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Miniguia de Cambará do Sul (RS), para ver cânions e curtir clima de serra

Cantinho especial da Serra Gaúcha, Cambará do Sul é destino pra descansar a dois e curtir a natureza.

Município acanhado de 7 mil habitantes e meia dúzia de ruas empoeiradas, Cambará do Sul está posicionada entre os parques nacionais dos Aparados da Serra e da Serra Geral. Ali fica a maior cadeira de cânions do Brasil e boa dose de trilhas e cachoeiras, entre a vegetação do extremo sul da Mata Atlântica, pontuada por florestas de araucárias, banhados e campos de altitude. Pousadas charmosinhas acolhem casais que vão atrás do clima de serra, com friozinho, noites de fondue, lareira e céu farto de estrelas regadas a vinhos regionais. Pode ser uma boa esticada de uma viagem para Gramado e Canela.

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Como chegar a Cambará do Sul:

Cambará do Sul está a 200 km de Porto Alegre. O melhor esquema é alugar um carro na capital gaúcha para ter liberdade de transitar pela região e visitar alguns atrativos que não requerem guia por conta própria. Para quem tem mais tempo, dá para fazer um bem bolado com Gramado, Canela e Vale dos Vinhedos. Bom lembrar que comprando com antecedência é fácil achar passagens baratas pra Porto Alegre. Com milhas, dá para achar a partir de 5 mil o trecho saindo de São Paulo ou Rio.

Quantos dias ficar em Cambará do Sul:

Pelo menos dois dias inteiros.

Quando ir a Cambará do Sul:

O inverno na região é frio (média de 10 graus) e é alta temporada na Serra Gaúcha, época quando predominam dias ensolarados e os cânions têm melhor visibilidade. No verão pode chover e ter neblina, mas é quando o tempo deixa tomar banho de cachoeira e as diárias das pousadas caem. Abril e maio são boas pedidas: são os meses mais secos.

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O que fazer em Cambará do Sul:

Centrinho

Não há muito o que ver na cidade em si, compactada ao redor da igrejinha Matriz de São José. As casinhas de madeira entremeadas por árvores de bergamota (mexerica em gauchês) abrigam algumas lojas como o Armazém do Gaúcho e a Coisas da Serra, que vendem cuia e erva para chimarrão e botas de montaria. Para roupas, cachecóis e pantufas fofinhas de lã, passe na Kantu Quente, onde você pode ver a senhorinha proprietária trabalhando no tear. Pare também na Casa do Mel, onde vendem variedades produzidas nos apiários da região.

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Sabores da Querência

Os proprietários Claudia e Álvaro trocaram a cidade grande por este sítio orgânico, onde dependendo da época do ano você consegue ver os pés carregados de framboesas, mirtilos e amoras. A sede bonitinha tem mesas para tomar um café e provar as geleias e antepastos e escolher qual você vai levar para casa – veja se ela tem um sorvetinho de araçá, também feito ali, parra servir.

Cânion do Itaimbezinho

Em 30 km de entrada de terra partindo de Cambará do Sul você chega na entrada do Parque Nacional dos Aparados da Serra, com estacionamento e trilhas sinalizadas – não é preciso ir com guia. Duas trilhas deixam ver a gigante garganta verde com 5,8 km de extensão e paredões de até 720 metros – faça as duas. A do Cotovelo tem 6 km ida e volta e passa por uma borda do cânion sobre plataformas de madeira. Mas gostei mais da vista da Trilha do Vértice, porque dá para ver a Cascata Véu da Noiva despencando entre a vegetação, pontuada por araucárias. A gente se sente pequenininho ali. Vá pela manhã, quando tem menos chance de neblina e a luz é a mais bonita.

Cânion Fortaleza

O Parque Nacional da Serra Geral é mais recente, de 1992 (o dos Aparados é de 1959) e tem menos estrutura, o que consequentemente dá ao Fortaleza uma vibe mais selvagem. O acesso se dá por uma caminhada fácil de 30 minutos desde o estacionamento – também não precisa de guia. Diferente do Itaimbezinho, dá para chegar bem pertinho da borda dessa majestosa muralha verde de 7,5 km de extensão e 940 metros de profundidade. Na volta, há outra trilha pelo lado esquerdo para ver o cânion de outro ângulo, passando pela Cachoeira do Tigre Preto e o Mirante da Pedra do Segredo. Dá pra sentar e admirar por horas – ou o quanto você aguentar o vento ensurdecedor que costuma soprar por ali.

