites, um armazém orgânico, um restaurante (o Magasin Géneral), uma espécie de spa ( o Le Bivouac, que tem aulas de yoga, massagem, reiki…), entre mil outras coisas. Mas o melhor motivo pra passar ali é provavelmente o bar Chantiers de la Garonne, que serve furtos de mar e cerveja artesanal na beira do rio (fecha no inverno).

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La Cité du Vin

Surge eminente no horizonte do rio com seu prédio circular, que pode remeter ao vinho girando na taça, a um decanter ou às curvas do Rio Garonne. O museu, inaugurado em 2016, é um ode ao vinho e a seus 90 países produtores. A primeira ala tem uma série de salas com paredes espelhadas que abrigam degustações e workshops – a mais legal delas é o “espaço polisensorial”, com uma tela 360 graus que, enquanto você degusta um vinho italiano, por exemplo, te mostra cenas de um mercado na Itália com pessoas falando e cheiros saindo. Há ainda uma sala de leitura (com livros sobre vinho, claro) e uma galeria de arte.

Mas o ouro mesmo está no museu, que usa de efeitos multimídia (em vez de te obrigar a ler longos cartazes explicativos) e tem um bom audioguia (por enquanto ainda não disponível em português). Há um painel touchscreen pra você clicar e aprender sobre as regiões produtoras de vinho, enquanto observa imagens aéreas desses locais; uma espécie de túnel do tempo da história do vinho desde os egípcios e romanos, onde o áudio te conta historinhas de cada época; uma mesa que explora aromas e sabores

vinho, com coisinhas para você cheirar; uma sala toda escura com mesas iluminadas nas quais você escuta conversas de chefs famosos sobre harmonização entre comida e vinho. O espaço é tão gigantesco que uma tarde é pouco para ver tudo. A visita é coroada com um bar envidraçado no topo com o teto coberto de taças penduradas, onde o ingresso dá direito a escolher um vinho pra degustar da seleção disponível. E, de volta ao primeiro andar, duas lojas vendem variados rótulos e ainda comidinhas (geleias, mel, mostarda) pra levar pra casa.

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Musée des Beaux-Arts

Fechado por muitos anos, o museu reabriu em 2013 com obras do século 16 ao 20. Se não for conquistado por elas, vai ser pelo prédio neoclássico de 1881 e pelo jardim dentro dele, onde o pessoal relaxa em banquinhos sob o sol.

Musée des Arts Décoratifs et du Design

Originalmente um “hôtel particulier” (um tipo de palácio urbano construído pela nobreza e alta burguesia) neoclássico do século 18, o museu exibe pinturas, móveis, louças, cerâmicas e joias e sedia exposições interessantes – eu vi a “House Life”, em curso até 29/1, que reproduz os cômodos de uma casa misturando mobiliário antigo com peças contemporâneas (tem até uma dos irmãos Campana).

Rue Sainte-Catherine

Para quem gosta de títulos, a Sainte-Catherine é a rua de compras pra pedestres mais longa da Europa, que segue um antigo caminho criado pelos romanos – ela vai da Place de la Comédie (onde está o Grand Théâtre) até a Place de la Victoire. Ali tem desde lojas de sempre como H&M, Urban Outfitters e Forever 21 até alguns achadinhos locais e redes francesas interessantes.

Outras lojinhas interessantes em Bordeaux:

Canelés Baillardran (55 Cours de l’Intendance): Canelé é um docinho típico de Bordeaux, um bolinho de rum e baunilha crocante por fora e macio por dentro. Este é “o” lugar pra provar um.

Cadiot-Badie (26 Allée de Tourny): Uma chocolateria de 1826 irresistível. Nos meses mais quentes vendem sorvete.

L’Intendant des Grands Vins de Bordeaux (2 Allée de Tourny): A melhor loja de vinhos da cidade, com garrafas desde € 6.