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Trilha do Rio do Boi

Depois de ver os cânions de cima, você pode encarar essa trilha de 9 km que envereda por dentro do Cânion Itaimbezinho, com aquelas paredes gigantes ao seu redor te engolindo. Entre a mata fechada e várias travessias do rio, por vezes com água até o joelho, chega-se a quedas d’água e piscinas naturais – a caminhada é puxadinha. O passeio dura das 8h às 18h e custa a partir de R$ 170 por pessoa com a empresa Cânion Turismo ou com a Coiote Adventure (ligue antes pra ver se já tem grupo formado).

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Piscinas do Malacara

Elas ficam dentro do Refúgio Ecológico Pedra Afiada, 40 km por estrada de terra de Cambará em direção à cidade de Praia Grande – pode ser um bom passeio antes de voltar a Porto Alegre. A trilha de 1h30 (bem mais fácil do que a do Rio do Boi) é feita pelo leito do rio até as piscinas naturais, com vista para os paredões do cânion. Ligue antes para reservar no dia anterior – precisar chegar cedinho, umas 8h e pagar R$ 60 por pessoa. Em breve deve ser aberta também uma trilha de 15 km pela borda do Malacara – pergunte nas agências da cidade.

Cachoeira dos Venâncios

Se você já fez os cânions e está a fim de um passeio tranquilo, pode ser uma boa. Numa fazendo particular, abriga um conjunto de quedas que se desdobram pela extensão do Rio Camisas – não precisa ir com guia, é só chegar e seguir as trilhas rápidas. Quando a gente esteve lá, em junho, não tem absolutamente mais ninguém, então relaxamos por umas horas num piquenique caprichado organizado pelo nosso hotel, o Parador Casa da Montanha. São 17 km para chegar aqui desde Cambará do Sul.

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Passeio a cavalo

Um jeito de explorar a região no estilo gaúcho dos pampas. A Trilha da Fazenda é boa para um fim de tarde, entre campos de altitude e matas de araucária. A do Lajeado é escolha esperta em dias de calor, porque termina com banho nas águas do rio. Nas noites de lua cheia tem uma cavalgada especial noturna. Custa a partir de R$ 89 por pessoa com a Cânion Turismo.

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Onde comer em Cambará do Sul:

Para um almoço econômico, o Galpão Costaneira tem bufê self-service a R$ 29 por pessoa com comida campeira e por vezes um sanfoneiro animando o ambiente. O Casarão tem rodízio de truta, típica da região, por R$ 70, com acompanhamentos. Para o jantar, o Sendero Bistrô é simpático. Fazem sucesso o filé ao molho de frutas vermelhas e banana flambada com sorvete de araçá. Para esquentar as noites frias, o Zuppa Sopas & Afins tem sopinhas servidas no pão. O único bar da cidade é o Du Perau Pub Bar, que serve hambúrgueres a cerveja local Grota Bier, feita com água dos cânions. Às terças e sextas você pode reservar uma noite para uma fondue (R$ 80 por pessoa) no hotel Parador Casa da Montanha, eu vale tanto pela refeição quanto pelo ambiente charmosíssimo. Aos sábados eles também servem um churrasco gaúcho feito no fogo de chão, ao ar livre, por R$ 120 por pessoa.

Onde ficar em Cambará do Sul:

O Carpe Mundi se hospedou no Parador Casa da Montanha (diárias desde R$ 605; RESERVE AQUI!), o hotel mais sofisticado da cidade, com com chalés/barracas térmicas com jacuzzi ao melhor estilo glamping, além de um spa by L’Occitane. Veja a resenha completa do hotel aqui.

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*O Carpe Mundi visitou Cambará do Sul a convite do Parador Casa da Montanha. O conteúdo do post reflete apenas a opinião da autora.

A autora

Betina Neves

Betina Neves

Editora do Carpe Mundi, viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar. É jornalista freelancer e já escreveu pra Viagem e Turismo, ELLE, Claudia, Vamos LATAM, Superinteressante, Cosmopolitan, VEJA São Paulo, Folha de S. Paulo, entre outras publicações.


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