VINÍCOLAS: VEJA NESTE POST AS MELHORES PRA VISITAR EM BORDEUAX

Onde comer em Bordeaux:

Greedy

Com um salão pequeno com papel de parede fofo, um sofá e mesinhas apertadas, é um restaurante vegetariano ótimo pra um almoço rápido com prato do dia por € 12 ou entrada + prato principal + sobremesa por € 19. Só usa ingredientes orgânicos e sazonais. Segunda a quinta, 12h/15h30, sexta 12h/15h30 e 20h/22h

La Brasserie Bordelaise

Com ambiente sempre animado, a brasserie tem paredes lotadas de garrafas de vinho e tábuas de pães e presunto cru sendo cortado na hora como parte da decoração. O menu tem boa oferta de vinho por taça (desde € 4), cortes de carne, ostras, porções de frios e sobremesas bem francesas tipo profiteroles, tarte tartin e pain perdu (rabanada). No almoço, tem prato do dia por € 14 e combo entrada e sobremesa por € 20. Todos os dias, 12h/15h, 19h/0h

La Belle Campagne

Um dos restaurantes mais falados do momento, fica num sobrado que lembra um bistrô comum na entrada. Do lado de dentro porém, transparece a vibe hipster. No primeiro andar, enfeitado com lâmpadas pendentes, uma parede de pedra e outra com papel de parede da vovó e uma bicicleta pendurada, o menu de petiscos é escrito numa lousa, e a ideia é sentar nas mesas comunais e dividir. No andar de cima, com mais objetos vintage e um quatro que explica que “para comer você deve comprar ingredientes da estação, cozinhar com o coração e dividir o seu prato”, a ideia é pedir do menu sazonal, que muda a cada dois meses e compra a matéria-prima das fazendas da região. As receitas são bem criativas, vide o polvo grelhado com mousse de ratatouille e picles de legumes (€ 9) e a torta de tomate (€ 7) de sobremesa (!), que dividiu opiniões na minha mesa. Terça a sábado, 18h/1h

Miles

Outro expoente entre os novos bistrôs que estão transformando a vida gastronômica de Bordeaux. O nome faz alusão ao fato de que cada um dos quatro chefs vêm de um lugar do mundo, a milhas de distância (Israel, Japão, Nova Caledônia e Vietnã). A comida sazonal vinda de fazendas do sudoeste da França é servida num salão clean onde você pode sentar ao redor de um balcão e ver os cozinheiros em ação. No almoço, o menu com 3 pratos sai € 27, e no jantar o de 5 sai € 48. Terça a sexta , 12h/14h, 19h30/ 22h, sábado 19h30 /22h

Pressoir d’Argent

Eis o suprassumo da alta gastronomia na cidade, com uma estrela no Guia Michelin. Numa brasserie histórica que em outros tempos já recebeu gente como o artista Toulouse-Lautrec, manda hoje o chef inglês desbocado Gordon Ramsay. Pequeno e elegante, exibe poltronas alaranjadas e paredes roxas com quadros preto e branco com arabescos dourados no teto que de algum jeito ornam e não ficam carnavalescas.

Os pratos do menu-degustação (€ 175) vem um a um lindamente apresentados: pato com foi gras e pepino, caranguejo com carpaccio de abacate, peixe branco local com purê de couve flor e chips de alcaparra. De sobremesa, um caramelo em forma de S que você vai quebrando pra comer, um figo com creme de limão que explode na boca. Se é difícil traduzir os nomes dos pratos, é facílimo ter um jantar pra lembrar por um bom tempo. Também há opção de menu à la carte, no qual os pratos saem entre € 40 e € 100. A carta de vinhos conta com 550 rótulos (!). Terça a sábado, 19h30/22h

Quanto tempo ficar em Bordeaux:

De 2 a 3 dias inteiros é o ideal para conseguir ver as atrações da cidade e visitar vinícolas próximas. Se você pira em vinho, pode ser legal dormir uma noite dentro de uma vinícola na região do Médoc ou em St. Emilion.

Quando ir a Bordeaux:

Entre novembro e março faz frio e os vinhedos estão “mortos”, eu pularia. Abril ainda é um pouco cedo e pode fazer frio; melhor ir em maio e junho, quando ainda não está muito quente e os parreirais estão crescendo. Julho e agosto podem ser bem quentes. Em setembro e no início de outubro as parreiras estão carregadas de uvas e você pode observar a colheita. Na segunda quinzena de outubro algumas vinícolas fecham para a vindima.

*O Carpe Mundi foi a Bordeaux a convite da Air France e da Atout France. O conteúdo do post reflete apenas a opinião da autora.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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